
A CONSTANTE COLETIVA
A Constante Coletiva é um fenômeno que sempre existiu na natureza, mas tinha outro nome. É, pois, um neologismo criado para discutir um aspecto do comportamento das coisas e das pessoas; algo que acontece todo dia e que, comumente, é confundido com destino ou fatalidade. Mas não é nada disso. É, simplesmente, a lei das probabilidades, um efeito puramente estatístico, não linear, impessoal e coletivo. É a lei que rege os fatos e seus aconteceres. Abrange tudo e todos e se repete com uma regularidade quase cansativa. Mas é explicável; nada tem de misterioso – muito menos de sobrenatural.
Bem, agora chega de definições ou justificativas; vamos dar alguns exemplos práticos e simples para consolidar a idéia.
Você mora num prédio. No seu prédio, por dia, descem e sobem pelo elevador, digamos, 300 pessoas. Você é umas delas. Claro, trabalha, tem compromissos na rua, ou seja, você vai e você vem. Tantas vezes quantas forem necessárias. Digamos que, nessa lida, você ocupe seu elevador quatro vezes por dia, em média. Você o faz por vontade própria, quer dizer, por livre-arbítrio. Ninguém o obriga a subir ou descer. Mas já reparou que não encontra sempre as mesmas pessoas ali. Umas, você encontra mais. Outras, menos. Isso é verdade; mas, sempre as mesmas, nunca! E por quê? Porque elas também têm vontade própria, livre-arbítrio, interesses, compromissos e horários diferentes. É verdade que todas estão ali porque querem. Ninguém as obriga. Mas, ao final de um dia normal, a regra se cumpriu: - desceram ou subiram cerca de 300 pessoas.
Outro exemplo: você mora em Floripa. Cidade cercada de praias. Umas mais freqüentadas; outras menos. Vamos escolher Canasvieiras num domingo de verão. Mantida a regra, digamos que se dirijam para lá 10.000 pessoas. À media de 4 pessoas por carro, teríamos, portanto, na estrada, 2500 entupindo a parte não duplicada e causando aquele engarrafamento que tanto incomoda. Apesar disso, seu vizinho insiste em ir. Ele tem casa lá. Sofre, mas vai. Você, que é mais seletivo e não tem vocação de masoquista, convence sua família a ir para outro lugar menos concorrido. E, nesse fim de semana, não vai. Pronto. Você usou seu livre-arbítrio e decidiu não ir. Já mudou tudo. Você fugiu à regra. Mas, em seu lugar, outra pessoa, menos sabida ou mais disposta a sofrer, foi com a família. O carro não tinha ar-condicionado, mas ela foi. Ficou horas parada ao sol. Estrepou-se. E, no final do domingo, o que aconteceu? As estatísticas se mantiveram e, mais ou menos, 10000 pessoas estiveram na estrada de Canasvieiras. Ou seja, os componentes variaram, mas a regra se manteve.
Em ambas as situações, portanto, prevaleceu a constante coletiva.
No ano passado, morreram, digamos, 120 pessoas no trecho sul da BR-101. Mantidas as atuais condições, se o número de carros for mais ou menos o mesmo; se não houver mais disciplina ao dirigir; se o asfalto não for recapado; se a pista não for duplicada etc, morrerão, neste ano, mais ou menos, 120 pessoas. É inevitável, conquanto nenhuma delas esteja mapeada para morrer. Se aumentar o número de usuários, as cifras aumentarão na mesma proporção. É a constante coletiva atuando mais uma vez. Não há como escapar ao risco, exceto não viajando nessa estrada.
Nada é pessoal, pré-destinado, estigmatizado unitariamente por alguma força sobrenatural. Não há destino individual. Muito menos castigo. Não passamos de meros joguetes na mão de uma estatística de proporções cósmicas. Somos apenas um número num total imenso. Mas, como temos a pretensão de ser especiais, nos sentimos mais que isso. Acreditamos ser as figuras centrais do espetáculo do universo, merecedoras de prerrogativas exclusivas por parte de forças superiores, que nos observam e determinam nossos caminhos, nossos méritos e nossa sorte. A verdade, contudo, é que não somos mais que partes ínfimas e inexpressivas de um todo absolutamente indiferente.
É isso que faz o mundo, que faz a vida, que faz a natureza. Tudo obedece, por querer ou sem querer, à lei das probabilidades. Portanto, não há destino, sorte ou azar. O que sempre prevalece é a Constante Coletiva. E o resto é conversa fiada dos agentes e corretores da credulidade das massas.
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 09h45
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LÍNGUA BRASILEIRA
O tema de hoje resulta da conversa que mantive recentemente com um português.
O cenário foi a CDO, a clínica onde trabalho. É bem verdade que o gajo, além de lusitano, não tinha uma dicção das melhores; sofria da chamada ‘língua presa’ ou anquiloglossia. Além disso, recém-chegara ao Brasil. E falava pra dentro. Sua voz era cava; quase não movia os lábios finos, escondidos sob um vasto e espesso bigode negro.
Assim sendo, nosso diálogo foi uma trabalheira dos diabos. E o desfecho, pior ainda. Tagarela juramentado, ele pôs-se a me contar uma história da sua terra, lá para os confins dos vinhedos do Porto - algo sobre a cortiça que arrolha seus famosos produtos. Ouvi-o enquanto pude. Após alguns minutos, todavia, tive de interrompê-lo, educadamente:
- Meu senhor, eu sinto muito, mas não entendi quase nada do que acaba de falar.
Imagina você, leitor, o que ele me respondeu, com um sorriso de satisfação?
- Pois eu cá stou a prcbeire tudo qu’o dstinto dotore stá a dzeire...
Este cara tá me gozando, pensei. E, caprichando na pronúncia, perguntei, com a calma que consegui aparentar:
- O senhor sabe por que está percebendo tudo o que eu estou dizendo? – fiz questão de acentuar os gerúndios para estabelecer as diferenças entre nós.
- Não srá prqu’eu oiço melhore que o dotore? – o ‘atrevido’ indagou.
- Não, meu amigo. É porque eu falo um português mais claro que o seu...
Notei que o homem fora tocado em seus brios patrióticos, quando retrucou:
- O qu’stá a dzer-m’o dotore? Se fomos nós, os prtgueses, qu’inventamos est raio d’língua!
- Vocês a inventaram, mas nós, brasileiros, a aperfeiçoamos – afirmei, categórico.
