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LUTAS RELIGIOSAS

 

         “Luta religiosa”, “guerra santa”, Santa Inquisição, Santa Cruzada são denominações duplas cujos componentes jamais se deveriam justapor, eis que são incompatíveis e conflitantes. A premissa é uma só: - nada que seja santo ou religioso pode ser violento... e vice-versa...

 

         Todavia, se por um lado uma pequena parcela de seres humanos, não necessariamente religiosa, alcança, ao longo da vida, a suprema sabedoria de pautar suas atitudes e pensamentos na ética, na razão e no amor ao próximo – tendo como base o irrestrito respeito à verdade, esteja ela onde estiver – por outro, a humanidade, como um todo, parece não ter tirado o menor proveito da evolução dos tempos e dos conceitos.

         Presa inapelavelmente à atávica tendência de reagir aos estímulos como uma super-populosa manada de bestas inconscientes, deixa-se conduzir docilmente ao sabor dos caprichos e fanatismos de líderes mal-intencionados e ambiciosos, engalfinhando-se em indignas e obscenas lutas religiosas, como fazia no passado mais remoto.

         Crença ou religião, em meu entender, são estados de espírito fundamentalmente livres, subjetivos e individuais; não são causa a ser defendida e, muito menos, imposta a quem quer que seja. Que cada um creia no que quiser – até mesmo no absurdo – desde que guarde consigo a  sua fé...

         É de estarrecer o espírito do mais complacente observador, o que ocorre no mundo atual. Se tal comportamento fosse exclusivo de países do chamado terceiro mundo, dir-se-ia que é compatível com a ignorância que campeia em tais regiões. Mas não! Acontece também nos Estados Unidos... Pois não assistimos, há alguns anos, à chacina em que morreram centenas de americanos, reunidos em torno de um tarado, chamado David Corel, que se dizia a reencarnação do próprio Cristo? E pouco antes, um desclassificado..., o tal Jim Jones, não convenceu ao suicídio coletivo mais de novecentos norte-americanos, também em nome de uma crença espúria?

         É inacreditável que o ser humano moderno – porque nascido no mesmo século em que viveram Albert Einstein, Bertrand Russell, George Bernard Shaw, Carl Sagan e mais alguns que não caberia citar aqui – possa deixar-se envolver coletivamente com questões tão secundárias e irrelevantes, que não têm, nem mais poderiam ter, o significado e a importância de outrora.

Escrito por MaGenCo às 11h45
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         O único consolo que me resta é saber que, enquanto isso..., ironicamente..., lá nas alturas, soberbo e indiferente à imbecilidade que campeia aqui por baixo, o fabuloso telescópio Hubble vai fotografando buracos negros a bilhões de anos-luz, numa demonstração inequívoca de que o Universo, em sua imensurável grandeza cósmica, continua o mesmo, não importa o que possa  crer, fazer ou pensar essa maioria de minúsculos bípedes que a evolução fez nascer na Terra.

         O passado da humanidade é rico de casos deploráveis e, até onde nos deixa saber a história oficial – escrita segundo a conveniência dos vencedores e dos falsos donos da verdade, que viciavam e subvertiam os fatos a seu bel-prazer – os homens sempre guerrearam pelas mais diversas razões.

         Mas é indiscutível que efetivamente, nos bastidores, prevaleceram sempre os interesses ditados pela cobiça material, pelo fanatismo, pelas ambições políticas e territoriais e, principalmente, pela dominação religiosa, o que vem a redundar na mesma coisa, a exemplo da eterna guerra entre católicos e protestantes que recentemente dividiu a Irlanda.

         Assim..., comandando legiões de mentecaptos, conquistaram o poder Átila, Carlos Magno, Gêngis Khan e Tamerlão, além dos "gloriosos" condutores das Santas Cruzadas, como Ricardo Coração de Leão e Luiz IX, o rei tornado santo – São Luiz – que combatiam e dizimavam os "infiéis" em nome da Cruz de Cristo.

         Assim fizeram, em pleno Renascimento, os poderosos cardeais do Santo Ofício "em nome de Deus e da 'Santa' Inquisição", condenando ou enviando à fogueira, sábios e filósofos – como Galileu e Giordano Bruno – que se insurgissem contra suas inconfessáveis ambições de fortuna e poder, ou ameaçassem, com a palavra lúcida que esclarecia as massas, a hegemonia de suas convenientes verdades inventadas.

         Assim também fizeram, em nome dos Reis Católicos da Espanha, os famigerados conquistadores Pizarro e Cortez, que seguiram Cristóvão Colombo e se encarregaram de destruir e reduzir à mais abjeta escravidão as milenares civilizações dos astecas, dos maias e dos incas nas Américas Central e do Sul, simplesmente para apoderar-se de suas riquezas e impor o catecismo à força.

         Se tais atos de desumana selvageria se tornavam possíveis, era graças à desmedida cobiça dos seus patrocinadores e à brutalidade dos seus incultos e atrasados asseclas, verdadeiro bando de bestas desenfreadas, incapazes de pensar por si.

         Naqueles tristes e vergonhosos tempos de obscurantismo religioso, retrógrado e conservador, era fato corriqueiro que um tirano carismático exercesse arbitrariamente o poder de enviar à morte uma multidão inteira em nome de qualquer bandeira que incendiasse os ânimos de violência de uma enfurecida massa ignara; bastava apenas invocar levianamente o nome de Deus, estigmatizar o inimigo com a terrível e ignominiosa pecha de "infiel ou de pagão", e eis que a "justiça divina", qual gládio punitivo e vingador, se abatia sobre os pobres coitados do outro lado com o ímpeto de uma avalanche.

         Se, ao menos, pudéssemos nos confortar com a certeza de que tais barbaridades não mais se repetiriam nos tempos atuais, seria um alento de esperança para este infeliz e presunçoso planetinha. Mas isso é utopia...

Escrito por MaGenCo às 11h43
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         Pois não somos forçados a conviver com uma anacrônica teocracia no Irã?... E não estamos na expectativa, perplexos diante do mal que ainda poderão fazer outros tiranos? Facções religiosas e intolerâncias raciais não destruíram o belo país que era a Iugoslávia?... Israel e seus vizinhos, de uma mesma origem semítica, não vivem engalfinhados numa guerra sem fim?... Não foi pelas mesmas razões que o poderoso bloco soviético desintegrou-se?... Os negros, os judeus e os latinos não continuam sendo perseguidos e chacinados pela Ku-Klux-Klan nos Estados Unidos?...

         Temos, por acaso, qualquer garantia de que não esteja surgindo um novo Hitler a comandar o extemporâneo e preconceituoso movimento neonazista alemão?...     

         É triste, meus amigos..., muito triste!

         Em pleno apogeu da ciência e da tecnologia que exploram o espaço sideral, no tempo da admirável e estonteante escalada da cibernética, da informática e da fantástica e revolucionária realidade virtual – que aí está a invadir despudoradamente os limites do impossível – ter de testemunhar pela televisão, ao lado disso, matilhas de fanáticos ignorantes a empunhar paus e pedras uns contra os outros em nome de crenças tão estapafúrdias, é demais para meu natural e tolerante poder de aceitação.

         Esta, para mim, é uma das mais propícias ocasiões de lembrar as palavras atribuídas a Cristo: "Pai, perdoai-os!... Eles não sabem o que fazem"... Sim, porque tudo isso está além do alcance das limitadas fronteiras do meu entendimento, eis que a estupidez e a insensibilidade humanas, quando juntas, individual ou coletivamente, erguem uma muralha tão impenetrável, que, contra elas, nem a razão nem a emoção são capazes de prevalecer.

         Liberdade de crença, de expressão e de pensamento são direito adquirido; ninguém de bom senso contesta. Mas daí ao absurdo de matar e morrer em nome disso, é exceder em muito o meu poder de aceitação. Não posso, simplesmente, ficar calado e admitir que homens supostamente iguais a mim se comportem com tamanho destempero.

         Tal disparate, visto do futuro, expõe ao ridículo o meu tempo, o meu orgulho de ser contemporâneo dos gênios e das conquistas que enumerei acima.

         De repente, vejo-me a fazer parte desta humanidade néscia, capaz de tanta insensatez. De repente, parece ruir por terra o inaudito esforço de um punhado de gloriosos luminares da ciência e do pensamento, que, em sua obstinada luta pela busca da verdade, ofereceram suas vidas para que um Homo sapiens sapiens supostamente evoluído tivesse a oportunidade de dar os maiores saltos em direção da legítima sabedoria que rege o Universo, saltos esses capazes de distingui-lo, de uma vez por todas, dos seus ancestrais menos favorecidos.

         Isto que acontece diante dos nossos olhos, meus amigos, é um ultraje à razão e uma vergonha para o mundo do terceiro milênio, e eu, como parte dele, me sinto humilhado pelo comportamento desses grotescos bípedes de além-mar, que se acham e são considerados meus semelhantes.

 

          Mario Gentil Costa

Escrito por MaGenCo às 11h43
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Alea jacta est

 

"A sorte está lançada". Lula teve a maioria dos votos de um eleitorado acrítico e está no segundo mandato. Apareceu no “Fantástico”, logo após a vitória, e deu declarações que, ouvidas por quem não o conhece, por quem ainda se ilude, são uma mensagem de esperança e de redenção para o Brasil. Para nós, que sabemos com quem estamos lidando, só resta chorar.

Ficou provado mais uma vez que, apesar de eventualmente manipuladas e tendenciosas no quesito orientação das perguntas, as pesquisas não erram, a menos que as diferenças sejam mínimas.

Faltou ao adversário o apoio maciço dos seus pares e, sobretudo, a coragem e a malícia para explorar impiedosamente os pontos fracos e comprometedores do presidente e de seu partido. Não expôs a podridão escandalosa. Foi elegante demais e por isso perdeu. Resta-nos, agora, rezar para que, nesse último período, a ideologia espúria que, a meu ver, se oculta nas cores vermelhas da bandeira do partido não seja implantada a toque de caixa e à custa de manobras violentas, já que não lhe será dada outra chance.

Acautelem-se, pois, os que são contra; esses estão marcados...

E o Brasil, coitado, que se lixe...

          Mario Gentil Costa

Escrito por MaGenCo às 08h35
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O SILÊNCIO DA BIBLIOTECA

 

O silêncio é o primeiro mandamento a cumprir quando se penetra no recesso austero de uma biblioteca. O mesmo silêncio que deve imperar num templo, numa catedral, num santuário. Um silêncio reverente.

         São leves os passos que se dá ali. Murmura-se apenas. Não cabem conversas fúteis. Muito menos vozerios. O clima é de recolhimento. Perturbá-lo seria quebrar uma espécie de magia.

         Debruçados sobre volumes dos mais variados tipos, tamanhos, cores e conteúdos, ora tomando notas, ora absortos na leitura pura e simples, os frequentadores estão concentrados, todos em busca da informação. E as estantes enfileiradas são a fonte de onde jorra o saber

         Elas parecem mudas, mas seu mutismo é ilusório. Porque ali estão os livros. E os livros falam. Falam muito mais que a voz gritada em altos brados.

         Para definir tudo isso, cunhei os dois pensamentos que seguem:

         “A palavra falada tem vida curta, que o tempo consome Já a palavra escrita – essa – não há silêncio, o mais profundo, que seja capaz de emudecê-la.”

         “ O silêncio aparente das prateleiras de uma biblioteca é o mais veemente discurso proferido pelo intelecto e o mais seguro veículo da imortalidade humana.”

 

              MARIO GENTIL COSTA



Escrito por MaGenCo às 08h19
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BIOÉTICA - A ÉTICA DA VIDA

                                                                           (Ensaio)

           

        “Bioética – segundo o Dicionário Houaiss - é o estudo dos problemas e implicações morais despertados pelas pesquisas científicas em biologia e medicina. Abrange questões como a utilização de seres vivos em experimentos, a legitimidade moral do aborto ou da eutanásia, as implicações profundas da pesquisa e da prática no campo da genética”.

Termo novo, resulta da perplexidade com que o homem atual se vê diante de um dos seus mais momentosos desafios: - saber como lidar com as drásticas mudanças que estão por vir.

            Urge, por isso, aparelhar a justiça e os conselhos de medicina com diretrizes extraídas de um estudo multidisciplinar que proteja a humanidade das conseqüências do mau uso e do abuso desse gigantesco salto no futuro - um verdadeiro corte epistemológico - diante do qual o homem, ainda atônito, vislumbra um horizonte assustador, que, de forma nunca vista, promete abalar e subverter as bases da convivência e exige, por seus perigos potenciais, um esforço inadiável de todos os setores do pensamento crítico.

            Embora emocional e intelectualmente envolvido e - por que não dizer(?) - extremamente curioso acerca dos imediatos e futuros desdobramentos de tão palpitante perspectiva da qual não vejo escapatória, não me sinto, como médico que lida noutro setor, abalizado para tecer comentários judiciosos e definitivos a respeito, mas ouso afirmar que, a exemplo da vitoriosa aventura da Apolo XI, que representou o salto histórico da ciência na exploração do espaço e é, por si só, irreversível, estamos, neste início de milênio, dando os primeiros passos numa escalada em direção a uma imprevisível, conquanto inevitável, mudança de conceitos a respeito da essência da vida. 

