
MANDALA FEITA COM AREIAS COLORIDAS POR MONJES BUDISTAS - EXERCÍCIO DE PACIÊNCIA E PRECISÃO. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 15h00
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SÉRIE 'RETIRANTES' - DE CÂNDIDO PORTINARI
Escrito por MaGenCo às 21h38
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CEDRO-ROSA: ENTALHES DE MINHA AUTORIA
Escrito por MaGenCo às 21h29
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"FURTO FAMÉLICO"
de um
NASUA NARICA
Contado, ninguém acredita. Mas é fato..., fato incrível para os tempos que atravessamos. Um ilustre advogado, meu amigo, viveu-o pessoal e intensamente e me contou em primeira mão. Portanto, é verdade.
Tratava-se de obter, com a necessária urgência, um habeas-corpus para tirar da cadeia dois pobres diabos, trancafiados em prisão incomunicável por terem roubado, matado e comido um Nasua narica.
- Você, por acaso, tem idéia do que seja um Nasua narica?
Fico a imaginar sua expressão de perplexidade diante de nome tão estranho. Deixe-me, então, dar-lhe uma dica:
- O Nasua narica é um mamífero carnívoro, da família dos procionídeos, que vive nos matagais, geralmente em manadas, e exala um odor forte e nauseabundo. Sua carne, segundo testemunhas, é extremamente nutritiva e, dependendo da míngua ou do desespero famélico, perfeitamente comível. “Desde que bem preparada”, afirmam os entendidos...
- Já sei!... É o gambá!
- Não, meu caro. É o quati, que, em matéria de bodum, rivaliza com o gambá. Ou até o suplanta, disse-me um amigo caçador. O fato é que os presos não tinham o que comer...; estavam famélicos e, por isso, o mataram. Bastou essa verdade para despertar o sentimento humanitário do aludido causídico, que se lançou à luta com o ímpeto de um verdadeiro Dom Quixote.
Escrito por MaGenCo às 20h43
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- Não sei se você sabe, mas, para o Código de Preservação da Natureza..., fome, penúria e miséria não são atenuantes para matar e comer animais selvagens. Trata-se de caça predatória, proibida e passível de severas penas. “A fauna silvestre é propriedade do governo federal”, diz a lei implacável, “e quem a agredir está sujeito à prisão inafiançável”.
- É incrível! - protestaria você.
- Mas é a lei. “Dura lex, sed lex!” A meu ver, são os ecos da “Eco 92”, ainda a ecoar na mente da autoridade - diria eu.
A verdade é que ninguém quer envolver-se com a mídia ecológica. Há que aparentar o mais legítimo zelo pela fauna, e não partiria da polícia, muito menos da justiça, qualquer demonstração pública de fraqueza diante de lei tão específica.
- Em suma, qualquer brasileiro pode morrer à míngua, desde que a rica e variada fauna pátria seja preservada - argumentaria você, e eu acrescentaria:
- E, no caso em questão, seria menos um quati a enriquecê-la, ainda que para aplacar a fome de dois miseráveis eleitores analfabetos, que, a apesar disso, não podem justificar-se com o desconhecimento da lei...
“E agora, o que fazer? Como derrubar tão irrefutáveis argumentos? Como inocentá-los de tão monstruoso crime de lesa-pátria? Que caminhos jurídicos seguir para livrá-los e devolvê-los às famílias esfomeadas?” - cismava o advogado, perplexo.
“Ah, doutor. Só se o senhor conseguir um despacho favorável do Procurador da República” - condicionava o delegado. “ Não me diga!”
Escrito por MaGenCo às 20h42
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“ E tem mais! Depois disso, ainda terá que obter a concordância da Justiça Federal...” - acrescentava, cheio de importância.
“ O senhor tá brincando!”
“É verdade, doutor! Sem isso, eles não saem daqui. Não posso fazer nada.”
“Mas o senhor os conhece...; sabe que são pobres...; que não têm o que comer...; que têm um monte de filhos que dependem deles pra sobreviver...
“Sei de tudo isso, doutor, mas é a lei, e eu não posso fazer nada - replicava o policial, irredutível.
O advogado, sem alternativa, foi procurar o Procurador, recém-chegado a Florianópolis. Este, exaustivamente “procurado” e, finalmente, encontrado a beber e a petiscar com amigos no bar à meia-luz de um hotel cinco estrelas, - onde o cardápio, embora variado, não incluía animais silvestres e, portanto, cumpria os rigores da lei - mostrou-se igualmente inflexível e, apesar dos apelos patéticos do advogado, exarou um rigoroso despacho que confirmava a detenção dos acusados.
Só restava o Juiz. Esse, felizmente menos empedernido, após escutar uma laboriosa e veemente defesa, vazada em comoventes e emocionados argumentos - em que prevaleceram o caráter famélico do furto e a impunidade em que tantos ladrões ricos vivem à solta por este Brasil afora - concordou em liberar os pobres coitados e dar a questão por encerrada.