- Pois eu torno a discurdare: o qu’o dotore stá a dzer-me é um dsprate!
- Quer uma prova? Então, imaginemos o seguinte: ambos estamos assistindo a um noticiário de televisão. O senhor de um lado; eu de outro. Mas com um detalhe: seu aparelho está sintonizado num canal brasileiro; o meu, num canal português. As notícias são as mesmas. E o resultado: o senhor entende tudo o que o locutor brasileiro diz; eu, prestando a máxima atenção, entendo, no máximo, 40% do que diz seu compatriota.
- Mas ist’é um dsprupósito! O dotore stá a pruvare minha afrmação antriore!
- Não! Estou provando justamente o contrário! Que nós, brasileiros, falamos melhor. Que nós aperfeiçoamos a pronúncia. Privilegiamos as vogais, enquanto vocês quase as suprimem e carregam nas consoantes, tornando a língua dura e áspera. Não se esqueça, meu caro, de que vogal é som, e consoante é quase um ruído. Daí sermos entendidos com tanta facilidade...
O luso não era bobo e, com um ar de caçoada que me desconcertou, veio com esta:
- Nêst caso, no mínimo, nós, os prtgueses, somos mais ladinos...
‘Ladinos’; termo bem ilhéu, da época do meu tetravô açoriano cristão-novo. Mesmo assim, senti a estocada; o papo estava ficando desconfortável. E resolvi ceder, confessando:
- Ladinos, de fato, vocês são; ou foram, pois descobriram o Brasil e outras terras, ao passo que nós não descobrimos nada. Mas as coisas evoluíram. De lá pra cá, progredimos bastante a ponto de pronunciar melhor a mesma língua; de enriquecê-la com um vocabulário mais variado. De modernizá-la... E tem mais: num território tão pequeno, os portugueses ainda praticam dialetos quase incompreensíveis entre si. Em contrapartida, aqui, somos capazes de nos entender de norte a sul, do Oiapoque ao Chuí.
- E d scrvê-la? Os brsilairos tambáim são mais capazs? - foi a pergunta capciosa cuja má-fé, no momento, não percebi.
- Bem..., desde que, individualmente, tenham o talento e a competência.
A conversa acabou, mesmo, com o golpe baixo, que ele me desferiu sem piedade:
- E se o dotore me prmite prguntare, os brsilairos táim algum Prêmio Nubel?
Aí eu me rendi. Não, não temos nenhum Prêmio Nobel. E eles, por incrível que pareça, têm o José Saramago, sobre quem pretendo escrever outro dia...
De qualquer modo, parto de alguns postulados que seria exaustivo enumerar aqui. Mas o primeiro - o mais valioso - é a defesa da tese proposta acima:
Os portugueses inventaram o idioma, mas nós o aperfeiçoamos.
A título de ilustração, cabe dizer que o aludido e festejado Prêmio Nobel, por mera rabugice, não permite que sua obra seja adaptada ao ‘português brasileiro’. Temos, portanto, se quisermos lê-lo, de decifrar seu esquisito linguajar trasmontino. Você já leu Saramago? Então, não se esqueça de fazer um bom aquecimento antes. E trate de ativar os seus neurônios porque não é fácil. Parece outra língua, tamanha é a quantidade de termos usados por lá e não usados por aqui. Isto, quando não topamos com sentidos inteiramente diversos, não raro hilariantes para o nosso vernáculo cotidiano...
Outra curiosidade de que tomei conhecimento recente: As ‘Seleções do Reader’s Digest’, que durante tanto tempo eram editadas especialmente para o Brasil, passaram durante um período a ser traduzidas somente para Portugal e remetidas de lá para cá. Resultou dessa malfadada estratégia econômica a queda vertiginosa das nossas assinaturas, e a matriz americana teve de reativar a versão brasileira. Aquilo que parecia uma idéia lucrativa – “afinal, era a mesma língua...” – redundou em substancial prejuízo. E por uma só razão: somos 180 milhões de habitantes e, em que pese nosso expressivo percentual de analfabetos – que eles também têm – sobra-nos um contingente bem maior de leitores.
Agora, abrindo o leque sem me desviar do assunto: conquanto possa parecer patriotada, estou certo de que ‘nossa língua é a mais bonita entre as latinas’. A este respeito, é claro, não tenho dúvida de contar com o aplauso entusiástico e irrestrito dos brasileiros que me lerem. Mas não é só isso; se bem falada, ela é a mais plástica, a mais suave, a mais poética, a mais sonora e agradável de todas; é aquela em que o escritor ou o poeta encontram o terreno mais fecundo para expandir seus dons literários, sua criatividade.
Caro leitor, experimente ouvir, bem declamado, ou declame você mesmo “O Mal Secreto” – de Raimundo Corrêa – e veja se exagerei. Este é, a meu juízo, o mais perfeito soneto da língua portuguesa de todos os tempos. Sinta-lhe a cadência harmoniosa e sublime; a mensagem subjacente, de profundo conteúdo crítico; a revelação sutil da hipocrisia, do embuste e da impostura que campeiam no âmago da convivência social. E me diga depois se não é uma obra-prima, digna do pódio da imortalidade incontestável.
Por tudo isto, elejo, na ordem das línguas que provêm do latim, nosso idioma em primeiríssimo lugar. O brasileiro, no uso e na busca de sua independência lingüística - que já deveria ser reconhecida - desfruta ainda de outro privilégio do qual se esquece a toda hora: abstraindo as Guianas e uma ou outra ilhota do Caribe que não pesam no contexto, é o único cidadão sul-e-centro-americano que não fala espanhol. Deveria, portanto, cultivar essa dádiva raríssima com mais zelo, mais devoção e mais ternura, a fim de merecer, um dia, o fato e o direito de dizer: - minha língua é brasileira!
...E o homem da palavra hermética saiu sem me contar o resto da sua história...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 16h43
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O MAIOR DE TODOS OS TEMPOS?
Plácido Domingo é eleito “o maior tenor de todos os tempos”.
Convocado pela revista "BBC Music Magazine", um júri de 16 críticos elegeu o veterano Plácido Domingo “o maior tenor de todos os tempos”.
"Desde os anos 60, o mundo da ópera parece inconcebível sem Domingo, e o enorme tesouro de suas gravações dará testemunho de sua grandeza às futuras gerações", afirma Michael Tanner, crítico da revista britânica "The Spectator".