Escrito por MaGenCo às 08h43
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            Numa visão holística, ousaria até dizer que a Natureza, enquanto regente de si mesma e como central geradora de algo que eu chamaria de “lógica cósmica imanente”, se autodetermina e promove essas insondáveis guinadas como se fossem genuínas mutações genéticas que vêm para ficar. E o homem, sua criatura mais amadurecida, que trate de usar com sabedoria essa prerrogativa para se lhe adaptar, sob pena de não sobreviver. Assim aconteceu com todas as espécies que nos antecederam, e as que não vingaram, ou foram vitimadas pelo inesperado de um cataclismo de proporções galácticas ou foram extintas pela própria incompetência diante das leis da seleção darwiniana.

            Por outro lado, é incontestável que o domínio das técnicas científicas, como aconteceu com a fissão do átomo, pôs nas mãos desse mesmo homem um poder nunca antes experimentado, e os exemplos de Hiroshima e Nagasaki forçaram, à custa do medo das terríveis conseqüências do uso de artefatos cada vez mais destrutivos, uma tomada de posição de âmbito internacional que, ao menos no terreno teórico, baniu seu uso para fins bélicos.

Sou, portanto, um otimista, pois aprendi que quando está em jogo a sobrevivência global, a sociedade como um todo, não por seus méritos éticos, mas sim, por mero instinto de preservação, se acautela, se faz solidária e se torna mais sábia. 

Escrito por MaGenCo às 08h42
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            Acho, todavia - mesmo contrariando idéias eventualmente respeitáveis - que a solução dessa complexa problemática existencial deve passar apenas pelo escrutínio e pelo crivo das mentes capazes de julgá-la de um ponto de vista essencialmente científico-ético-moral-político-jurídico-filosófico e considero irrelevante a participação, no contexto, de aconselhamentos de natureza religiosa, pois não vejo, nessa última, a necessária isenção de ânimo que lhe permita opinar sem envolver sua precípua dependência aos aspectos de ordem transcendental que costumam nortear todos os seus pronunciamentos. Ou seja, não vejo como justificar, no trato do problema, a inclusão de conceitos fundados em revelações divinas, bulas e encíclicas papais, dogmas de fé e profecias fantasiosas, que, segundo muito bem disse Bertrand Russell, “são a crença naquilo que a razão não aceita”.

            A biologia do terceiro milênio e, numa perspectiva mais imediata, a do século XXI, terá como bases dois pilares: - a manipulação genética e as progressivas conquistas da imunologia. Em período mais breve do que se imagina, aí estarão os recursos que neutralizarão as rejeições de órgãos transplantados e, uma vez dado esse passo fundamental, as técnicas cirúrgicas entrarão numa estonteante e amedrontadora espiral de possibilidades. Livres da aludida rejeição, estarão vivendo cidadãos com duas impressões digitais, a exemplo do que já aconteceu na França com o completo transplante de um braço herdado de um defunto. E por que não(?), se já aceitamos, sem pudores éticos, corações, córneas, rins, fígados, pulmões, ossos e pâncreas alheios?

Não tenho dúvidas em prever a construção genética de órgãos vivos autógenos, conservados em bancos apropriados, para servirem como legítimas peças de reposição. E vejo nisso um troféu de valor inestimável. O prognóstico de que, num futuro a curto ou médio prazo, sejam tecnicamente viáveis os transplantes de partes do sistema nervoso deixa no ar a aterradora hipótese da substituição até mesmo de cérebros, com todos os intrincados questionamentos de ordem ética, moral e legal.

            A clonagem da ovelha Dolly foi apenas o primeiro e tíbio passo em direção a uma reviravolta de proporções inimagináveis nas possibilidades da ciência de criar a vida em laboratório. E se, por um lado, temo as complexas conseqüências desse fato, acho que o mesmo ocorrerá com a criação de clones humanos.

Escrito por MaGenCo às 08h41
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Acho, contudo, que quaisquer medidas coercitivas e limitadoras sobre a liberdade da experimentação científica seriam o exercício do mesmo obscurantismo religioso que estagnou e atravancou o progresso da ciência no transcorrer de toda a Idade Média. E, uma vez confirmada essa perspectiva, o que fazer? Como administrar os inevitáveis e anacrônicos posicionamentos teológico-religiosos que a questão suscita? Na minha modesta opinião, apenas de uma maneira: - ignorando-os.

            Cabe, portanto, àqueles que vêem o progresso científico como coisa bem-vinda e benfazeja - e não como ameaça à hegemonia de qualquer instituição religiosa - legislar preventivamente, mas com a equanimidade dos que, nas diversas disciplinas, oferecerem credenciais para abordar a matéria com independência, a fim de que a sociedade do futuro, já certamente liberada dos aludidos grilhões castradores, não veja nossa geração como uma daquelas que foi incapaz de se adaptar ao seu tempo com sabedoria e liberdade, livre dos medos e das ameaças de fantásticas danações infernais que estigmatizaram o passado humano. Porque não tenho dúvidas em afirmar que os atuais detentores do pensamento religioso repetiriam pragmaticamente os seus anátemas e sentenças irrevogáveis se ainda tivessem na mão o poder de outrora, e todos os modernos Galileus e Brunos seriam emudecidos ou queimados em praça pública.

Assim sendo, pela atitude hipócrita com que, nos tempos mais recentes, costumam sufocar seu repúdio por qualquer tipo de progresso científico que venha a enfraquecer as bases já estremecidas de sua dialética, não merecem ser ouvidos, pois carecem da indispensável lisura de propósitos com que tais questões devem ser tratadas.

 

            Mario Gentil Costa

Escrito por MaGenCo às 08h40
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QUASE UM CONTO (DO VIGÁRIO)
 
Na minha casa não. (Arnaldo Jabor)
Fazia tempo que queria reformar minha casa. Foi-me indicado um profissional que diziam fazer um bom trabalho. Não apoiei, mas toda a minha família ficou satisfeita com a contratação dele. Diziam que, mesmo sem muita experiência, era um cara honesto e coisa e tal. E, devo dizer a verdade, ele quase me convenceu com seus argumentos. Encheu-me de promessas, falando que faria isso, que resolveria tal problema, que mexeria nos alicerces. Em suma, que tudo ficaria como novo.
Mas, de uma hora pra outra, começaram a sumir coisas lá de casa. Uma caneta, alguns DVD's, um rádio. Depois as coisas desaparecidas foram ficando maiores. Quando dei por mim, tinham-me levado até o carro. Confrontei o homem a quem havia contratado. Ele acusava seus ajudantes, dizendo que não sabia de nada. Segundo ele, estava focado apenas no trabalho.
Descobriu, logo depois, que minhas suspeitas eram verdade. Seus funcionários estavam roubando de mim. Trocou de equipe. Mandou todos embora e trouxe novos ajudantes. A reforma continuava, ainda que a passos curtos e lentos.
Nesse momento, eu e minha família estávamos mais do que desconfiados. Mas
demos outra chance, desta vez com olhos mais abertos.
No entanto, as coisas continuaram a sumir de casa, mesmo com a nova equipe.
O chefe seguia se eximindo da culpa sempre que pegava algum dos seus roubando. "Não sabia de nada, como posso responder por eles?", dizia o homem.
Um dia, acabou o prazo para entregar a casa pronta. Faltou muito para chegar
ao menos perto do que havia prometido. O pior é que, ao longo do tempo de trabalho, ele foi mudando tudo o que falara no início. Se tinha dito fazer uma coisa, ia lá e fazia outra. Se assumira compromisso com a minha família em relação a tal assunto, pouco depois parecia que esquecera completamente.
Simplesmente parecia outra pessoa.
Mesmo com tudo isso, o safado ainda teve a cara-de-pau de vir me pedir por mais tempo de trabalho. Sim, depois de todos os seus ajudantes terem me roubado, tanto os velhos quanto os novos, depois de ter mentido descaradamente para mim, depois de me prometer coisas que não chegou nem
perto de cumprir, depois de se fazer de inocente frente a todas as acusações, ele ainda queria continuar dentro da minha casa.
Claro que eu jamais aceitaria isso. Não sou idiota. Minha família veio dizer que nas outras reformas isso havia acontecido também, coisas haviam sumido.
Tudo bem, pode ter acontecido, mas nunca tão descarado quanto agora. Nunca mesmo. E, de qualquer forma, desde quando os erros dos caras do passado justificam o roubo do cara de agora? Era só o que me faltava: deixar um ladrão, mentiroso e ignorante na minha casa por mais tempo porque "outros também fizeram".
Se dependesse só de mim, contrataria outro agora mesmo. E se esse outro roubasse de mim, contrataria outro. Até um deles me respeitar. Até eu achar alguém que faça o trabalho de forma decente e ética.
O problema é que combinei com a minha família que ninguém tomaria uma decisão dessas sozinho. O que a maioria decidir, será feito. A votação ficou pra domingo, dia 29. Só espero que as 180 milhões de pessoas que moram comigo mostrem-se mais inteligentes do que parecem.



Escrito por MaGenCo às 17h04
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“POEIRA VITAL”

(Livro de Christian De Duve. Ensaio com excertos grifados)

 

            Christian De Duve é um biólogo belga, ganhador do Prêmio Nobel de Biologia de 1974. Seu livro “Poeira Vital”, lido em 1998, é um hino à vida. Seu parecer final é o de que o universo está cheio de vida e de que esta é uma conseqüência inevitável de qualquer mundo que reúna as condições do nosso.

            Já no prefácio, se entrevê tratar-se o autor de uma mente livre, pela maneira franca e desassombrada com que enfrenta os preconceitos estabelecidos pelas correntes de pensamento que ainda interpretam a vida como fenômeno de origem divina.

            A declaração inicial de que “a ciência - em seu entender - é o melhor caminho para se chegar à verdade” é altamente motivadora para quem anda sempre a buscá-la através de alternativas mais convincentes que abordem a questão sem os pressupostos que, durante séculos, atravancaram e cercearam a expansão do pensamento crítico.

            Logo adiante, para confirmar sua posição inarredável, ele faz, por assim dizer, uma declaração de princípios:

            De que “a vida é uma manifestação obrigatória das propriedades combinatórias da matéria” e de que, em função disso, “exclui três ‘ismos’”:

            1º - o vitalismo, que alude à necessidade de um princípio vital.

            2º - o finalismo teleológico, que pressupõe a causalidade final.

            3º - o criacionismo, que invoca o milagre da criação divina.

            “Neste contexto, Poeira Vital é uma tentativa de explicar os quatro bilhões de anos da história da Terra, desde as primeiras biomoléculas até a mente humana e além.

Escrito por MaGenCo às 08h24
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O livro está dividido em sete “eras” sucessivas, partindo da simplicidade para a complexidade. São elas:

            1. Era da Química

            2. Era da Informação

            3. Era da Protocélula

            4. Era dos Organismos Unicelulares

            5. Era dos Organismos Multicelulares

            6. Era da Mente

            7. Era do Desconhecido

Escrito por MaGenCo às 08h23
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           O desenvolvimento da Vida é um processo químico que começou, no período pré-biótico, pela formação e pela interação espontâneas de pequenas moléculas orgânicas disseminadas por todo o universo e que deram origem aos ácidos nucleicos (RNA e DNA) e às proteínas. Segundo afirma o autor, “a vida tinha de surgir nas condições prevalentes e tornará a surgir sempre e onde as mesmas condições se repitam.”

            A Era da Informação, como um mecanismo de reconhecimento biológico, chave da estrutura bi-helicoidal de Watson e Crick (DNA), que governa a transferência de informação genética e que abriu caminho para a continuidade hereditária e para a seleção natural, na qual a contingência superou o fator acaso.

            A premissa do autor é a de que “Todos os seres vivos descendem de um antepassado comum, e esta é uma evidência avassaladora”.

            Tudo provém de um tronco, chamado “árvore da vida”, que foi se bifurcando e evoluindo em ecossistemas cada vez mais complexos, até que surgiram os primeiros animais. A partir do instante em que surgiu o primeiro neurônio, teve início o desenvolvimento do cérebro e, através dele, a longo prazo, nasceu a consciência. O ritmo de evolução, desde então, foi acelerado, e acabou, em poucos milhões de anos, levando à transformação de um dos primatas em humano. Foi justamente esse humano que imprimiu a mudança mais dramática no comportamento da evolução, que, de um processo lento, comandado simplesmente pela seleção natural, passou a ser influenciado pelo homem, através da ciência, da arte, da filosofia, da ética e até da religião, produtos todos desta nova era.

Escrito por MaGenCo às 08h21
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            A vida, tornada pelo comportamento humano cada vez mais complexa, culminou na atual explosão demográfica que está na raiz de todos os outros problemas e, “se, em futuro próximo, não os resolvermos satisfatoriamente, a seleção natural o fará por nós, mas com conseqüências que poderão ser trágicas para a humanidade”.