À saída, quando o nosso advogado, com a consciência leve do dever cumprido e vibrando com a causa ganha, já deixava a sala, o Meritíssimo o interpelou: - Doutor, meus parabéns. Vejo que o senhor realmente luta pelos descamisados. Isso deve trazer-lhe uma paz interior muito confortadora, eu imagino..., porque dinheiro mesmo..., que é bom..., não vai ver nenhum..., eu suponho. O senhor, por acaso, é candidato a alguma coisa?
Escrito por MaGenCo às 20h41
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- Não, Meritíssimo. sou apenas um defensor do direito.
- Então, o que pretende ganhar com todo esse esforço?
- Nassua naricas, Meritíssimo..., Nassua naricas! - respondeu prontamente o brilhante protetor dos desvalidos, acrescentando, de propósito, um "S" na pronúncia da primeira palavra.
- Na minha o quê? - perguntou o juiz, atônito.
- NaSSua naricas, é claro! - ele apontou, com o dedo esticado e com a cara mais séria deste mundo.
- Ahn!..., sim..., é claro... - foi a interjeição lacônica que ouviu do magistrado quando fechava a porta devagarinho.
A verdade é que, diante de uma contestação tão imediata, tão reticente e, sobretudo, tão latinesca, e ante a hipótese de tratar-se de uma expressão jurídica que imperdoavelmente desconhecesse, o Meritíssimo - que era famoso no meio da classe por seu hábito de cheirar rapé às escondidas e viver espirrando - não teve coragem de insistir e, tão logo viu-se sozinho, cofiou, intrigado, o cavanhaque grisalho, correu à estante repleta de livros, donde sacou um calhamaço intitulado Dicionário Terminológico de Ciências Jurídicas e, molhando na saliva a ponta do dedo amarelecido pela borra do charuto, começou a revirar freneticamente as páginas, enquanto buscava a letra “N” e murmurava com seus botões:
“Na sua naricas”?... Será que tem algo a ver com meu rapé?
Mário Gentil Costa - MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 20h40
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HISTÓRICO MUNICÍPIO DE URUSSANGA |
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Embora seja conhecida tradicionalmente pela sua Festa do Vinho e preservação da cultura italiana, Urussanga tem uma diversificada oferta de produção de várias áreas com destaque para a agricultura e a pecuária. Nos últimos anos a produção de pêssego se firmou no município, seguida pelas culturas de ameixa, feijão, milho, fumo, mandioca e hortigranjeiros.
 Com natural vocação para o turismo, a cidade também está apostando no turismo rural, uma forma de diversificar as fontes de arrecadação e de divulgar ainda mais o seu potencial. Na pecuária o maior destaque é a produção de bovinos e suínos, mas estão em ritmo rápido de implantação a avicultura e a piscicultura.
 Em São Pedro fica a Vinícola Mazon, tradicional produtora de vinhos que nos últimos anos montou uma pousada e agora está com projeto de criação de um Shopping Rural, visando reunir os produtos e serviços da comunidade de São Pedro para oferecer aos visitantes. O grande atrativo seria a oferta de produtos típicos da região que são os queijos, vinhos, salames, compotas, doces, pães caseiros, entre outros. "para lazer estamos criando trilhas ecológicas e pesque-pague, tudo tendo como objetivo principal mostrar que as coisas da terra são as que possuem maior valor. Além do turista, quem fica satisfeito é o próprio agricultor, que tem mais uma fonte de renda", diz Patrícia Mazon, Diretora da Vinícola. |
ASPECTOS
Microrregião: Criciúma Área: 234,6 Km2 Colonização: Italiana Data de Emancipação: 26/mai/1878 População: 17.749 (8.734 homens e 9.015 mulheres) Fonte: (Ibge 1996) Eleitores: 13.475 Data Festiva: 08 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição
Visite: Parque de Exposições, Vínicola Mazon, Casarões do século passado construídos pelos imigrantes italianos. |
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visite: www.sul-sc.com.br By Brenner W. Cardoso
PEÇO A QUEM FOR DE URUSSANGA QUE ME CONFIRME POR E-MAIL - magenco@terra.com.br - SE É NA IGREJA QUE APARECE NA FOTO, QUE SE ACHA EXPOSTA A RÉPLICA DA PIETÁ QUE EXPUS HÁ ALGUNS DIAS NO BLOGUE. A PROPÓSITO, QUAIS SÃO OS NOMES DA IGREJA E DA PRAÇA EM QUE ESTÁ SITUADA? DE RESTO, SOLICITO TAMBÉM QUE SEJAM CONFIRMADOS OU ATUALIZADOS OS DADOS CONSTANTES NA COLUNA AO LADO. GRATO. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 12h03
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O SENSO COMUM
"O senso comum não aceita a imaginação criadora de um pensador racional que rompa com o que está estabelecido, mas crê piamente nas fantasias e delírios irracionais de qualquer milagreiro religioso".