"Em uma época na qual 'fama' se tornou uma palavra quase desprezível, a obtida por Domingo é o exemplo de uma grande reputação construída sobre alicerces sólidos", acrescenta Tanner.
Segundo esse júri de especialistas, o tenor com mais possibilidades de suceder Domingo é Juan Diego Flórez, que figura na 13ª posição na lista. Apelidado "o novo Pavarotti", Flórez, tenor de 35 anos, é o único entre os 20 cantores escolhidos que é mais jovem que Domingo.
Observação minha: ‘Por que, então, não o apelidaram de “o novo Domingo...”?
A lista completa dos 20 maiores tenores de todos os tempos, segundo essa enquete da "BBC Music Magazine", é a seguinte:
1. Plácido Domingo (nascido em 1941) 2. Enrico Caruso (1873-1921) 3. Luciano Pavarotti (1935-2007) 4. Fritz Wunderlich (1930-1966) 5. Jussi Bjorling (1911-1960) 6. Lauritz Melchior (1890) 7. Beniamino Gigli (1890-1957) 8. Jon Vickers (nascido em 1926) 9. Nicolai Gedda (nascido em 1925) 10. Peter Pears (1910-1986) 11. Tito Schipa (1880-1965) 12. Carlo Bergonzi (nascido em 1924) 13. Juan Diego Flórez (nascido em 1973) 14. Peter Schreier (nascido em 1935) 15. Franco Corelli (1921-1976) 16. John McCormack (1884-1945) 17. Anthony Rolfe Johnson (nascido em 1940) 18. Alfredo Kraus (1927-1999) 19. Wolfgang Windgassen (1914-1974) 20. Serguei Lemeshev (1902-1977)
MEU COMENTÁRIO:
Há uma série de aspectos duvidosos e discutíveis a levar em conta nessa recente escala de competências. Primeiro, há a questão da avaliação do produto vocal de cada um dos eleitos. Ninguém pode julgar os tenores que gravaram até antes da última década do século XX, quando o registro sonoro parece ter alcançado a perfeição. E aí estarão alguns nomes de peso incomum. Só entre os que eu conheci, citaria o magnífico tenor sueco Jussi Bjorling (1911-1960) e Mario Lanza (1921-1959), outra voz portentosa, sempre minimizada pela elite do mundo lírico, ao que tudo indica, por ter sido ator de cinema.
Se os leitores quiserem comprovar o que acabo de dizer sobre ambos, acessem o YouTube e confirmem com os próprios ouvidos. Tanto é assim, que Pavarotti e o próprio Domingo reverenciaram Lanza como um dos seus modelos inspiradores.
Mas o cúmulo da iniqüidade foi avaliarem Enrico Caruso por gravações feitas nos anos vinte do século passado, quando a tecnologia não oferecia a mínima fidelidade. Isso até ofende a memória do grande tenor.
Além disso, a lista em questão encerra, pelo menos, outras duas irreparáveis injustiças: Mario Del Monaco (1915-1982) e Giuseppe Di Stefano (1921-2008). Vejam também no YouTube aquilo do que esses eram capazes... Para o meu gosto, o primeiro era melhor – pelo timbre e pela voz mais encorpada – mas Pavarotti, em uma entrevista, elege o segundo como seu paradigma.
Três aspectos, a meu ver, ainda merecem ser ponderados:
1. Este seria o momento ideal para Plácido Domingo mostrar ao mundo sua real dimensão. Bastar-lhe-ia confessar-se honrado com a escolha de seu nome, ressalvando todavia, que, pelos motivos citados acima – todos de seu conhecimento – não é possível julgar quem terá sido o melhor.
2. Afirmo, sem medo de errar, que nenhum desses críticos teria coragem de escolhê-lo se Luciano Pavarotti estivesse vivo. Mas duvido mesmo!!!
3. Antes de qualquer outra consideração, acho uma ousadia a escolha em si, pois o dogmatismo contido no rótulo “O Maior”, extingue qualquer discussão. Por fim, num sentido mais amplo, o conceito “Todos os Tempos” abrange o presente, o passado e o futuro, e este último ninguém conhece. Estarão, por acaso, esses presunçosos e afoitos ‘donos da verdade’ querendo repetir o erro milenar dos profetas bíblicos...?
E se esse futuro nos reservar a surpresa de algum novo fenômeno vocal?
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 23h25
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QUEM CLICAR NO ENDEREÇO ABAIXO, ASSISTIRÁ À DESPEDIDA COMOVENTE DE UM DOS CÉREBROS MAIS LÚCIDOS DO NOSSO TEMPO – ARTHUR C. CLARKE.
LI QUASE TODOS OS SEUS LIVROS TRADUZIDOS PARA O BRASIL, E UM, EM ESPECIAL, GUARDO COMO UMA VERDADEIRA COLETÂNEA DE PROFECIAS – “PERFIL DO FUTURO”. NÃO É FICÇÃO; É PURA PREVISÃO EM GRANDE PARTE JÁ CONFIRMADA. A HUMANIDADE INTELIGENTE ACABA DE PERDER UM DOS SEUS MAIS DIGNOS REPRESENTANTES. DIZ O NOTICIÁRIO QUE ELE PROIBIU QUALQUER MANIFESTAÇÃO DE CRENÇA RELIGIOSA EM SEU FUNERAL. PARA MIM, SERIA UMA CHOCANTE SURPRESA SE ACONTECESSE O CONTRÁRIO...
GRANDE ARTHUR C. CLARKE !!!
http://www.youtube.com/watch?v=RZEayXFWNW8
MARIO GENTIL COSTA
Escrito por MaGenCo às 11h22
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VERDADES INDIGESTAS
É verdade que meu blogue não recebe muitas visitas; não passa da modesta média de 20 por dia. Mesmo assim, tenho observado que temas de crítica religiosa raramente despertam comentários. Isso, em princípio, está de acordo com o conhecido dito popular de que “religião não se discute”. Mas o dito completo inclui “gosto, política e futebol”, e esses, todo mundo discute. Presidiria a esse silêncio específico um certo prurido de concordar publicamente? Ou o de discordar?
Mesmo para os não-católicos, parece, sobretudo, que a figura do papa impõe uma reverência intocável, como se ele estivesse acima de qualquer julgamento, ainda que a evidência mostre o contrário. Será que ninguém admite os erros que já lhe apontei? Será que a maioria das pessoas acredita no dogma da infalibilidade? E em outros tão absurdos quanto? Ou o tema não lhes parecerá relevante? Duvido!