            “Aconteça o que acontecer, entretanto, a vida se recuperará, como fez tantas vezes no passado depois de grandes catástrofes planetárias e, muito provavelmente, continuará a evoluir para uma complexidade sempre maior. Não há razão para nos considerarmos o pináculo de um processo que ainda tem outros cinco bilhões de anos pela frente”.

            “A Vida e a Mente emergem não como resultado de acidentes aberrantes, mas como manifestações naturais da matéria, impressas no tecido do universo. Vejo este universo não como uma ‘piada cósmica’, mas como uma entidade significativa destinada a dar à luz seres pensantes, capazes de discernir a verdade, aprender a beleza, sentir o amor, desejar o bem, definir o mal, viver o mistério. Não fiz qualquer menção explícita a Deus, porque esta palavra está carregada de múltiplas interpretações ligadas a uma variedade de credos. Gostaria de enfatizar, mais uma vez, que a palavra-chave é química”.

            “Precisamos aprender a pensar biologicamente e a agir biologicamente. Este livro é produto de leituras e reflexões pessoais”(C.D.D.)

 

Mário Gentil Costa 



Escrito por MaGenCo às 08h20
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O DEUS-UNIVERSO

 

A afirmação dos crentes, baseada na lei da causalidade, é: "Deus criou o Universo". Ora, o Universo é a existência. E a esta não pode inexistir. Portanto, não foi criada. Caso contrário, o que existiria? O Nada?

E o que fez Deus antes da criação? Passou todo esse tempo como Deus do Nada? E um dia resolveu Criar? Para quê? Para livrar-se de um imenso e eterno tédio?

Não posso conceber – e ninguém concebe - um limite para o Universo. Ele tem de ser infinito. Forçosamente. Ou, se for finito, deverá estar rodeado de um número infinito de outros universos. Porque o infinito é a soma infinita dos finitos. Porque o nada, por definição, não pode existir. O nada é o não-ser. Então, tudo que existe se encontra no Universo, que é o Todo, a essência do Ser, do Existir. E Deus? Como aceitar um ser infinito habitando um espaço finito?

Uma coisa pode ser afirmada com absoluta segurança: o Universo existe. O céu do Universo é visível. Basta olhá-lo. O Universo se mostra, e Deus se esconde. Não é mais lógico aceitar uma coisa que se vê do que acreditar noutra que não se vê? Conclusão: o Universo é o que existe. O Universo É. Nunca houve a criação. A própria lei da causalidade exigiria um criador para o criador. E cairíamos na chamada “regressão infinita”...

Tudo sempre existiu. Lavoisier estava certo: - “Nada se cria e nada se perde; tudo se transforma.”

Somente a fé sem cogitações pode negar esta lei da Natureza. Mas, por definição, "a fé é a crença naquilo que a razão não aceita.” Em todo caso, para que o exposto não pareça puro materialismo, uma simples superposição de nomes talvez fosse a solução: Deus e o Universo seriam a mesma coisa. Nós, enquanto vivos, seríamos parte consciente desse Todo e, uma vez mortos, voltaríamos a ser poeira de estrelas, de onde viemos. É o fundamento do Panteísmo de Spinoza e de Einstein, o conceito do Deus-Universo, útil para atender aos anseios dos místicos. Assim sendo, se a questão for crer num Deus, só resta este. O outro, o Deus religioso, o Deus criador, o Deus Pai, que pune e que afaga, esse, para mim, não existe. Foi inventado pelo homem para explicar sua ignorância e aplacar seu medo diante do desconhecido. Há muitos anos, desde que alcancei esta compreensão, entrei para a seleta minoria dos descrentes e me tornei um homem livre de tutelas teológicas a tolher a expansão do meu pensamento crítico. E muito mais feliz...

 

       Mário Gentil Costa

Escrito por MaGenCo às 20h09
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CONFLITO DE GERAÇÕES

 

Falando sobre conflitos de gerações, o médico inglês Ronald Gibson começou uma conferência com quatro frases:

 

    1)        "Nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, caçoa da autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem mal aos pais e são grosseiros."

2)        "Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país, se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada e simplesmente horrível."

     3)        "Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe."

    4)        "Essa juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura."

Após ter lido as quatro citações, ficou muito satisfeito com a aprovação que os espectadores davam às frases.

Então, revelou a origem delas:

A primeira é de Sócrates (470-399 a.C.

A segunda é de Hesíodo (720 a.C.)

A terceira é de um sacerdote do ano 2000 a.C.

A quarta estava escrita em um vaso de argila,

descoberto nas ruínas da  Babilônia (Atual

Bagdá) e tem mais de 4.000 anos de existência.

 

A conclusão a que se chega é a de que desde

que o mundo é mundo, a juventude sempre quis

mudá-lo para melhor.

E não está conseguindo...

 

Mario Gentil Costa

 

 

 



Escrito por MaGenCo às 19h05
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BLOGUE INTERNACIONAL

Tenho o prazer e o orgulho de acrescentar, à já publicada lista de países que têm acessado meu blogue, os seguintes: Belgium (Bélgica), Açores (Portugal), Poland (Polônia), Chile, Venezuela, Colômbia, Denmark (Dinamarca), Argentina, Bulgária, México, Vietnam (Hanói), Japan (Japão), Sweden (Suécia), Norway (Noruega), Hong Kong, Peru, Áustria (Viena), Índia. Alguns, inclusive, com frequentes repetecos e origens urbanas diversas. Nunca vi meu Site Meter tão engalanado de bandeirinhas diferentes. Tudo isso, graças ao Paulo Coelho !! Nada como ser promovido por um nome famoso... MaGenCo

 



Escrito por MaGenCo às 09h30
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ESCREVER MAL E DIZER MUITA BOBAGEM É FÁCIL - O DIFÍCIL É ESCREVER MAL MUITOS LIVROS E ENGANAR MUITA GENTE DIZENDO MUITA BOBAGEM... MaGenCo

IT’S EASY TO WRITE BADLY AND TO SAY LOTS OF SILLINESSES – THE DIFFICULT IS TO WRITE DOZENS OF BAD BOOKS AND, EVEN SO, TO BE ABLE OF MISLEADING LOTS OF PEOPLE BY SAYING LOTS OF SILLINESSES…



Escrito por MaGenCo às 21h06
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CARL SAGAN

 

 

         É curioso, mas, ao longo da vida, tive amigos que nunca vi de perto. Pessoas que povoaram meu imaginário e ocuparam, de forma mais concreta do que muitas com quem convivi a curta distância, um lugar de destaque em minha galeria de preferências afetivas, como se fossem meus íntimos conselheiros ou confidentes.

         Isto aqui é uma espécie de despedida tardia de uma delas. De fato, desde 1996, quando soube da morte de Carl Sagan, senti que um pedaço de mim morria junto. Nossa convivência começou quando assisti, pela televisão, à sua série documental COSMOS, cujo livro li com sofreguidão e pasmo.

Sofreguidão pela copiosa oferta de conhecimento que me proporcionou. Pasmo pela coragem de derrubar crendices e pelo desejo puro de explicar o mundo-universo em que vivemos; de trazer a público uma mensagem de bom senso e de fé na ciência como único meio de desafiar idolatrias impostas por oráculos carregados de superstição e, assim, levar nosso cérebro a pensar com independência.

         Carl Sagan foi um dos maiores e mais honestos pensadores do século XX, capaz de ombrear na história com imortais como Epicuro, Descartes, Galileu e tantos outros.

         A leitura de seu último livro – Bilhões e Bilhões (Uma reflexão sobre a vida e a morte na virada do milênio) – me convenceu de que ele merecia ter vivido essa data, ao contrário de tantos que viveram no século XX sem, ao menos, merecer ter nascido e cujos nomes não cito para não comprometer a higiene destas linhas.

         Aqueles que acreditam em destino decerto dirão que terá chegado sua hora. Como se existisse algum tipo de pré-determinismo sobrenatural que marcasse a priori as datas de nascimento e morte de cada ser humano.

O que existe, de fato – e era isso que Carl Sagan defendia – é uma função aleatória, a Lei das Probabilidades, que preside a toda a fenomenologia cósmica de forma impessoal e não linear.

         Li toda sua obra publicada no Brasil. E tenho-a guardada numa espécie de galeria de honra. Só escreveu coisa instrutiva e edificante, preocupado, sobretudo, com a vida e, num sentido mais amplo, com a Natureza e o Universo.

Eis os livros que tenho: - Civilização Cósmica, Os Dragões do Eden, O Romance da Ciência (Brocca's Brain), Cosmos, Contato, Pálido Ponto Azul, O Mundo Assombrado pelos Demônios e, por fim, seu livro póstumo Bilhões e Bilhões.

Em todos eles sobressai a preocupação constante com a busca da verdade e a franqueza em divulgar, sem receio de criar antipatias, suas opiniões fundamentadas sobre como encarava e devastava as bases do misticismo organizado.

Também aí ele se igualava a Einstein, cuja crença filosófico-científica se baseava nas evidências da lógica e, nunca, em verdades dogmáticas e reveladas.

          Ambos tinham em comum, assim como despretensiosamente procuro eu mesmo ter, uma reverência ontológica quase religiosa pelo Universo como manifestação concreta e visível de um todo incriado, infinito e eterno no espaço e no tempo.

Escrito por MaGenCo às 18h51
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   UMA SÍNTESE DO SEU PENSAMENTO:

 “A moderna discussão científica requer mente aberta à criatividade, ao lado de ceticismo e vigoroso senso de imaginação.”

       “Jogar com a verdade de modo superficial e descuidado é assunto muito sério.”

          “Quando se suprime a observação cética, esconde-se a verdade.”

“Prefiro mil vezes ser um macaco evoluído a ser um filho degenerado de Adão.”

         “A verdade sobre o universo pertence àqueles que, até certo ponto, são capazes de imaginá-lo.”

         “Só através da averiguação é que podemos descobrir a verdade.”

“Quanto mais aprendemos sobre o universo, menos sobra espaço para o trabalho de Deus.”

 

          Com sua morte prematura (1934-1996), o mundo da Astronomia empobreceu, mas o verdadeiro céu ganhou mais uma estrela...

 GRANDE CARL EDWARD SAGAN !!

 Mario Gentil Costa



Escrito por MaGenCo às 18h49
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INFORMAÇÃO OU INDIGESTÃO...?

 

Desde que me livrei de um compromisso de trabalho que me consumia a primeira metade da tarde, consegui pôr em prática, após anos de espera, o salutar costume de descansar depois do almoço e me entregar a uma benfazeja soneca.

Não é um cochilo, não; é sono mesmo. Claro que não chego a extremos de vestir pijamas e coisas que tais – exceto após uma feijoada sabatina – mais me deito de verdade e durmo profundamente por, no mínimo, uma hora.

Há quem diga que isso amolece o corpo e a mente para o trabalho vespertino; que é um atraso de vida. Pois eu afirmo o contrário. Acordo bem disposto e pronto para o que der e vier, com a mente alerta e o corpo também e, o que é melhor, com a digestão pronta ou em franco andamento.

Minha sesta, portanto, é uma conquista da qual não abro mão. Sei que muitos não podem se dar ao prazer de degustá-la em função de deveres de trabalho imediato ou horários integrais, mas, aos que podem, aconselho a que experimentem os benefícios dessa legítima pausa reconstituinte.

Tudo isto, contudo, esta conversa aparentemente despropositada tem um motivo especial: é que, ultimamente, as coisas não estavam acontecendo de acordo com a minha experiência acumulada. Não estava conseguindo dormir ou, se dormia, meu sono não era reparador e vinha recheado de pesadelos. Meu estômago não esvaziava. Acordava pesado, empanzinado. E, por mais que me questionasse, não atinava com o porquê. Acabei descobrindo, depois de profunda meditação, que a causa estava no jornal do almoço que as tevês, sempre ligadas, nos oferecem como presente, em nome do que se convencionou chamar de informação.

O senso comum dita que o cidadão competente deve andar bem informado. Até aí, concordo. É uma premissa da vida moderna. Mas bem informado de quê? De tragédias, de chacinas, de misérias humanas, de violência urbana, de corrupção institucionalizada, de mentiras e falsidades? Justamente na hora de comer?

E tomei uma decisão: desligar o aparelho após o noticiário esportivo. Bastou isso para que meu sono tranqüilo voltasse. Estou dormindo de novo como um santo. E minha digestão normalizou-se. Tem mais: a experiência foi tão compensadora que a estendi a todos os outros jornais, inclusive o da noite.

E a tão necessária informação? Pois saiba o leitor que continuo bem informado no que me interessa com a leitura seletiva de uma ou duas revistas semanais e um jornal diário, dos quais pinço apenas o que considero relevante e construtivo.