Em comparação aos artigos em torno da política, sempre seguidos de uma profusão de palpites, a religião parece um terreno delicado, como ‘pisar sobre ovos’, no qual poucos confessam suas incertezas.
De qualquer maneira, este é um desabafo que visa a justificar minha inarredável postura crítica. Acho que fé é uma coisa; religião é outra. Fé religiosa é sentimento de foro íntimo que muita gente boa tem, e muita gente boa não tem. Eu pertenço a este segundo grupo. Nada a ver com moral ou ética. Pura questão de crença ou descrença. Já, concordar com tudo o que dizem ou fazem os lideres religiosos de qualquer facção, em especial com o que muitos dizem e não fazem – como pregar e descumprir – é coisa que merece, sim, discussão e troca de idéias em busca daquilo que se chama “consenso e paz interior”.
No mínimo, seria o caminho para que, a médio ou longo prazo, de um lado os fazedores de dogmas e inventores de santos e, de outro, os falsos milagreiros evangélicos - que exploram a ingenuidade crédula das massas - repensassem sua estratégia antes de sacramentarem despropósitos como verdades indiscutíveis sob pena de ameaças descabidas de danações infernais, ou de continuarem resistindo, com entraves e argumentos anacrônicos, ao livre progresso da ciência, sobretudo no campo das pesquisas bio-genéticas que visam a melhorar a qualidade de vida no planeta.
Outra das perspectivas paralelas que mais os apavora é a provável – e tomara que não demore! – comprovação científica da existência de vida extraterrena. Podem estar certos, leitores, de que isso, cedo ou tarde, acontecerá. Aí, então, o futuro das religiões cristãs estará seriamente comprometido. Porque não haverá como inventar um Cristo para cada planeta...
O ser humano, quer queiram, quer não, irá aos poucos, graças ao alcance global das comunicações, tornando-se mais céptico e não aceitará imposições absurdas que só lhe trazem prejuízo e decepções.
E o resultado já palpável, do lado católico, é o esvaziamento progressivo das igrejas, conventos e seminários. O famigerado celibato dos padres e freiras - tantas vezes descumprido de maneira abjeta - é outra causa desse êxodo e deve ser rediscutido com urgência. Todas as demais igrejas cristãs o aboliram há séculos, inclusive alguns setores católicos independentes do Vaticano, tais como a Igreja Ortodoxa e a Anglicana. Enquanto isso, os chamados ‘pastores evangélicos’, que, em geral, não têm o mínimo escrúpulo, vão se locupletando à custa do dízimo imposto sob ameaças e anátemas, do desengano e da desesperança das massas desassistidas.
Abram o olho, padres! Vai chegar o dia em que suas palavras ecoarão apenas em paredes...
MARIO GENTIL COSTA
Escrito por MaGenCo às 09h38
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"SÃO ALBERT SCHWEITZER"
Acabo de canonizar Albert Schweitzer. Li entrechos de sua vida e concluí: “Esse homem foi um santo. Deveria ter sido canonizado”. Aí, sucederam-se as indagações: Por que não foi? Resposta imediata: porque não era católico. Mas isso é justo? Afinal, por que só católicos podem ser santos? Ou ainda: por que o Vaticano nunca canonizou um protestante, um judeu ou um ateu? Ou a pergunta mais sutil: pra ser santo, é preciso ser crente? Em última análise, o que é santidade, senão uma qualidade inata que transcende à religiosidade? E decidi: vou canonizá-lo! Está, pois, entronizado no meu seletivo batalhão iconográfico esse judeu francês que dedicou a vida aos negros africanos desassistidos e ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 1952. A partir de hoje, portanto, seu nome, no meu entender, passa a ostentar o merecido grau de santo. E tenho dito!
MarioGentilCosta
Escrito por MaGenCo às 21h01
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A VOZ DAS ESTANTES
Devo ter, em casa, mais de 2.000 livros. A conta certa dependeria de uma minuciosa revisão, de preferência, feita por um(a) bibliotecário(a) que, ao mesmo tempo, se empenhasse em classificá-los de forma correta e memorizada, como se faz nas grandes bibliotecas. Isso, de uma vez por todas, facilitaria a busca e o controle, pois muitos estão numa segunda fileira fora de vista, e só os acharia por acaso. Mas sei que os tenho em algum lugar. A propósito, prometi emprestar um desses a um amigo e ainda não o encontrei. Claro, aí estão incluídos o que resta da minha coleção médica – já que parte foi doada à clínica onde trabalho – e os livros da minha esposa, que, além de leitora regular e habitual, foi professora de português por 25 anos.
Esse acervo, em que predomina a ficção - minha leitura preferida - inclui, portanto, dicionários, gramáticas, antologias, seletas temáticas, enciclopédias e até livros escolares dos nossos filhos.
E continuo buscando mais, sobretudo em sebos de onde tenho colhido legítimas pérolas que alguém desprezou de maneira incompreensível. Há pouco, numa dessas incursões – que, não raro, resultam em completa frustração – deparei com uma jóia rara que foi logo adquirida pela vultosa soma de cinco reais. Considerada a margem de lucro do alfarrabista, deve ter sido vendida, no máximo, por dois ou três reais. Não me contive e, num impulso a que não procurei resistir, escrevi na página frontal, logo abaixo do título: “Coitado do primeiro dono deste livro, que não o conservou em seu poder. Não gostaria de conhecer essa pessoa...” E aqui me explico: “A menos que uma fome inadiável tenha ditado tal gesto, nada mais o justifica. Falta de espaço numa moradia acanhada? Não me convence, já que, em geral, as paredes são nuas em sua parte de cima.”
Mas não é este o único enfoque que quero dar a este artigo; quero, também, aludir a um outro menos material e, para isso, grifo um pensamento que já expressei em diferentes circunstâncias:
“O mutismo aparente das estantes de uma biblioteca é o mais veemente discurso proferido pelo intelecto e o mais seguro veículo da imortalidade humana”.
Tenho o hábito antigo de voltar a livros que, no passado, marcaram minha memória. São, em geral, histórias das quais apenas recordo o título, a temática e a fruição.