Em outras palavras, recuso-me a servir de caixa de lixo e de ressonância para a mídia sensacionalista, que, em flagrante desrespeito pela inteligência e pelo real interesse do telespectador, entope seus olhos e ouvidos com carniças que só servem para lhe trazer indigestão ao corpo e ao espírito e, nos intervalos, com publicidade, não raro estúpida, cujo único objetivo é estimular o consumismo ou vender produtos mentirosos. E, desde então, estou vivendo muito melhor.

 

Mário Gentil Costa

Escrito por MaGenCo às 21h18
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0-500 - CARIDADE PÚBLICA

 

Esses apelos que as TVs veiculam quase todo dia invocando a caridade do cidadão através de campanhas de donativos via telefones 0-500 - alguma coisa -10, 20 ou 30, que significam doações de 10, 20 ou 30 reais, já estão me causando náuseas.

O brasileiro empobrecido vê-se, mesmo assim, acossado pela mídia para doar o que não tem. E, dadivoso como é por natureza, esse cidadão, que já vive quase à mingua – fazendo milagres com seu salário mínimo para sobreviver e alimentar inúmeros filhos – é capaz de perder o sono com o peso de sua consciência, se não tirar dos seus minguados tostões uma esmola para dar aos ainda mais necessitados.

Quantas vezes já ouvimos pobres dizerem?:

“Sempre tem gente mais pobre que a gente, né?...”

 

É verdade que em geral são campanhas de ajuda a grupos que merecem, mas essa assistência é tarefa do governo – seja municipal, estadual ou federal – que gasta mais do que arrecada com indecentes desperdícios político-demagógico-eleitoreiros e nunca tem fundos para atender às legitimas carências das camadas sociais menos favorecidas.

Fico revoltado ao ser bombardeado diuturnamente com tais apelos maciços e insistentes. É ajuda pra isso; é ajuda pr’aquilo. Em contrapartida, só pra citar um mau exemplo, está aí, filmado a cores vistosas, o suntuoso “Força Aérea 1” tupiniquim a voar com a comitiva presidencial para todos os cantos do país, na mais indecente caça ao voto dos incautos. Caça esta feita descaradamente à custa do combustível e da tripulação paga por todos nós e, sobretudo, por esse mesmo cidadão que não tem de onde tirar para ajudar seu vizinho indigente. E mesmo assim, privando-se de tudo porque é bondoso e solidário, o brasileiro se penitencia.

Só não é esperto o bastante para, no dia 29 de outubro, negar seu voto e derrubar do poleiro essa corja que dilapida os recursos com que deveria ser assistido o pobre que as campanhas do 0-500 tentam ajudar.

Resta, por fim – pois já estou vacinado – uma tênue, mas insistente desconfiança de que esse suado dinheirinho, doado de tão boa-fé, vá, por caminhos escusos, como já aconteceu, parar nas mãos de quem o intermedia...

 

         MARIO GENTIL COSTA

Escrito por MaGenCo às 19h46
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PAULO COELHO UNIVERSAL

 

        Esta semana, para meu espanto, choveram no meu modesto blogue visitas de todo o mundo. 

        Para terem uma idéia, meu Site Meter acusou acessos dos seguintes países:

 

            UNITES STATES OF AMERICA – 7

            SPAIN (ESPANHA) – 2

            FRANCE (FRANÇA) – 3

            GERMANY (ALEMANHA) – 3

            MOROCCO  (MARROCOS) – 1

            ITALY (ITÁLIA) – 2

            CANADA (CANADÁ) – 1

            UK – UNITED KINGDOM – 2

            SLOVENIA (ESLOVÊNIA) – 1

            SLOVAKIA (ESLOVÁQUIA) - 1

            HUNGARY (HUNGRIA) - 2

            CROATIA (CROÁCIA) – 1

            CZECH REPUBLIK (REPÚBLICA TCHECA) -1

            ROMANIA (RUMÊNIA) - 5

            SOUTH AFRICA (ÁFRICA DO SUL) – 1

            PORTUGAL – 2

            NETHERLANDS (HOLANDA) - 1

            COLÔMBIA -1

         



Escrito por MaGenCo às 17h04
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Fiquei estupefato. Nunca fora assim. De repente, sou preferência internacional.

“Que fiz eu para virar celebridade?”

 

            Só encontro uma explicação para tal fenômeno: - a matéria sobre Paulo Coelho terá despertado essa afluência maciça.

 

            E chego à conclusão inevitável: - o grande homem goza, mesmo, de prestígio planetário.

 

            Comentários, que é bom, nenhum! As pessoas, lá fora, decerto vêem em destaque seu nome famoso e a foto em que parece estar conectado às esferas do Além e ficam alguns minutos a contemplá-la, quem sabe na esperança de captar a fórmula secreta desse vínculo que é privilégio exclusivo dos iniciados. Durma-se com um barulho desses!

 

            Daí a razão do meu subseqüente apelo em inglês para que se manifestem. Mas é inútil. Parecem todos mudos. Cristalizados...

 

                 MARIO GENTIL COSTA

 

 

 



Escrito por MaGenCo às 17h00
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I WOULD LIKE  TO LET MY FOREIGN VISITORS KNOW THAT I CAN READ AND WRITE IN ENGLISH. OR SPANISH AS WELL.

SO, DON’T HESITATE TO SEND ME YOUR EVENTUAL COMMENTS, MAINLY ABOUT MY PAINTING AND SCULPTURE (WOOD-CARVING).

OF COURSE, IF YOU DON’T SPEAK OR UNDERSTAND PORTUGUESE, MY WRITTINGS WILL NOT BE AVAILABLE TO YOU.

CONSIDERING MY NATURAL AND INEVITABLE LIMITS, I WOULD ONLY ASK YOU TO AVOID RARE OR UNUSUAL WORDS.

SO, DON’T BE AFRAID. WRITE ME! IT WOULD BE A GREAT PLEASURE TO CHAT WITH YOU ALL. THANK YOU VERY MUCH !!!

MARIO GENTIL COSTA = MaGenCo (http://magenco.blog.uol.com.br)



Escrito por MaGenCo às 15h54
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"RIVIERA" - ACRÍLICA SOBRE TELA - REPRODUÇÃO DE FOTOGRAFIA DO ORIGINAL, CUJO AUTOR SE CHAMA MEZA - QUADRO DE MINHA FASE FIGURATIVA, PINTADO EM 1990 e CONSIDERADO COMO UM ESTUDO-TREINO - MaGenCo



Escrito por MaGenCo às 15h51
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"FÓSSIL" - TRABALHO MEU DE 1990. TÉCNICA MISTA SOBRE PLACA. MaGenCo



Escrito por MaGenCo às 15h48
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CAROS AMIGOS, NÃO SE PREOCUPEM SE MEU BLOGUE CUSTAR UM POUCO A ABRIR. A DEMORA SE DEVE, SEGUNDO FUI INFORMADO, AO EVENTUAL EXCESSO DE IMAGENS QUE CONTÉM. MAS, POR FAVOR, NÃO DESISTAM. MINIMIZEM O COMANDO E, ENQUANTO DÃO UM PULO À GELADEIRA, ELE ABRIRÁ. GRATO. MaGenCo



Escrito por MaGenCo às 15h45
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CARO VISITANTE, SE VOCÊ QUISER FAZER COMENTÁRIOS SOBRE AS MATÉRIAS AQUI PUBLICADAS E, POR QUALQUER RAZÃO, NÃO SE SENTIR À VONTADE PARA INSERI-LOS NO PRÓPRIO BLOGUE, POR FAVOR, DIRIJA-SE DIRETAMENTE A MIM PELO ENDEREÇO MAGENCO@TERRA.COM.BR OBRIGADO E UM ABRAÇO. MaGenCo




Escrito por MaGenCo às 15h43
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MENORAH, O CANDELABRO QUE IDENTIFICA OS JUDEUS. PROCURO UM,  DE PREFERÊNCIA COM SETE PONTAS, PARA DECORAR MEU ESCRITÓRIO, POIS TENHO REMOTAS ORIGENS SEFARDITAS. ABRAÇO DO MaGenCo



Escrito por MaGenCo às 15h40
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A MORTE DO PORTUGUÊS

 

        

Assisti à conferência de um filólogo espanhol, que após fazer uma análise da expansão da língua espanhola no mundo, afirmava que, ao longo do terceiro milênio, restarão em uso no planeta apenas quatro línguas: o inglês, o espanhol, o árabe e um idioma que chamou de "chino", abrangendo uma fusão das línguas ideogramáticas orientais. Todas as outras, a seu ver, serão tragadas e, ao final desse período, seu uso se restringirá a pequenas regiões sob a forma de dialetos em franca deterioração.

Penso que mil anos é um período muito longo para adivinhações taxativas. É verdade que o espanhol é praticado por trezentos milhões de pessoas na Espanha e na América Latina. Mas o Brasil, sozinho, já tem quase duzentos milhões de habitantes, que, somados aos de Portugual e suas ex-colônias, representa um contingente quase igual.

Além disso, apenas na segunda metade do século XX, línguas importantes, como o alemão e o francês, deixaram de ser ensinadas nos colégios brasileiros e, supostamente, no resto do mundo, por meras razões geopolíticas e geoeconômicas. Porém, tal situação está se invertendo com a União Européia, e é inegável a recuperação de seu prestígio, a julgar pela crescente oferta de cursos em todo o Brasil e, creio, nos demais países do ocidente. Quem pode predizer até que ponto essas importantes línguas não reaverão o prestígio perdido?

         Em outras palavras, acho ousada a profecia do filólogo espanhol. Concordo que sua língua é rica e importante, mas duvido que apenas ela e as outras que citou cobrirão o planeta.

Escrito por MaGenCo às 20h27
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   Admito que, no atual milênio, haverá um grande desenvolvimento das línguas orientais, sobretudo do idioma japonês; acho que o inglês seguirá sendo a língua mais falada, pelas razões óbvias. Mas questiono sobre a aludida fusão sino-nipônica e suas afins, e deixo a cargo do leitor opinar sobre a morte irremediável do português.

         E, se isso acontecer, terá sido cometido um assassinato lingüístico injustificável com uma das mais belas línguas da Terra. Sim, porque garanto aos meus compatriotas: nossa língua é incomparável. Nós é que, em nosso eterno complexo de país do terceiro mundo, insistimos em mal usá-la distorcendo-a e contaminando-a com tantos neologismos importados, alguns até ridículos e desnecessários.

Não são raras as ocasiões em que, em contacto com turistas dos países vizinhos, noto o prazer que sentem em nos ouvir, especialmente se falamos bem. Eles não se cansam de apreciar a extraordinária musicalidade do linguajar brasileiro.  

          Por isso, não deixemos que aconteça o que vaticinou o presunçoso filólogo. Não deixemos que o espanhol nos absorva. Temos de preservar uma exclusividade que nunca soubemos cultivar: - somos o maior país da América Latina e o único que goza do privilégio de não falar espanhol. Nem temos consciência disso, mas no fundo, lá no fundo, eles é que têm inveja de nós. Pois cultivemos essa rara prerrogativa!

          Não deixemos morrer o português!

 

        

 

Mário Gentil Costa



Escrito por MaGenCo às 20h25
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PAULO COELHO,

O ILUMINADO

 

Desde abril de 2005, quando li “O Zahir” e, no ano anterior, “À Beira do Rio Piedra, sentei e chorei”, venho sufocando o desejo de escrever sobre Paulo Coelho.

Antes de qualquer outra consideração, quero me justificar: não li esses livros porque esperasse encontrar neles algum tipo de fruição ou estivesse à cata de valores literários concretos; li-os preconceituosamente, confesso, porque já conhecia a temática do autor e esta não me interessa. O que eu queria, mesmo, era achar ali argumentos sólidos para sustentar minha suspeita, afinal confirmada, de que ele não vale a pena. Em suma, não queria dizer o que alguns dizem jocosamente: não li e não gostei.

 

         E por que silenciei todo esse tempo? Confesso que por um certo prurido. Questão de cautela ou medo de ser incompreendido, até mesmo visto como invejoso. Afinal, também escrevo e, sob este estrito ponto de vista, sou seu ‘colega’. Em geral, é aceito que colegas, em qualquer área da atividade humana, devem obedecer a certas regras, e entre essas, a mais comezinha é não maldizerem um ao outro. Isso é tarefa dos críticos literários, que, em tese, por não competirem no mesmo mercado, estão mais à vontade para analisar livros e seus autores.

Escrito por MaGenCo às 18h25
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Até que descobri o pulo-do-gato: eu nunca fui seu colega, como, de resto, não são seus colegas os grandes escritores brasileiros. Melhor ainda, ninguém compete com ele. Existe, isso sim, da parte desses, um silêncio consentido, uma espécie de acordo tácito, sobretudo a partir do dia em que o indigitado alçou-se à condição de imortal da ABL. Aí mesmo, todo mundo calou a boca; não é boa política menoscabar um vencedor que goza de popularidade na mídia, ainda que ele seja uma fraude. Pareceria despeito. Embora se saiba que ninguém o leva a sério. Ou vocês acham que seus pares de fardão o levam? Tiveram, isso sim, de engoli-lo, tamanha a pressão que sofreram para acolhê-lo sob o mesmo teto. Claro, alguns, que ali estão, também não merecem a honraria e sabem disso. Afinal, quem são Fulano e Beltrano para desprezá-lo? Mas não citemos nomes, pois estaríamos exagerando na dose. Limitemo-nos, pois, ao nosso grande best-seller mundial.