O fato é que livros guardados são vozes sufocadas. Seus personagens estão ali, emudecidos e inertes. Compõem uma estranha espécie de campo-santo cujos mortos podem, entretanto, ser ressuscitados e postos a falar. Feito isso, eles, como por mágica, readquirem a consistência, as cores e o brilho vital de outrora e, não raro, nos surpreendem com mensagens que nos passaram despercebidas na primeira vez. É verdade que pode ocorrer também o oposto: a decepção. Figuras que no passado nos deixaram uma marca profunda, já não são capazes de reeditá-la. Acredito que, nesses casos, não foram elas que perderam a substância e os atributos; nosso senso crítico e nosso grau de exigência é que ficaram mais apurados. Seu destino, então, é o retorno à estante e o abandono definitivo.
De qualquer maneira, estar cercado de livros é um privilégio de que pouca gente se apercebe. Acho mesmo que, por algum insondável tipo de emanação, fluem deles, e flutuam nessa atmosfera sutil, estímulos que levam a um estado de ânimo singular e misterioso.
É bem possível que paire aí, nessa órbita etérea, um dos enigmas que propiciou a certos imortais da literatura o clima que deu origem a suas obras-primas. Eis uma indagação que jamais será respondida...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 20h52
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"DESCARTES",
O GATO DA BIBLIOTECA
Alguns dos leitores, provavelmente, conhecem ou já leram sobre a figura do “gato de biblioteca”. Dirijo-me, portanto, àqueles que a desconhecem:
Numa velha biblioteca, havia um gato. Seu nome era Descartes. Um gato ensinado, que não fazia sujeiras e cumpria à risca, com zelo e competência, sua fundamental tarefa de caçar ratos.
Em sua prontidão sempre atenta, esse bichano compenetrado conhecia palmo a palmo todos os cantos e recantos, todos os cheiros e ruídos do lugar. Não havia buracos nem frestas que escapassem à sua vigilância sistemática. Tinha, por assim dizer, impressos na memória felina todos os contornos e silhuetas do interior do velho casarão.
Durante o dia, no vai-e-vem dos freqüentadores, ficava dormitando em merecida folga. Quando caía a noite, ele despertava e dava início a seu plantão solitário. E, muitas vezes, por falta do que fazer e para não se deixar trair pelo sono, punha-se a dar tratos a uma idéia obsessiva, sempre presente em suas confusas elucubrações:
"O que será que essa gente vem fazer todo dia nesta casa? Não há nada aqui dentro que valha a pena, exceto ratos, é claro. O resto são prateleiras, estantes, livros. E que interesse tem isso?"
Não é à toa que tinha o nome de um filósofo. Apesar disso, por mais que cogitasse, não era capaz de atinar com uma resposta satisfatória. Por fim, cansado de tanto matutar, ele intuiu que aqueles livros, cheios de sinais misteriosos, deveriam ter uma serventia que um simples gato não saberia decifrar. Contentando-se com essa conclusão, por si mesma extraordinária para um gato, desistiu de fazer outras conjeturas.
O ruído sugestivo de um roedor em plena faina devastadora era o bastante para que desse imediato cumprimento a seu dever e, num bote certeiro, mordia-lhe a carótida. Muito justo. Afinal, a função de um gato que se preza, além de reproduzir-se e miar, é fugir de cães e perseguir ratos. E isso ele sabia fazer à perfeição.
O tempo foi passando, e o gato foi envelhecendo. Já estava meio surdo e quase cego. E não tinha a agilidade de outrora. Seu sono, agora, era profundo. Quase um coma. Em virtude disso, cresceu, desmesurado, o número dos ratos, cada vez mais robustos e mais audaciosos. Até que, reunidos em coeso pelotão, decidiram atacá-lo de surpresa na calada de uma noite.
Assim morreu o gato Descartes, que cogitou sobre o profundo significado dos livros e zelou por sua sobrevivência. E os ratos, incapazes de cogitar, trataram de roê-los um a um...
Tudo virou farelo. Com as estantes cada vez mais vazias, o antigo templo da leitura, outrora tão procurado, transformou-se num ninho de ratos, num casarão mal-assombrado. E as pessoas foram sumindo em busca da informação virtual.
Estava decretado o fim irrevogável da biblioteca...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 08h04
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PECADOS CAPITAIS
(Uma causa perdida)
Como se já não fossem muitos, os “sete pecados capitais” ganharam, por obra e graça dos zelosos cardeais do Vaticano, seis novos companheiros; serão, doravante, treze.
E se os primeiros já eram ridículos, pois ninguém os levava a sério e muito menos os evitava, imaginemos o recente sexteto:
8. Fazer modificação genética;
9. Poluir o meio ambiente;
10. Causar injustiça social;
11. Causar pobreza;
12. Riqueza ilícita;
13. Uso de drogas.
Todo esse despropósito vem acompanhado de uma recomendação ainda mais risível: confessá-los a cada 20 dias, sob pena de...?
Se a salvação está em confessar, confesso aqui minha dificuldade em julgar a gravidade de tais pecados. No meu tempo de ingênua credulidade, aprendi que eles se dividiam em veniais e mortais. Serão os ‘capitais’ uma terceira categoria? E o termo ‘capital’, por analogia com o jargão jurídico, significará uma condenação à pena máxima, ou seja, à pena de morte na fogueira? Sim, porque, segundo a mais recente e brilhante sentença ‘beneditina’, “o inferno é um lugar físico e está cheio de gente”...
Mas fixemo-nos nos sete primeiros, para deduzir que, se o último delírio de B16 fosse verdade, o inferno estaria cheio de padres:
Gula: desta, nem padres escapam. Em princípio, padre gordo e barrigudo é um guloso. E eles não são figuras raras. É só medir o diâmetro abdominal roliço da maioria dos cardeais do Vaticano e dos que se espalham pelo planeta.
Luxúria: o alarmante número de padres pedófilos ou que não cumprem o celibato fala por si. É uma epidemia que abarrota os corredores do Vaticano ao redor do mundo.
Avareza: a Igreja é avarenta; cumpre avaliar sua imensa riqueza e seu vasto patrimônio, ambos conquistados historicamente à custa de ameaças, subornos, manobras, acertos e conchavos com os reis crédulos e analfabetos, intimidados, desde os primeiros séculos da era cristã, com a bravata espúria da excomunhão.
Ira: deste pecado, então, nem se fala, não fossem a fúria, o ódio e a violência das Cruzadas e da Inquisição, em que os chamados ‘infiéis, hereges e dissidentes’ eram dizimados, chacinados ou queimados em praça pública em nome de Cristo.
Soberba: não é outra coisa a ostentação contida no ouro, nos monumentos e nas obras de arte das igrejas, museus e catedrais espalhadas pelo mundo católico; a altivez, o orgulho, a pompa e a sobranceria com que bispos e cardeais – e em especial o papa – se conduzem em solenidades públicas, em sua relação com as autoridades constituídas. Isso, para não aludir à condescendência e à fatuidade com que se dirigem aos mais humildes, a quem, displicentemente, estendem os anéis para os beijos abjetos...
Vaidade: redundância de presunção, de ostentação, de jactância, a vaidade desses prelados se confunde com o pecado da soberba. É notória a arrogância com que a maioria desfila nas solenidades oficiais a que “concede magnanimamente a 'honra' de sua presença”. Basta recordar o absurdo dogma da infalibilidade.
Preguiça: sinônimo da indolência, da pachorra, da vida mansa, do ócio e da mordomia em que vive a maior parte desses homens em seus palácios, cercados de serviçais pagos à custa da boa-fé e da contribuição ingênua dos fiéis.
Gostaria muito de saber o que eles produziram até hoje que tivesse, efetivamente, contribuído para o bem-estar da humanidade. Aliás, Bertrand Russell disse isso com mais elegância: “Não creio que haja, no calendário religioso, um único santo cuja santidade seja devida a uma obra de real utilidade pública".
Pois bem, os seis pecados acrescentados à lista antiga têm uma característica comum: são menos pessoais, mais vagos, mais coletivos e, principalmente, mais utópicos. É difícil cometê-los individualmente. São, a rigor, mais atitudes ou opções do que pecados em si. No entanto, o que eles são, mesmo, é uma baldada tentativa do Vaticano de criar outro entrave ao progresso da ciência, postura castradora em que é useiro e vezeiro desde Agostinho de Hipona, no século IV. Tal visão obscurantista alcançou seu clímax no Renascimento, quando, felizmente, Johannes Gutenberg inventou a prensa móvel e levou a palavra escrita e o conhecimento laico ao alcance do cidadão comum, e Nicolau Copérnico estabeleceu as leis planetárias do Heliocentrismo, confirmadas experimentalmente por Galileu Galilei, demolindo fragorosamente as falsas verdades Aristotélico-Geocêntricas da igreja e minando para sempre sua sempiterna condição de guardiã exclusiva da palavra final.
O fato é que o Vaticano não se preparou para conviver com o avanço avassalador do saber e tentou, por mais de um milênio, cercear a liberdade de expressão do pensamento racional, insistindo, através de seus oráculos, entre eles o citado Agostinho e Tomaz de Aquino, em atravancar a busca da verdade científica.
E hoje, com a batalha perdida e no mais patético desespero de causa, procura intimidar com seus habituais e infrutíferos anátemas de danação infernal – que só repercutirão entre as mentes fracas e indecisas – os próximos e inevitáveis passos da ciência rumo ao domínio dos meios lícitos que confluirão no controle e na prevenção de doenças até agora incuráveis.
Mais uma vez, essa instituição hegemônica dá sinais do seu vício de princípios e mostra à humanidade crítica que não está preparada para conviver pacificamente com a esmagadora vitória da razão, deixando transparecer, com sua reação estabanada e extravagante, o pavor de afundar sobre seus minados e estremecidos pilares.
Não tenho pretensões a adivinho, mas vaticino que estamos, mais uma vez, diante da perspectiva, mesmo que a médio-prazo – mas, sem dúvida, ao longo deste terceiro milênio – de testemunhar a derrocada final do catolicismo, se não do próprio cristianismo como tem sido e vem sendo pregado e praticado. Os sinais são inequívocos. Só não os enxerga quem não for isento de ânimo. Ou for muito teimoso...
Eu poderia até usar um adjetivo mais contundente, mas me contento com este.
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 09h22
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MADRUGAL
(Subtítulo: “Vivendo no quase nada”)
Vivemos apenas no presente, que é o momento. Ora, o momento não tem dimensão. O que eu acabei de dizer agora, já passou; é passado. O que vou dizer em seguida, é futuro; ainda não foi dito. Agora, sim, mas também já passou. Assim, o que é passado, não existe mais. O que é futuro, ainda não existe; ainda não chegou. Isso significa que o momento, o agora, não tem dimensão; portanto, o momento é nada, e nada não existe.
Conclusão: se o passado não existe por que já passou; se o futuro também não existe porque ainda não chegou; se o agora não existe porque é imensurável, sou forçado a concluir que vivemos no nada. Ou quase nada...
Quer uma prova? Então, vá subdividindo o segundo até onde sua imaginação alcança. Você irá encurtando o tempo até um limite inconcebível, como fazem os cronômetros de precisão que medem as corridas de cem metros rasos ou as provas de natação em piscina: metade do segundo, metade da metade e assim por diante, - talvez o momento dure um milionésimo de segundo(?) - como uma dízima periódica que nunca terá fim, mas sempre caminhará para o nada. E o nada não existe.
Portanto, nós vivemos nesse nada (ou quase nada).
E, apesar disso, somos tão orgulhosos da nossa concretude.