O que desencadeou minha decisão de escrever, foi a reportagem que li na Revista Veja de 27 de setembro de 2006, na qual se conclui que ele ‘é um fenômeno’. Um mago. Um fazedor de milagres. Afinal, um escritor brasileiro que conta mais de 75 milhões de livros traduzidos e vendidos em 150 países, tem de ser um fenômeno. E fenômenos são merecedores de análise ou estudo.

        Pois bem. O que é Paulo Coelho? Um escritor de verdade? Não! Mil vezes não!! Paulo Coelho é, no máximo, um exímio mercador de livros. Um genuíno marqueteiro, que descobriu um filão lucrativo e explora com astúcia magistral a insegurança existencial das massas.

Escrito por MaGenCo às 18h21
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As palavras que seguem não são minhas ; são do articulista da Veja, Jerônimo Teixeira, até onde me consta, a primeira voz desassombrada que se alevanta para dizer a verdade:

“Paulo Coelho não é apenas mais um mau escritor; Paulo Coelho é um péssimo escritor. Seu obscurantismo é nocivo. Não se deve perdoá-lo pelo sucesso.”

E prossegue o articulista:

“O lançamento da ‘Bruxa de Portobello’ (...) não passa de (mais) um veículo oco para os slogans idiotizantes do autor. A narrativa é confusa e mal estruturada (...). A linguagem é uma sucessão de lugares-comuns (...), imprecisões pronominais e confusões de tempo verbal, para não falar em redundâncias escandalosas, como ‘termina acabando’. O leitor de Paulo Coelho talvez não se importe com esses defeitos formais. A ‘mensagem’ do autor estaria em algum lugar do além, preservada da oligofrenia de sua prosa. Disfarçada em conversa pseudofeminista, ‘A Bruxa de Portobello’ traz uma apologia descarada do curandeirismo e da irracionalidade.”

 

Agora sou eu que digo e assino embaixo: embora Paulo Coelho use pessimamente a pontuação, sobretudo a vírgula – que confunde com ponto e até com ponto-e-vírgula – ele não está sozinho; tem a inocentá-lo nomes famosos, até prêmios Nobel como o português José Saramago, e outro brasileiro ‘imortalizado’, que se chama Carlos Heitor Cony. E o pior, o mais grave, é que esses nomes, por terem tanto prestígio, servem de parâmetros para uma multidão crescente de escritores que, escudados nesse relaxamento pontual ou por incompetência insuperável, estão fazendo a mesma coisa, cometendo os mesmos erros. Isso deseduca o leitor menos crítico e contribui para o achincalhe ainda maior da boa literatura que, em geral e com exceções, se pratica neste país.

 

          Mario Gentil Costa



Escrito por MaGenCo às 17h48
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EPICURO, O GÊNIO IGNORADO

 

     Lembro hoje uma figura muito antiga e sábia. Refiro-me a Epicuro - 342 a.C. a 270 a.C. - filósofo grego. Sua doutrina consistia em fugir da dor e cultivar a amizade, o senso crítico e os prazeres moderados para alcançar a sabedoria e a felicidade; um estado de bem-estar físico e mental que chamou de “Ataraxia”.

Ele teve a vida narrada por Lucrécio no poema “De Rerum Natura” (Da natureza das coisas).

Eis um resumo dos seus ditos:

“Não há distinção de classes no reino do saber”.

“O Universo resulta de ‘tijolos infinitesimais’ que se movimentam através do espaço.

“Não pode haver nada semelhante ao nada”.

“A Natureza não veio do nada e não pode deixar de existir porque se transformaria no nada”.

 “A soma da matéria do Universo permanece a mesma”. (Isto foi dito 2.200 anos antes que Lavoisier cunhasse sua lei eterna).

E ele continua:

 “Os átomos se movem eternamente pelo espaço infinito. Ao fazê-lo, colidem e se conjugam nas estrelas e nos planetas”.

“Têm os átomos pesos, formas e tamanhos diferentes, razão da variedade de substâncias que há na natureza”.

“No Universo, há mundos vastos e maravilhosos. Não somos a única pedrinha no infinito. Porque, em condições iguais, os átomos fazem mesmas combinações. Todo esse movimento é espontâneo”.

“Não tiveram os deuses interferência em nossa criação e são indiferentes ao nosso destino”.

   “Nenhum Deus faria um menino resistir a uma doença para mandá-lo, depois, à morte na guerra”.

Escrito por MaGenCo às 19h06
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“Religião não é sacrifício ou medo. É, antes, a contemplação da natureza com o espírito atento e sereno”.

“A combinação dos átomos deu origem à matéria que fez as árvores e as flores, as feras e os homens”.   

“Esses mesmos átomos geraram poetas como Homero e cientistas como Demócrito por meio de tentativas e erros; pela gradual transformação de formas grosseiras em formas melhores; pelo desaparecimento dos incapazes e a sobrevivência dos mais aptos. Em suma, pela evolução”. (Lembre-se, leitor, que isto foi dito 2.300 anos antes de Darwin). 

     “O homem foi o último animal a aparecer. Ameaçado por feras, porém inteligente, refugiou-se em cavernas. Criou instrumentos de defesa e de sobrevivência. Desenvolveu a fala e a convivência. Fez trocas de bens e idéias. Criou o comércio. Inventou a agricultura e, abandonando a vida nômade, fixou-se em comunidades”.

“A morte é o fim da nossa existência. A alma, como o corpo, é um composto de átomos. Nascida com o nascimento, morre com a morte”.

“Fora do corpo, não há pensamento nem sensação. Nem memória nem vida”.

“Tratai os outros como quiserdes que vos tratem. Vivei e deixai viver”.

“Fazei da amizade uma religião. Porque ela é o maior dom que herdamos e nosso melhor vínculo com a vida”.

Epicuro foi um profeta da ciência e do saber. Coloco-o entre os maiores cérebros que a humanidade produziu. E afirmo que só não teve a fama de Platão e Aristóteles porque sua filosofia não interessava à teologia católica.

        

Mário Gentil Costa



Escrito por MaGenCo às 19h04
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      CLODÔ

 

 

VEJAM QUE BARBARIDADE! BRASILEIRO MERECE MESMO É PORRADA, SOBRETUDO PELO DESPLANTE DE VOTAR NO CLODOVIL. MAIS UM PARA ENGROSSAR O CORDÃO DOS INÚTEIS, QUE SÓ QUEREM SE LOCUPLETAR.

 

Palavras do Clodô em Buenos Aires: – “Aqueles que votaram em mim se enganaram. Posso votar pró-governo por dinheiro.”

 

Terceiro deputado federal mais votado em São Paulo, com quase meio milhão de votos, Clodovil Hernandes, 70, do PTC (Partido Trabalhista Cristão), admitiu em reportagem publicada pelo jornal argentino "Perfil", que pode aceitar dinheiro para votar a favor do governo quando estiver no Congresso. Ele já havia dito que não tinha programa político para o seu mandato.

 

"Vou aprender com os políticos experientes, mas eles não me ensinarão a roubar porque eu, por pouco, não vou me sujar. Tudo dependerá de quanto me ofereçam para votar os projetos do governo" - afirmou.

Questionado sobre qual seria o seu preço, respondeu:

"Cada um pesa o dinheiro em sua própria balança. Eu não resolverei os problemas de ninguém. Aqueles que votaram em mim acreditando que eu iria solucionar os seus problemas se enganaram. Isso é uma bobagem digna de quem foi mal colonizado".

 

Disse ainda não vai massacrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "porque ele é um anormal que não raciocina bem; que se compara a Jesus" e que não pretende ser "o herói dos pobres".

 

"Não me interessa ser aplaudido por um mendigo que nada entende porque não tem o que comer. Quero que me aplaudam os que têm os neurônios bem alimentados."

 

Clodovil também comentou sobre seu possível reencontro em Brasília com a ex-prefeita Marta Suplicy (PT), um de seus desafetos:

"O que Marta Suplicy vai fazer em Brasília? Por acaso vai passar nossa roupa? De qualquer maneira, Lula não será reeleito nem por decreto."

 

COMENTÁRIO DO MEU IRMÃO ALOYSIO GENTIL COSTA:

Apesar de ainda nem estar diplomado, Clodovil já está sacudindo suas plumas por aí... Acaba sendo cassado logo de cara. Dá pra  imaginar o estrago que não  vai fazer no Congresso? Bem, na verdade, aquilo lá já não passa de uma arca de Noé. Quanto à predileção de quase meio milhão de paulistas, há alguns anos, também mereceu "lúcidos" e numerosos sufrágios o Cacareco - um rinoceronte. E, no Rio de Janeiro, igual aplauso popular teve o Macaco Tião. Então, tá tudo explicado! Cabe como luva a frase atribuída a Deus, quando, ao concluir a "obra da criação", indagado quanto à justiça de dotar o Brasil de tantas riquezas em comparação com as outras terras:

- "É, mas  vocês vão ver o povinho que eu vou botar lá..."

 

Tá aí o Luiz Inácio - "o salvador" -  que há quatros anos "mereceu" mais de 52 milhões de votos...



Escrito por MaGenCo às 10h19
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SEBO ou ALFARRÁBIO

 

No sentido original, “sebo” é graxa, gordura animal, material usado na fabricação de velas. Na linguagem vulgar paralela, é uma “casa que vende livros usados, um alfarrábio”. Este segundo significado é o que me interessa e me atrai. Sou um freqüentador de sebos. Gosto de fuçar ali. Dá trabalho, e a busca, não raro, é infrutífera; nesse lugar, dificilmente se acha o que se procura, mas, com freqüência, volta-se com alguma peça valiosíssima, que não se buscara.

Desconfio de que a palavra ‘sebo’ advenha da idéia de que o livro usado, supostamente, passa por diversas mãos e vai ficando ensebado, engordurado. Mas há o caso de livros encontrados em sebos, que nem foram abertos. Decerto, provêm de gente que não gosta de ler ou do espólio de alguém cujos descendentes ou familiares não gostam de ler e consideram uma biblioteca doméstica nada mais que um ninho de traças ou um trambolho a ocupar espaço melhor aproveitado com algo mais ‘nobre”, como, por exemplo, o telão de um televisor que mostre a cores os Ratinhos, Faustões ou Gugus da vida brasileira...

Há pouco tempo, numa dessas incursões aleatórias, topei com uma brochura em perfeito estado, que arrematei por uma ninharia. Pois bem: foi dos melhores estudos que li sobre um assunto do meu interesse. Tanto assim que não resisti e, no lugar da dedicatória, escrevi o seguinte:

         “Comprado num sebo. Coitado do seu primeiro dono! Não gostaria de conhecer tal pessoa...”

         Existe a passagem, de muitos conhecida - e que, por isso mesmo, deve ser folclórica - de um escritor, sistemático freqüentador de sebos, que teve o desgosto de achar, perdido numa prateleira em que só havia lixo literário, um livro de sua autoria com a respectiva dedicatória: “A meu querido amigo Fulano de Tal, com a esperança de propiciar-lhe momentos de fruição e bem-estar, o caloroso abraço do Sicrano.”

         O choque que experimentou ao ver sua obra assim desprezada deixou-o furioso. Mas contendo-se, nada disse ao vendedor e a arrematou. Em casa, mais calmo, acrescentou à dedicatória: “Conceda-me o prazer e o privilégio de fazer voltar-lhe às mãos esta jóia rara, que, por mera distração, foi parar num sebo”. E assinou mais uma vez. É fácil imaginar a cara do destinatário e o embaraço daí resultante. A primeira lição a extrair dessa passagem é que ‘livro com dedicatória não se vende’...

         Escrevi tudo isso porque hoje, passando num sebo, comprei, a R$ 5,00 cada, dois clássicos de finíssima encadernação: um volume com contos de Tchekhov e ‘A Morte do Caixeiro Viajante’, de Arthur Miller. Suponho que, para ter sua margem de lucro, o livreiro tenha pago, no máximo, R$ 2,00 por cada volume.

Só consigo perdoar a pessoa que os vendeu se me provar que está na mais extrema miséria. Caso contrário, ela não tem perdão...

 

         Mario Gentil Costa

 

              AINDA SOBRE O SEBO:

           O ARTIGO ‘SEBO OU ALFARRÁBIO’ MERECEU UM CURIOSO APARTE DO LEITOR LINDOLFO, UM JOVEM ESTUDIOSO QUE, SINTONIZADO, NOS TROUXE A SEGUINTE EXPLICAÇÃO COMPLEMENTAR:

           “MARIO, CERTA VEZ, OUVI DIZER QUE O TERMO ‘SEBO’ TAMBÉM DECORRE DO FATO DE OS LIVROS MAIS ANTIGOS TEREM SIDO LIDOS E MANUSEADOS À LUZ DE VELAS E FICAREM MARCADOS POR UMA PROGRESSIVA CAMADA DE PARAFINA”.