PS: Este foi meu madrugal de hoje; são três e pouco da madrugada. Se, amanhã, isto (lhe) me parecer uma bobagem, perdoemo-nos mutuamente; foi um pesadelo...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 09h08
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REMEXENDO NOS BAÚS DO PASSADO, DEPAREI COM ESTA CARTEIRA DE ESTUDANTE, TIRADA NO PRIMEIRO ANO DO CURSO, EM 1955. TEMPUS FUGIT, E O CABELO TAMBÉM. AFORA O RESTO... MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 09h02
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PINTEI ESTE QUADRO EM 1985. CHAMA-SE 'IMPROVISO-FANTASIA' - HOMENAGEM A FREDERIC FRANÇOIS CHOPIN. TÉCNICA MISTA SOBRE PLACA PRENSADA. MEDE 28 X 48 CM. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h58
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EU, AO VOLANTE DE UM FABULOSO ALFA ROMEO JK, NO SALÃO DO AUTOMÓVEL DO RIO DE JANEIRO, EM 1961. ESTE FOI MAIS UM DOS SONHOS QUE NUNCA REALIZEI; QUANDO PUDE COMPRÁ-LO, ELE NÃO EXISTIA MAIS. HOJE, É PEÇA DE MUSEU; COMO EU... MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h56
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ESTA É A CAPA DO MEU SEGUNDO LIVRO - "MARCAS DO TEMPO" - COM DUAS EDIÇÕES (1994 e 1998). SÃO 174 PÁGINAS COM 13 CONTOS (REINVENÇÃO DE EPISÓDIOS REAIS DA MINHA VIDA MÉDICA) - MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h53
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PINTEI ESTE QUADRO EM DUAS ETAPAS, COM UM INTERVALO DE 12 ANOS (1975-1987), À MEDIDA QUE FUI RESOLVENDO CERTOS PROBLEMAS DE COR E EQUILÍBRIO COM A UTILIZAÇÃO DE NOVOS MATERIAIS. AO FINAL, SATISFEITO, DEI-LHE O NOME DE 'RAPSÓDIA', HOMENAGEM A FRANZ LIZST. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h50
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TRABALHO MEU EM CEDRO, DE 1978, SEM TÍTULO, MEDINDO 40 X 50 CM - OBSERVEM A ILUSÃO ÓPTICA QUE RESULTA DA SIMPLES INVERSÃO DA IMAGEM, EM QUE OS RELEVOS, APARENTEMENTE, SE TRANSFORMAM EM SALIÊNCIAS. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h44
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"CURVATURAS" É O NOME QUE DEI A ESTE MEU TRABALHO DE 1975. É MAIS UM ABSTRATO EM TÉCNICA MISTA, UM ESGRAFITO FEITO SOBRE PLACA PRENSADA. MEDE 40 X 60 CM. AS CORES ESTÃO FIÉIS AO ORIGINAL, E AS PARTES MAIS CLARAS, NADA MAIS QUE A COR DE FUNDO, SÃO RESULTADO DE RASPAGENS COM ESTILETE DE CIRURGIA DE OUVIDO. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h36
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CHAMEI ESTE ABSTRATO DE "OCRES". É UM ESGRAFITO EM FUNDO NEGRO, COM TONS OCRES. MEDE 40 X 60 CM. NADA MAIS QUE CURVAS COMBINADAS. A BASE É UMA PLACA PRENSADA, E A TINTA É ACRÍLICA. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h34
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OUTRO ABSTRATO, DESTA VEZ SOBRE PLACA SUPERPOSTA. TÉCNICA: ESGRAFITO. TINTA: ACRÍLICA. MEDIDAS: 25 X 30 CM. DATA: 1977. TÍTULO: "IMPRESSÕES". AUTOR: MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h29
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MAIS UM ABSTRATO MEU - TÍTULO: "AMPUTAÇÃO". TÉCNICA MISTA. TINTA ACRÍLICA SOBRE PLACA PRENSADA. DATA: 1975. AUTOR: MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h28
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ESTE QUADRO, INTITULADO "FRATURAS" É UMA TÉCNICA MISTA EM TINTA ACRÍLICA SOBRE PLACA PRENSADA - MEDE 40 X 70 CM. PINTEI-O EM 1978. EMBORA SEJA UM ABSTRATO, É UMA ALUSÃO À DESORDEM PROVOCADA POR TRAUMA VIOLENTO SOBRE PELE, OSSOS, MÚSCULOS, TECIDO GORDUROSO E SANGUE. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h25
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"MEDALHÃO" É O NOME DESTE TRABALHO QUE HOMENAGEIA A MÚSICA GRAVADA EM DISCOS DE VINIL, REPRODUZIDA COM AGULHA DE VITROLAS. OS TRAÇOS VERTICAIS FORAM FEITOS COM RÉGUA. ALGUNS CÍRCULOS E OVAIS, COM COMPASSO OU MOLDES APROPRIADOS. O RESTO É MÃO-LIVRE. TUDO À CUSTA DE INCISÕES COM ESTILETE DE CIRURGIA DE OUVIDO. A TINTA É ACRÍLICA, E A BASE É UMA PLACA PRENSADA. DATA DE 1976. TAMBÉM É UM PREITO AOS COPISTAS DE ALFARRÁBIOS QUE NOS TRANSFERIRAM, À CUSTA DE UMA DEDICAÇÃO PENOSA E ANÔNIMA, A SABEDORIA ANTIGA. ELES ESTÃO REPRESENTADOS POR TRÊS FIGURAS ENCAPUÇADAS, SENTADAS LADO-A-LADO À FRENTE DE UMA COLUNA DE LIVROS EMPILHADOS. EM SUMA, O QUADRO É UMA ODE AO PASSADO DA MÚSICA, DA CULTURA E DA SABEDORIA. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h23
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PAISAGEM CHAMADA "VIZINHANÇA", VISTA DA JANELA DA MINHA EDÍCULA NA PRAIA DE CANASVIERAS, EM FLORIPA. DATA DE 1985 E MEDE 40 X 60 CM. É UMA DAS POUCAS ACRÍLICAS QUE PINTEI SOBRE TELA. O TELHADÃO À DIREITA ERA MINHA CASA, QUE NÃO EXISTE MAIS. FOI SUBSTITUÍDA POR UM PRÉDIO. ALI CRESCERAM MEUS 4 FILHOS. É A LEMBRANÇA DE UM TEMPO FELIZ, QUE ME TRAZ IMORREDOURA SAUDADE. QUASE TODOS OS VIZINHOS TAMBÉM SE MUDARAM. OU MORRERAM... MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h13
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PROFISSIONALISMO E DISCIPLINA
Não sou cronista esportivo, mas sou um aficionado do futebol e, sobretudo, um torcedor juramentado do Flamengo.
Como dizem que todo brasileiro é um craque frustrado, também bati minha bolinha e guardo desses bons tempos uma saudade atroz. Pra mim, não existe esporte com bola mais bonito e mais difícil de ser praticado, por uma única e esmagadora razão: é o único que, à exceção, do goleiro, não permite o uso da mão. E todos sabemos que os pés e a cabeça são órgãos rudes, que não nascem com habilidade natural; ela tem de ser desenvolvida à custa de muita insistência, e raros são aqueles que já nascem com o talento formador dos virtuoses, como Zizinho, Garrincha, Zico, Rivelino, Euzébio, Platini e outros.
Alguém logo dirá: “Que estranho! Não citou o Pelé!”. De fato, não o citei porque não simpatizo com ele. Por uma série de razões que não caberia lembrar aqui. Quem quiser, portanto, que o inclua...
Este intróito vem a propósito de derrota sofrida pelo Flamengo, ontem, em Montevidéu. Confesso que esperava um jogo duro, não fossem os uruguaios adversários tradicionalmente difíceis. Mas não estava preparado para o que aconteceu e da forma como aconteceu. Não consigo conceber que jogadores calejados, como Leonardo Moura e Fábio Luciano, ambos com 30 anos, ainda não tenham aprendido a controlar seus impulsos agressivos. O primeiro, expulso com absoluta justiça, depois de chargear, com um ponta-pé desnecessário, um adversário indefeso. E num lance sem a menor importância, no meio do campo. O segundo, punido com cartão amarelo por ter ‘esquecido’ o tornozelo na orelha do oponente numa jogada resolvida e sem perigo de gol. Deveria ter sido expulso também. Ora, o placar marcava apenas 1 x0, e o Flamengo, com o time que tem, poderia perfeitamente revertê-lo se tivesse calma. Antes, já havia sido expulso o tal Toró, por ter agredido covardemente um gandula de 13 anos à borda do gramado, na cobrança de um lateral. Deve, a meu ver, ser severamente advertido pela direção com multa exemplar e, se pegar uma suspensão, não tem do que reclamar. Sua atitude foi animalesca, e sua falta foi desclassificante. Mostrou, acima de tudo, falta de civilidade, de educação. De resto, na minha modesta opinião, não tem categoria para jogar no meio de campo de um time que aspira a títulos maiores.
Espanta-me, isso sim, a insistência com que o Joel Santana, um treinador reconhecidamente competente, o escala no time principal entre gente bem melhor. É um jovem truculento, abrutalhado, desajeitado, deselegante, exímio fabricante de faltas bobas. Não passa, portanto, de um marcador ‘carrapato’, um mero ladrão-de-bola, que, em geral, não sabe o que fazer com ela nos pés. Falta-lhe inteligência para isso. Serviria, no máximo, para uma boa reserva, quando a estratégia recomendasse vigor e marcação sistemática.
Os dois gols que decretaram a derrota fragorosa foram conseqüência direta e inevitável dessas duas lacunas; não é possível sustentar um resultado, muito menos esboçar qualquer reação com ânimos de empate ou vitória com dois jogadores a menos. Acho que saiu barato e fico torcendo para que, dessa derrota inoportuna, o time inteiro tire as preciosas lições de que necessitará nos próximos compromissos.
E tomara que o Joel, protetor do Toró, ao substituí-lo por Gavilan, Kleberson, Jailton ou Jônatas, aprenda, de uma vez por todas, que seu favorito não tem categoria para ser titular de um time como o Flamengo, que tem aspirações de disputar a Taça Libertadores da América…
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 20h54
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CARICATURA DE UM OTORRINO

Isto é uma espécie de auto-retrato semi-caricatural que fiz em 1992 para ilustrar com bom-humor uma parede do meu consultório. Como podem ver, há imperfeições. O pescoço, por exemplo, caberia melhor no Mike Tyson. Mas o resto está razoavelmente parecido. Abraços. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h24
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AMADEUS

Este quadro se chama "Amadeus". Pintei-o em homenagem a Wolfgang Amadeus Mozart. Observem a intenção de simbolizar sua música eterna com cores e formas.
Abraços do MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h19
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TRÍPLICE
Este trabalho, intitulado "Tríplice" mede 35 x 45 cm. É a velha técnica do 'esgrafito', praticada sobre placa prensada. A tinta, em tons grenás, é acrílica sobre fundo claro. Alguns traços foram feitos com régua, compasso ou moldes ovais, exceto as outras curvas, executadas à mão-livre com bisturi de microcirurgia de ouvido. É mais um abstrato. O nome se prende ao fato de a composição dividir-se em três massas combinadas. Abraços do MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 21h26
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ESPACIAL

Dei a este quadro o título de ESPACIAL. Mede 40 x 80 cm. Está assinado nos quatro cantos porque no espaço sideral não existem esses referenciais, valendo, portanto, qualquer posição. Foi pintado em sala de operação, sob visão microscópica, em tardes de sábado, quando o centro ciúrgico, salvo emergências, entrava em recesso. Para fazê-lo, tive de trajar botas, avental, gorro e máscara; só não usei luvas. Ficou pronto após sucessivas sessões, que duraram horas. Mas valeu o esforço, no mínimo pelo ineditismo da experiência.
Grande abraço do MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 21h20
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VISCERAL |

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O quadro abaixo, intitulado "Visceral", é de 1979. Pintei-o sob visão de microscópio de cirurgia de ouvido, pela técnica do esgrafito. A tinta é acrílica, aplicada sobre placa prensada. O título nada mais é do que uma formalidade, já que se trata de um abstrato puro. É quase monocromático, e a foto reproduz com bastante fidelidade as tonalidades originais. Mede, mais ou menos, 40 x 35 cm. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 21h10
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CATAVENTO |
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'Catavento' - Dimensões: 48 x 38 cm. Meio: placa prensada. Mais um abstrato multicor em tinta acrílica, separada do fundo branco por camadas de cera incolor. Incisões feitas com bisturi de cirurgia de ouvido. Homenagem ao grande pintor ítalo-iugoslavo Silvio Pléticos, que vive em Floripa e com quem aprendi a técnica do Esgrafito. É um dos trabalhos de que mais gosto, embora tenha sido criado nos idos de 1974. MaGenCo
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Escrito por MaGenCo às 20h48
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Este entalhe em cedro-rosa, com 38 x 60 cm, intitula-se "LABIRINTO". Foi esculpido por mim em 1978. Em virtude de aludir à anatomia do ouvido interno, só pode ser apreciado na posição em que se encontra. Os médicos, sobretudo os otorrinos, poderão distinguir aí os elementos que compõem o conjunto: o oval do tímpano, a cadeia dos ossículos (Martelo, Bigorna e Estribo), o triângulo luminoso, as janelas oval e redonda, o órgão de Corti (com suas colunas de células ciliadas internas e externas), as rampas vestibular e timpânica, a trompa de Eustáquio (ou tuba auditiva), o saco endolinfático, o aqueduto do caracol, as espiras da cóclea, os três canais semicirculares do aparelho do equilíbrio. O resultado é de uma fantástica harmonia estética e prova que a Natureza é exímia em produzir obras-de-arte. Abraços do MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 20h36
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