           ACHO QUE, SOMADA À NATURAL GORDURA DAS MÃOS DE MUITOS USUÁRIOS, A 'TEORIA DAS VELAS' É MAIS QUE PLAUSÍVEL.

           OBRIGADO, LINDOLFO.

 



Escrito por MaGenCo às 17h20
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A VÍRGULA

 

A vírgula, se mal usada, pode tornar o texto ininteligível. Não tenho titulação para entrar em minúcias acadêmicas; diria até que manejo a pontuação mais “por ouvido” que por conhecimento, embora saiba o suficiente para sentir que alguns “modernos” a estão desrespeitando como supérflua, e isso tem gerado uma verdadeira bagunça literária.

        Reproduzo, abaixo, trechos de dois autores. Em seguida, faço (entre parênteses) os reparos que merecem. Ao final, dou seus nomes famosos; o leitor, que é meu alvo, saberá me julgar e, sobretudo, entender minha intenção construtiva.

Escrito por MaGenCo às 21h11
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Primeiro autor:

            “Pouco depois conheci uma paulista de Ribeirão Preto, moça modesta mas com boa formação intelectual, devo a ela o estímulo que me fez reiniciar as pesquisas que fui acumulando para a defesa de minha tese. Com o tempo, criamos uma rotina, ela vinha passar os fins de semana comigo, nunca me forçou a assumir a nossa relação, era carinhosa, afeiçoei-me a ela”.

      

        Como eu escreveria o mesmo trecho:

                        “Pouco depois(,) conheci uma paulista de Ribeirão Preto, moça modesta(,) mas com boa formação intelectual(.) Devo a ela o estímulo que me fez reiniciar as pesquisas que fui acumulando para a defesa de minha tese. Com o tempo, criamos uma rotina(:) ela vinha passar os fins de semana comigo(;) nunca me forçou a assumir a nossa relação(.) Era carinhosa (e) me afeiçoei a ela”.           

 

Segundo autor:

              Pensou ela que já bastava de uma vida a limpar e a lavar palácios, que tinha chegado a hora de mudar de ofício, que lavar e limpar barcos é que era a sua vocação verdadeira, no mar, ao menos, a água nunca lhe faltaria.”

        

        Como eu escreveria o mesmo trecho:

             “Pensou ela que já bastava de uma vida a limpar e a lavar palácios(;) que tinha chegado a hora de mudar de ofício(;) que lavar e limpar barcos é que era a sua vocação verdadeira(.) No mar, ao menos, a água nunca lhe faltaria”.

        Veja a diferença entre as pontuações originais e as minhas. E sinta como o texto fica claro com a substituição das vírgulas mal usadas pelos pontos finais que encerram certas frases, ou pelos pontos-e-vírgulas que separam duas frases correlatas, porém independentes.



Escrito por MaGenCo às 21h09
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            Agora, para sua surpresa, conheça os nomes dos dois imortais:

                      Primeiro autor: CARLOS HEITOR CONY

                   Fonte: “Romance Sem Palavras”

                   Página 71 – Parágrafo 3

                   Editora Companhia das Letras

     

       Segundo autor:  JOSÉ SARAMAGO

                   Fonte: “O Conto da Ilha Desconhecida”

                   Página 24 – Parágrafo único – Quarta linha

                   Editora Companhia das Letras – 13ª. Impressão

           

       Se quisesse, disporia, nas mesmas fontes, de centenas de impropriedades semelhantes. Com este desabafo, espero ter contribuído para aprimorar seu senso crítico e preveni-lo de que não basta um nome famoso para dar a um autor o direito de desrespeitar o uso correto da pontuação em nome de experimentalismos gramaticais inúteis, que só servem para deseducar o leitor. A menos que ele a desconheça, e não duvido de que seja esse o caso... tamanha é a quantidade de erros nos citados livros...

 

       Existe um terceiro autor que está fora do alcance de qualquer correção. Mas esse é incompetente mesmo. Seu nome é Paulo Coelho...       

        Mario Gentil Costa

 

 



Escrito por MaGenCo às 21h03
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CONSTANTE COLETIVA

 

 

           Constante Coletiva é um fenômeno que existe – sempre existiu na natureza – mas não tinha nome. É, pois, um neologismo criado para discutir um aspecto do comportamento das coisas e das pessoas; algo que acontece todo dia e que, comumente, é confundido com destino ou fatalidade. Mas nada tem a ver com isso. É, simplesmente, a lei das probabilidades, um fenômeno puramente estatístico, não linear, impessoal e coletivo. É a lei que rege os fatos e seus aconteceres. Abrange tudo e todos e sempre se repete, com uma regularidade quase cansativa. Mas é explicável; nada tem de misterioso – muito menos de sobrenatural.

          Basta, pois, de definições ou justificativas; vamos a dois exemplos práticos e simples para consolidar a idéia.

Você mora num prédio. Nele, por dia, descem e sobem pelo elevador, digamos, 300 pessoas. Você, por suposto, é umas delas. Claro, trabalha, tem compromissos na rua, ou seja, você vai e vem. Tantas vezes quanto for necessário. Digamos que, nessa lida, você ocupe seu elevador quatro vezes por dia, em média. Você o faz por vontade própria, quer dizer, por livre-arbítrio. Ninguém o obriga a subir ou descer. Mas já reparou que não encontra sempre as mesmas pessoas ali. Umas, encontra mais. Outras, menos. Mas sempre as mesmas, nunca! E por quê? Porque elas também têm vontade própria, livre-arbítrio, interesses, compromissos e horários diferentes. É verdade que todas estão ali porque querem. Ninguém as obriga. Mas, ao final de um dia normal, a regra se cumpriu: - desceram ou subiram cerca de 300 pessoas.

         Vejamos outro exemplo:

No ano passado, morreram, digamos, 120 pessoas no trecho sul da BR-101. Mantidas as atuais condições, se o número de carros for mais ou menos o mesmo; se não houver mais disciplina ao dirigir; se o asfalto não for recapado; se a pista não for duplicada etc, morrerão, neste ano, mais ou menos, 120 pessoas. É inevitável. Se aumentar o número de usuários, as cifras aumentarão na mesma proporção. É a constante coletiva atuando mais uma vez. Não há como escapar ao risco, exceto não viajando nessa estrada.

Nada é pessoal, pré-destinado, estigmatizado individualmente por alguma força sobrenatural. Não há destino individual. Muito menos castigo. Não passamos de meros joguetes na mão de uma estatística de proporções cósmicas. Somos apenas um número num total imenso.

Mas, como temos a pretensão de ser especiais, nos sentimos mais que isso. Acreditamos ser as figuras centrais do espetáculo do universo, merecedoras de prerrogativas exclusivas por parte de forças superiores que nos observam e determinam nossos caminhos, nossos méritos e nossa sorte. A verdade, contudo, é que não somos mais que partes ínfimas e inexpressivas de um todo absolutamente indiferente.

É isso que faz o mundo, que faz a vida, que faz a natureza. Tudo obedece, por querer ou sem querer, à lei das probabilidades, à constante coletiva. Portanto, não há destino, sorte ou azar. E o resto é conversa fiada.

 

          Mario Gentil Costa

Escrito por MaGenCo às 20h17
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EXEMPLAR CLÁSSICO DO DATILÓGRAFO, HOJE PEÇA DE MUSEU, QUE REVOLUCIONOU A IMPRENSA E, DURANTE DÉCADAS, FOI A INDISPENSÁVEL FERRAMENTA DE TRABALHO DE ESCRITORES E JORNALISTAS E SÓ RECENTEMENTE CEDEU ESPAÇO AO COMPUTADOR COM SEU TECLADO ELETRÔNICO.

UM ESPÉCIME EXTINTO

 

            Entre as tantas espécies extintas ou em vias de extinção ao redor do planeta, uma se destaca no dia-a-dia de quase todos nós: - a máquina de escrever.

Este assunto, que não constitui novidade e muito menos é motivo de discussão, me veio à mente ao deparar, numa publicação local, com a fotografia de uma página datilografada, original do clássico de Guimarães Rosa, “Grande Sertão: Veredas”.

À época, já em pleno século XX, era o que de melhor se poderia obter, porque não se espera que um autor cioso da qualidade do seu texto, como era o imortal romancista, satisfizesse seu alto grau de exigência na primeira tentativa e, diante do exaustivo trabalho de redigir tudo de novo, hesitasse em rasurar palavras, frases ou parágrafos inteiros para substituí-los por coisa melhor.

Fico, todavia, imaginando a disposição de ânimo com que os responsáveis pela editoração e, em última análise, os tipógrafos ou linotipistas – pois naquele tempo os recursos não eram outros – enfrentavam a tarefa de interpretar as caprichosas correções manuscritas introduzidas pelo autor através de riscos, borrões, setas tortuosas, intercalações em V, complicadas curvas de transposição de palavras e demais artifícios ao sabor de seu jeito pessoal, para, finalmente, limpar tudo aquilo sem cometer novos erros.

            Empilhemos, agora, essa aludida página entre suas similares igualmente corrigidas e teremos à nossa frente o conjunto de um livro robusto em vias de ser impresso. Não custa conceber quantas vezes o próprio autor, para desespero do humilde operário, voltou à gráfica da editora de calhamaço em punho e com novos adendos ou supressões. É fácil até fantasiar a incontida reação do pobre homem ao vê-lo entrar na oficina barulhenta, com seu terno escuro, colete e expressão sisuda. Sem dúvida, dizia a seus botões:

            “T’aí esse chato de novo...”

            Recuemos um pouco mais. Voltemos ao tempo em que tudo era manuscrito e consideremos ainda as diferenças e a qualidade da caligrafia de cada um dos escritores. Era, provavelmente, o caos impenetrável, a babel em garranchos.

            Veio a máquina de escrever e sistematizou tudo. Deve ter sido um avanço enorme, sem precedentes. Algo como um derradeiro e definitivo passo após o qual “nada de novo poderia ser acrescentado”.

            Pois bem, para colocar um contraponto nisso que seria mais uma das tantas verdades transitórias com que o ser humano comemorou e aplaudiu cada passo do progresso, temos hoje a nosso dispor essa engenhoca incrível – o computador – algo que também nos parece insuperável e que, entretanto, dentro em breve, estará obedecendo ao comando da voz.

            Mas que por enquanto, de maneira impiedosa e implacável, sepultou para sempre a Remington 11 que guardo em minha estante, testemunha e companheira fiel de uma era relativamente recente e que me ajudou a produzir meus primeiros textos tão modestos.

            Olho-a de relance, empoeirada e silenciosa, com um misto de gratidão e pena, mas sem qualquer resquício de saudade.

            E, diante de tanto conforto e limpeza, fico conjeturando com que alegria o grande Guimarães escreveria hoje...(?)

 

            Mario Gentil Costa  



Escrito por MaGenCo às 19h30
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... RETICÊNCIAS...

    À medida que mais escrevo... cartas, crônicas, contos e, porventura, algum outro alfarrábio mais audacioso..., avolumam-se também as minhas reticências... Cada vez as uso com mais liberdade e maior frequência... diria mesmo, com mais coragem...

 

Pois bem, caro leitor..., deixe-me dizer-lhe por quê... antes que alguém menos generoso e mais precipitado... consinta em descer de sua cátedra... para vir desancar-me o pau.

 

Em primeiro lugar, uso-as porque gosto...; gosto imensamente. E tenho esse direito. Digo mais...: acho que a maioria as usa com absurda economia, com excessiva parcimônia. Acho também que sua utilidade ainda não foi devidamente explorada. Decidi, então, fazê-lo eu próprio, pois, segundo creio, favorecem o entendimento do texto, especialmente se lido em voz alta.

Estou absolutamente convencido disso...

 

Já observei repetidas vezes que as pessoas me lêem melhor... com a entonação exatamente igual à que imaginei ao redigir... quando topam com reticências bem colocadas... como se soassem qual vírgulas de efeito prolongado... pausas maiores... momentos de silêncio iguais a estes que você acaba de fazer ao ler esta frase. Elas dão uma gostosa musicalidade à leitura, tornando-a mais atraente e menos cansativa. E uma simples vírgula nem sempre consegue o mesmo resultado; é curta demais...

 

Por outro lado... acho que acrescentam um belo componente visual à página escrita, atenuando-lhe a aridez com os intervalos que criam... além de, muito provavelmente, atraírem os olhos preconceituosos do leitor indeciso.

 

Sei que há outras maneiras de criar silêncios... entre eles o costumeiro travessão – que, confesso, nunca me agradou muito – embora use vez por outra. As reticências ficam, então... pelo menos na minha preferência pessoal... como uma alternativa para gerar um pouco mais de beleza e exercer maior poder sugestivo sobre a mente do leitor... ao atuar diretamente no seu subconsciente e... de certa forma... tornar mais imediata... mais automática... mais reflexa... sua decisão de ler... de não desistir à primeira vista.

 

E elas ainda têm o mérito de... bem usadas... agirem como sofisticadas entrelinhas... menos abstratas e... ao mesmo tempo... igualmente evasivas e indefinidas... excitando a imaginação de quem lê e se põe a pensar... 

Outros artifícios... parágrafos curtos e bem distribuídos... o uso correto e oportuno dos adjetivos... que tanta beleza dão à frase... o texto fluente... de leitura fácil e compreensível... o título bem escolhido... que chama a atenção do leitor e lhe acena com a perspectiva de encontrar... logo abaixo... um assunto interessante... com mensagem e conteúdo... são os segredos fundamentais que tornam atraente uma matéria de jornal.

 

O problema está... justamente... em conseguir juntar tudo isso... principalmente quando se está sem inspiração e... ainda assim... ser capaz de trazer os olhos do leitor até aqui...

Mas... se para você não foi difícil... pra mim foi uma honra e um prazer... e... por favor... dê uma olhada no texto... veja como ficou bonito... cheio de espaços... e me desculpe se abusei um pouco...

 

        Mário Gentil Costa



Escrito por MaGenCo às 09h54
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"TRÍPTICO" - TRABALHO MEU DE 1987 - TÉCNICA MISTA SOBRE PLACA PRENSADA - ASSINADO NOS QUATRO CANTOS PORQUE VALE EM QUALQUER POSIÇÃO. MaGenCo



Escrito por MaGenCo às 20h20
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CARNIÇA

 

            Tão logo morre um ‘imortal’ e já existe uma dezena de candidatos à sua cadeira na Academia Brasileira de Letras.

Imagine-se a cena tétrica de dez abutres farejando a carniça para se apossar dos despojos. É a chamada luta “encarniçada” que bem define a sofreguidão dessa gente pelo manto da imortalidade, que rende prestígio e leitores, mesmo que à custa do desrespeito.

        Sempre tive comigo a idéia de que a honra de pertencer a uma academia de letras deveria partir de convite formal da própria instituição, que, em reunião formal de seus pares, elegeria aqueles que de fato merecessem. E nunca a partir de auto-indicações, auto-candidaturas em que, sobretudo, prevalece a presunção do juízo em causa própria daqueles que buscam muito mais a fama e as conveniências do que a certeza do próprio merecimento e o genuíno propósito de contribuir para a grandeza da entidade e da literatura em si.

        E também acho que os critérios deveriam ser mais rigorosos, quando, “para concorrer, basta ter uma obra literária publicada”. Isso é muito pouco para avaliar os méritos de qualquer candidato. A seleção deveria ser mais rigorosa, até mesmo quanto ao tipo de publicação, para evitar que indivíduos sem qualificação ocupassem a vaga de verdadeiros literatos.

        Sei de gente, por exemplo, que, escreveu um único livro técnico, na área médica e, mesmo assim, na ânsia incontida do privilégio imorredouro, candidatou-se e foi eleito. Por falta de coisa melhor? Talvez. Mas, no fundo, bem lá no fundo, imperou a conquista a qualquer preço do pódio que doura a pílula da mediocridade; que enriquece, de modo indevido, senão comprometedor, o currículo de uma vida dedicada às aparências.

         Infelizmente, o que predomina é a grande verdade que há tempos descobri e que, na maior parte dos casos, preside as atitudes humanas: existe um velado conflito interior que faz o homem preferir as aparências. O que vale é ser famoso a qualquer custo.

Há pessoas que não se conformam com o anonimato, a rigor mais prazeroso e confortável do que a fama e a glória imerecidas. São raros aqueles que já entenderam isso. São raros os que descobriram que é preferível viver à sombra protetora do descompromisso.

        Para alguns é muito duro, dada a sua exacerbada e patológica autoestima, conviver com o ostracismo voluntário. São vítimas de uma necessidade mórbida e compulsiva de se impor, mesmo que ao preço dos gracejos e da zombaria alheia.

Há pessoas que se debatem espasmodicamente na luta constante entre o desejo de parecer importante e a incômoda certeza de não ter importância alguma. E ficam, depois de eleitos, a destilar – por não poderem ser diferentes de si mesmos – sua inevitável mediocridade.

 

         Mario Gentil Costa

Escrito por MaGenCo às 18h46
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fetopecador

MAIS UMA DO BENTO

 

 

Não bastasse o despautério recente de polemizar com muçulmanos e pôr em risco a segurança dos turistas e o patrimônio artístico do Vaticano, agora o papa Bento XVI ressurge na mídia com outro despropósito: abolir o Limbo.

Ah, o Limbo!! Me lembro! Mas essa extravagância ainda vigorava?

Resta, então, perguntar:

“E agora, Santidade? Pra onde irão os milhões de criancinhas que lá descansavam na sua inocência indiscutível, desde que Agostinho e Tomás de Aquino sacramentaram e o papa Pio X confirmou esse lugar de meia bem-aventurança? Como ficarão, assim deserdadas?"

Diz a nota que li no jornal: “Em decisão inédita, o papa Bento XVI deve abolir nesta semana a idéia da existência do limbo. Dessa forma, as almas dos mortos terão apenas três destinos possíveis, segundo a Igreja Católica : paraíso, inferno ou purgatório. De acordo com fontes do Vaticano, a decisão já foi tomada por uma comissão internacional composta de 30 teólogos e deve ser anunciada pelo Papa.”

Tudo isso, em nome do Pecado Original, culpa exclusiva de um casal que nunca existiu. É de morrer de rir; ou de chorar...

E continua o texto, publicado no Diário Catarinense de 5 de outubro:

‘É ali - nesse chamado Limbus Infantium - que ficam as almas de crianças, bebês e fetos(!) (o grifo é meu) que morrem sem o batismo, e todas as pessoas que viveram antes da vinda de Jesus.”

É também ali que estaria, portanto, a alma de um menino índio que nasceu e morreu na selva sem jamais ter ouvido falar de Jesus...

Seria o caso de condená-lo: "Bem feito! Por que não adivinhou e se auto-batizou...?"

- Em resumo, isso significa que todas as crianças que morrem, vão (agora) para o paraíso – disse a fonte ao jornal 'The Times', de Londres.

Essa será uma proclamação de conteúdo canônico, portanto ‘infalível’. Cabe dizer aqui que a ‘infalibilidade’ do papa é dogma e vigora desde o Concílio Vaticano I, em 1870, obtido à custa de votação imposta pelo papa Pio IX e, segundo li, após sucessivos escrutínios até que sua proposição vencesse – mesmo assim numa contagem apertadíssima. Consta que inúmeros cardeais se mostraram contrários e relutaram em ceder às pressões e às cabalas do seu superior. Alguns teriam sido até ameaçados. E assim, Pio IX e todos os seus sucessores se tornaram ‘infalíveis” por obra e graça do Espírito Santo. Isso é fato histórico. Consta nos anais do Vaticano e na literatura leiga acreditada. E agora, com tamanhas credenciais, vem Sua Santidade Bento XVI, ungido de tal prerrogativa, legislar ex-cátedra numa matéria do mais alto interesse para a humanidade infantil: o esvaziamento e a desativação do seu único lugar de repouso eterno, uma espécie de despejo em massa...

Esse papa está me saindo pior que a encomenda. Quer aparecer e entrar para a história a qualquer preço, nem que seja à custa de decretar irrelevâncias e dar mancadas. Não é à toa que ouvi, de fonte limpa, que Bento XVI é uma pessoa “limitada”. No mínimo, seu senso de oportunidade está cada vez mais baixo.

Esperemos para saber qual será sua próxima sentença 'infalível'...  

Mario Gentil Costa

 



Escrito por MaGenCo às 12h50
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PESCADOR

SABEDORIA INTUITIVA

 

O cidadão que entrou no consultório era o típico representante da colonização açoriana. Sua ficha dizia “pescador aposentado”. O nome não importa. Atarracado, pele crestada pelo sol e pela lida no mar. Vincos profundos a cada lado do nariz adunco. Testa baixa, com riscas horizontais. Sobrancelhas fartas. Barba da véspera. Olhos negros e atentos. Cabelos grisalhos bastos, de fios grossos e crespos. Dedos fortes, mãos nodosas. Calça de zuarte, gasta. Tênis surrado. Camisa branca, de listrinhas azuis. Punhos abotoados. Colarinho aberto, puído, mas limpo. Uma caneta Bic espetada no bolso. Gente simples, em suma. Devia andar pela casa dos setenta.

        Sentado à minha frente, pôs-se a me olhar fixo. Calado.

- Muito bem, meu caro. O que tem pra me contar? – indaguei, na entonação habitual do médico que inicia uma consulta.

- Doutor, antes, eu quero lhe dizer uma coisa...

- Pois diga.

- O senhor está muito bem...

A afirmação me pegou de surpresa. Afinal, o diagnóstico era tarefa minha. E ele não me conhecia.

- Por que está dizendo isso?

- Por causa do seu sorriso.

- O que é tem o meu sorriso? É igual a outro qualquer...

- Não. Ele tem um brilho... Quando alguém está bem, o sorriso brilha; quando não está, o sorriso é triste. O olhar também... Deixa ver a dor, a pena...

De fato, eu acabara de sair de um check-up, e tudo estava bem. Mas ele não poderia saber.

- Interessante. Onde aprendeu isso? Com quem?

- No mar, doutor, a gente passa muito tempo sozinho. E aprende a pensar... enquanto espera...

Lembrei-me logo de Spencer Tracy, em “O Velho e o Mar’, de Ernest Hemingway. E achei que o pescador tinha razão...

 

Mario Gentil Costa

 



Escrito por MaGenCo às 23h14
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MINHA HOMENAGEM AO CENTENÁRIO DO PRIMEIRO VÔO VERDADEIRO DA HISTÓRIA, FEITO PELO BRASILEIRO ALBERTO SANTOS DUMONT

MaGenCo



Escrito por MaGenCo às 18h46
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BARUCH SPINOZA

 

         Baruch quer dizer Bento em português ou Benedictus em latim. Baruch Spinoza nasceu em Amsterdã em 24 de novembro de 1632. Sua origem era múltipla. Judeu pela religião dos ancestrais; português pela nacionalidade dos pais e por sua língua materna; holandês de nascimento. Os pais eram marranos, ou judeus convertidos, chamados também de cristãos-novos. Em função dessas origens, teve educação religiosa dupla e, de certa forma, contraditória.

         Em abril de 1640, Spinoza, com 8 anos de idade, assistiu à flagelação pública de um judeu holandês chamado Uriel da Costa, que afirmava não existir beatitude eterna e não  haver, na Bíblia, referência alguma à imortalidade da alma. O episódio, que causou em Baruch uma impressão profunda, pode ter influenciado suas idéias futuras, que negam a verdade das Escrituras, do Deus nelas revelado, dos milagres, aceitando apenas o poder da razão, e que acabaram por culminar, em 1656, com sua excomunhão, tanto pelo judaísmo quanto pelo catolicismo.

         Afastando-se da religião, ele integrou-se na vida cultural holandesa, cujo Estado, contrário à intolerância e ao poder da Igreja Romana, dava aos cidadãos ampla liberdade de empresa, de consciência e de expressão.

          E, durante longo período, ele conviveu com os cérebros mais lúcidos do seu tempo, tendo, além disso, estudado todos os clássicos. Além do português, que falava fluentemente, usava também o holandês e estudou o latim e o grego. Pesquisou a fundo a filosofia de Descartes, sobre quem escreveu os "Princípios da Filosofia Cartesiana".

Escrito por MaGenCo às 12h39
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         Mais tarde, escreveu o "Tratado Teológico-Político", no qual defendeu a separação entre Estado e Igreja, entre política e religião e entre filosofia e revelação. Escreveu também o "Tratado da Correção do Intelecto" e, por fim, sua obra maior, intitulada "Ética", cuja publicação, em virtude da perseguição que lhe moveram os teólogos - que o consideravam ateu, blasfemador e elemento nocivo à república - só foi efetivada após sua morte, com o titulo "Obras Póstumas".

         Baruch Spinoza era fisicamente fraco e sofreu de tuberculose durante mais de vinte anos, falecendo no dia 21 de fevereiro de 1677, aos 45 anos.

          Sua filosofia é uma crítica da superstição em todas as suas formas: religiosa, política e filosófica.

         “A superstição é uma paixão negativa nascida da imaginação, que, impotente para compreender as leis necessárias do Universo, oscila entre o medo dos males e a esperança dos bens. Dessa oscilação, a imaginação forja as idéias de uma Natureza caprichosa, dentro da qual o homem é um joguete. Em seguida, essa concepção é projetada num ser supremo e todo-poderoso, que existiria fora do mundo e o controlaria segundo seu capricho: - Deus.

         Nascida do medo e da esperança, a superstição faz surgir uma religião onde Deus é um ser colérico ao qual se deve prestar culto e adoração para que seja sempre benéfico. A superstição, então, cria uma casta de homens que se dizem intérpretes da vontade de Deus, capazes de oficiar os cultos, profetizar eventos e invocar milagres. Essa mesma superstição engendra, portanto, o poder religioso que domina a massa popular ignorante. O poder religioso, por sua vez, forma um aparato militar e político para sua sustentação, de forma tal que a superstição está na raiz de todo estado autoritário e despótico, onde os chefes se mantêm fortes alimentando o terror das massas com o medo dos castigos e com suas esperanças de recompensa.

Escrito por MaGenCo às 12h38
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         Toda filosofia que tentar explicar a Natureza apoiada na idéia de um Deus transcendente, voluntarioso e onipotente, não será filosofia; será apenas uma forma refinada de superstição. Quando o poder político, para assegurar-se, une-se ao poder religioso e usa a superstição como arma, tende a censurar a liberdade de pensamento e de expressão. Nesse caso, a censura gera o descontentamenro e esse se expande pouco a pouco para a massa, a sublevação acabando por vir. Por isso, a liberdade de pensar e falar não é contrária à paz do Estado, mas sim a condição dessa paz.”

         Comparado com outros filósofos do século XVII, Spinoza distingue-se pelo racionalismo absoluto, ao passo que Leibniz e Descartes deixam permanecer mistérios subjacentes ao conhecimento racional. A filosofia, para Espinosa, é o conhecimento racional do Deus-Natureza e da união do homem com essa mesma Natureza.

         Spinoza usou o método histórico-crítico para interpretar a Bíblia e mostrar como nas Sagradas Escrituras não há verdades, no sentido próprio da expressão, mas, tão somente, preceitos morais e políticos necessários para preservar a comunidade judaica através dos tempos. Afirma que “os profetas e os grandes dirigentes do Estado Hebraico foram homens de forte imaginação, menos preocupados em conhecer Deus do que em dirigir um povo. Os teólogos e os soberanos fazem esse uso fraudulento da Bíblia porque têm interesse em manter a superstição para assegurar em suas mãos o poder”.

Escrito por MaGenCo às 12h36
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          Culmina - e daí, provavelmente, sua excomunhão, a qual não o afetou em absoluto - por eliminar a principal idéia-sustentáculo da teologia e da filosofia cristã: - a idéia da criação, isto é, de um Deus preexistente que tira o mundo do nada.

          Para ele, Deus não é transcendente; é imanente e se confunde com a Natureza, formando um só ser eterno e infinito. Caso contrário, agiria tendo como fim sua própria satisfação, o que significaria que “Deus precisava criar coisas para tornar-se satisfeito, para ser completo e perfeito, como se não se bastasse a si mesmo. A idéia desse tipo de Deus faria dele um ser carente, que procura fora de si mesmo aquilo que possa completá-lo”.

Spinoza afirma que Deus é matéria e não um puro espírito - como sempre foi pregado pela teologia e pela filosofia - ampliando assim ao extremo a idéia da total homogeneidade entre Deus-e-Natureza e fazendo das chamadas leis divinas coisas naturais. A vontade de Deus é, portanto, idêntica à necessidade e à inteligibilidade das leis com que produz a realidade.

         Para ele, a eternidade nada tem a ver com o tempo; ela é o não-tempo. Para ele, o tempo é a maneira humana de tentar medir a duração.

 

 

Texto extraído de “Os Pensadores”

          Editor Victor Civita - 1983

        

            MÁRIO GENTIL COSTA

 

            PS: - Há pouco tempo, para meu conforto e alegria, vim a saber que Albert Einstein comungava inteiramente com as idéias de Spinoza e o tinha como paradigma. E, fundado nessa respeitabilíssima referência, eu, que até então me declarava um céptico por falta de alternativa, não tive dúvidas de me filiar ao pensamento desses dois ícones da inteligência planetária.

            O mesmo



Escrito por MaGenCo às 12h35
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ABSTRATO MEU DE 1977 - TÉCNICA MISTA SOBRE PLACA PRENSADA - MaGenCo



Escrito por MaGenCo às 21h08
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A QUINTA DIMENSÃO

 

 

      O Tempo, segundo Einstein, é a quarta dimensão do espaço. Trata-se de uma grandeza relativística, capaz de curvá-lo na velocidade da luz e até gerar buracos negros. Ele não passa; simplesmente aí está..., como estão as outras três que, há mais de dois milênios, foram enunciadas por Euclides e incorporadas definitivamente aos fundamentos da geometria clássica.

            Ao contrário do comprimento, da largura e da altura, ele não é percebido fisicamente pelos nossos sentidos. Olhamos ou tocamos um objeto e, imediatamente, somos capazes de lhe determinar, mesmo a grosso modo, a forma, o tamanho, a cor, a consistência. O Tempo, dir-se-ia que é ultra-sensorial. Temos, quando muito, uma vaga consciência de sua presença a nosso redor. É tão relativo que parece arrastar-se quando vivemos momentos difíceis; voa célere, todavia, se a ocasião é prazerosa. Olhado de frente, se nos afigura como futuro. Visto de costas, já é passado e se perde nas brumas do horizonte da memória. Em sua essência presente, contudo, não passa do instante.

            Medimo-lo convencionalmente ao observar a aparente regularidade dos movimentos do Universo mais próximo..., como o nascer do Sol, as fases da Lua, as estações do ano, as horas do dia... Mas esse é apenas o nosso Tempo..., o Tempo humano..., um mero calendário antropocêntrico..., quase um artifício..., tão relativo, que logo ali..., em Júpiter..., cuja rotação dura dez horas das nossas..., cuja translação dura doze anos dos nossos..., de nada mais vale como relógio cósmico.

            Nosso Tempo é todo ele composto de momentos que se sucedem entre duas colossais perspectivas: o passado que passou e o futuro que virá. É o presente..., algo sem dimensão..., como um ponto geométrico que só existe na imaginação.

            O passado está na idéia que acabo de expressar; o futuro, na que virá em seguida. E entre os dois estamos nós, caro leitor..., eu e você..., vivendo, um após outro, os nossos momentos...

            O passado é, simplesmente, uma lembrança..., alegre, triste ou inexpressiva..., que ficou ou se perdeu. O futuro é o que será..., um misto de esperança, medo ou indiferença..., mas, de qualquer forma, uma expectativa..., uma incerteza..., uma interrogação.

Escrito por MaGenCo às 09h16
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            E assim vive o ser humano, de momento em momento, sufocado entre duas verdades imutáveis: a que foi e a que virá. Ele pensa que se autodetermina..., que tem livre arbítrio..., ignorante e esquecido de que está sempre ao sabor do acaso..., esse mesmo acaso que, tola e vaidosamente, resolveu chamar de "destino", como se além do Caos Universal, que regula e organiza tudo, houvesse realmente algum tipo de predeterminismo individual...; como se fosse ele..., exclusivamente ele..., - o homem -, a figura indispensável e central do espetáculo.

            Seu poder de decisão é mínimo..., quase nulo. Pouco maior que o de uma folha solta ao vento, que flutua e dança ao léu sem saber aonde vai cair no momento em que se extinguir a energia que a embala. E quando isto acontece, o que resta, em última análise é nada mais que a Verdade..., a Verdade do que foi..., do que é..., do que será...  A Verdade..., uma estranha e insondável espécie de quinta dimensão..., que é eterna, imutável...; que interage com o Tempo na síntese total.

            Muito antes de que o pensamento humano existisse, ela, a Verdade, já existia, e quando a humanidade, como substância, desaparecer ou se transformar em massa ou energia - como descobriu Lavoisier e, de fato, acontece a todas as formas de vida evolutiva - a Verdade continuará existindo no Espaço e no Tempo como atributo imanente do Todo.

            A Verdade..., essa sim..., é preestabelecida por ser eterna..., ao contrário da mentira, da falsidade, da traição..., que nasceram com o homem..., geradas na sua própria imperfeição; com este mesmo homem que se dizendo "criado à imagem e semelhança de Deus"..., é o único animal que mente e que trai.

            A Verdade é filha da Ética..., da Lógica..., nunca da força ou da autoridade. Ela é sinônimo da perfeição estética. O fato só acontece para confirmá-la e, mesmo que não aconteça..., que não seja registrado..., ela sempre prevalece, ou encerrada em si mesma..., em sua essência..., ou dentro da consciência de cada indivíduo, num plano mais humano. Mas ela é uma só; é o ideal pleno a que todos aspiram sem jamais alcançar.

Escrito por MaGenCo às 09h14
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            Daí o imenso desafio que depara o homem: a busca e o encontro da Verdade. Irremediavelmente condenado a viver o seu momento fugaz..., preso e contido entre o passado e o futuro, e, o que é pior, reprimido por suas próprias limitações e cada vez mais deslumbrado, a procurar em vão o entendimento do infinito e do eterno..., ele se vê sufocado diante da Verdade que sabe que existe e não é capaz de absorver, rendendo-se, finalmente, à única alternativa que lhe sobra: a crença.

            Vez por outra..., de quando em quando..., a Natureza, que se autorregula com a sabedoria ingênita de que só Ela é capaz..., deixa nascer um gênio para dar um salto adiante. Tal indivíduo..., que infelizmente é muito raro..., gravita numa órbita escassamente povoada, habitada exclusivamente por iniciados escolhidos, cuja tarefa primordial é a gradativa elevação do homem, a fim de torná-lo merecedor dos privilégios de que desfruta entre os animais da Terra.

            O gênio é o embaixador da Verdade. Mas..., lá no íntimo..., ele também sabe... por uma incômoda e indisfarçável intuição..., que, por mais que avance em sua busca incessante..., a Verdade Final..., aquela que existe por si mesma e independe das nossas crenças..., a Verdade Verdadeira..., fugidia como a linha do horizonte..., sempre estará além do seu alcance.

           

            Mario Gentil Costa



Escrito por MaGenCo às 09h12
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PALAVRA FALADA E ESCRITA

 

Dia desses, uma jovem estudante, dessas raras que fogem ao ramerrão da vulgaridade, me perguntou qual dessas duas palavras – a falada ou a escrita – é mais difícil de expressar e, sobretudo, qual é a mais importante?”

Percebendo a sutileza que a resposta demandava, disse-lhe que, a meu ver, ambas são difíceis; que ambas exigem competência, mas que a vantagem da palavra escrita é a longevidade. Conheci oradores que nunca escreveram, e o que eles disseram perdeu-se no silêncio e na fugacidade da memória humana.

Tive um professor cujas magníficas aulas atraíam platéias cativas. Imponente figura, tinha bela voz, postura, veemência e gesticulação. E tinha, acima de tudo, conteúdo.  Morreu e conquanto seu nome ainda seja lembrado pela minha geração, certamente já não o será pela que vier depois. Em compensação, um dos seus alunos, que não é dono desses recursos de oratória, encarregou-se de escrever tudo o que ouviu. Resta perguntar qual dos dois será lembrado no futuro distante? O que só falou ou o que escreveu? Claro que o segundo...

Por isso, para cunhar essa certeza, eu sempre disse que “A palavra falada, o vento leva e o tempo consome. Já a palavra escrita, essa, não há silêncio capaz de emudecê-la”.

        Assim sendo, em tese, considero a palavra escrita mais importante para o conhecimento, embora reconheça a prioridade da outra como veículo primordial – e mais antigo – na comunicação interpessoal. E insisto em que ambas devam ser utilizadas com a possível correção.

Quanto à dificuldade em expressá-las, tudo depende do que chamamos de talento. Já vi brilhantes oradores que não escreveram porque não sabiam fazê-lo com a correspondente qualidade e já vi escritores que, diante de um improviso, causaram a pior impressão.

Ouvi recentemente o depoimento decepcionado de um amigo que teria assistido a uma entrevista na TV com um dos melhores jornalistas do país. Ouvido e visto assim ao vivo, o indigitado lhe causou uma sofrida pena; perda total do brilho, a par de uma voz enjoada, de uma dicção péssima e de visível precipitação nas respostas.

Atribuo esse último aspecto à falta de serenidade para organizar o pensamento e confesso que, a exemplo dele, quando diante de situações de maior responsabilidade, sinto-me bem melhor escrevendo que falando. Claro, isso nada tem a ver com o desempenho de um mestre que, além de conhecer a matéria, sabe de antemão o que vai dizer e não depende da surpresa de perguntas de algibeira. Por isso mesmo, costumo fugir de entrevistas faladas...

E diante do suposto fracasso desse aludido cronista, dou-lhe o devido desconto.

Há pessoas exigentes que necessitam de tempo para organizar seu pensamento e jamais seriam bons tribunos. Em contrapartida, há aquelas cujos reflexos são mais rápidos, mais imediatos, mas nem por isso têm igual profundidade e, embora falando razoavelmente bem, não são capazes de dizer o que diriam certos escritores à frente de um teclado que não lhes cobra respostas prontas.

E, para assinar embaixo, é preciso ter confiança no que se diz...

 

        Mario Gentil Costa

Escrito por MaGenCo às 11h21
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