Nota: li este pensamento em algum lugar e o publico, apesar de desconhecer o autor, por se tratar de uma verdade incontestavel. MarioGentil Costa
Escrito por MaGenCo às 16h31
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MAIS 2 RECORTES MAGENCIAJOS
Escrito por MaGenCo às 11h56
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CUNICULUS PACA - LINEUS-1766
Escrito por MaGenCo às 18h45
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A PACA
Era um bar tradicional, onde, nos fins de tarde, reunia-se a fina-flor da intelectualidade para aquele aperitivo que antecede o jantar em casa ou com amigos. O dono, português, era um grande cozinheiro. Entre os freqüentadores, havia um médico que fazia verdadeiros discursos sobre as conseqüências do excessivo consumo de bebida. Seus ouvintes não lhe davam muita atenção, mas um advogado, sempre presente, ficava a cada dia mais impressionado com o que ouvia. Era um inveterado dependente de álcool e não conseguia dominar-se. Começava a beber por volta das quatro da tarde e, ao fim da jornada, tinham de levá-lo em casa de táxi, quase inconsciente.
Certa manhã bem cedo, o sol raiando e o bar ainda vazio, o médico – prévio acordo com o proprietário – trouxe uma paca a ser devidamente engordada para a futura comemoração do seu aniversário. Para que não fugisse, o animal foi preso no fundo do bar, num reservado descoberto, onde lhe seriam servidos os restos do consumo da casa.
Uma semana adiante, quando o advogado, primeiro freguês da tarde, acabava de dar o primeiro gole no quinto uísque, a paca escapou do laço mal feito em que fora atada e cruzou lentamente o salão em direção à rua.
O bebedor, que ouvira diversas vezes o médico discorrer sobre os sinais típicos do “delírio alcoólico” em que os viciados chegam a ter alucinações visuais, coçou os olhos e os abriu de novo. Lá estava ela, parada, na defensiva, fixando-o atentamente com seus olhinhos miúdos e, logo depois, fugindo rapidamente em direção à porta da saída, sem que mais ninguém notasse.
Convencido de que já estava enxergando bichos inexistentes, ele chamou o garçom, pagou a conta e sumiu, espavorido. Retornando ao bar meses mais tarde, gordo e corado, foi logo abordado pelo médico que havia notado sua ausência prolongada e, com olho-clínico treinado, desejava cumprimentá-lo pela evidente melhora em seu aspecto geral.
- E aí, meu caro? Por onde andou todo esse tempo?
- Ah, doutor, o senhor tinha razão...
- A respeito de quê?
- Do delírio... Sabe que parei de beber?
- Que bom! Folgo em saber. Mas como conseguiu?
- O senhor há de crer que eu já estava começando a ver bichos?
- Não me diga!
- É verdade. E foi justamente neste bar. Eu estava aqui sentado, sozinho, exatamente nesta mesa, quando vi uma paca ali parada, olhando-me fixamente. Esfreguei os olhos e olhei de novo. Ela ainda estava ali. Dei mais uma boa esfregada. Ela havia sumido. Corri porta afora, fui para meu sítio e nunca mais bebi...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 18h28
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RECORTES MAGENCIANOS
Escrito por MaGenCo às 20h49
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FALÁCIAS DA MAIORIA
Dia desses, conversando com amigos em torno de uma mesa de restaurante, fui confrontado com o seguinte questionamento: se apenas 7,5% da população mundial é formada por ateus, segundo as melhores pesquisas disponíveis, por que você ainda insiste em não acreditar na existência de Deus? Será que 92,5% da humanidade estão errados e você pertence ao seleto grupo dos detentores da verdade?
Como diria Mark Twain, não se deve discutir coisas de religião, pois isto implicaria falar em céu e inferno, e todos nós temos amigos em ambos os lugares. Mas como fui desafiado, não resisti à tentação, e a discussão prolongou-se por horas a fio, sempre regada a um bom vinho, pois ninguém é de ferro.
Para quem não está familiarizado com as falácias do discurso, este argumento contra o qual fui confrontado poderia ser considerado como irrespondível. Ora, se quase todo mundo pensa de uma determinada maneira sobre um determinado assunto, é óbvio que quase todo mundo deve estar certo! Infelizmente, esta é mais uma das falácias argumentativas que são utilizadas para justificar certas idéias ou comportamentos errôneos, mas que não encontra respaldo no pensamento lógico-racional, no qual se baseia toda a ciência moderna. Vejamos um exemplo bem banal. Se eu reunir várias pessoas em um local mal iluminado, à noite, de onde se possa ter uma visão privilegiada do céu noturno, e apontar para o planeta Vênus, 9 entre 10 pessoas afirmarão que se trata de uma estrela. Por quê? Porque está no céu (e o céu está pontilhado de estrelas), e porque brilha (estrelas normalmente brilham). De nada adiantaria eu afirmar peremptoriamente que aquilo não é uma estrela, mas um planeta. A maioria, convencida do contrário, diria: você quer dizer que NÓS estamos todos ERRADOS, e VOCÊ é o ÚNICO certo? Neste caso, contrariando a maioria, eu seria, de fato, a única pessoa certa com relação àquele fato.
Escrito por MaGenCo às 20h30
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A verdade é que nem sempre a maioria está certa. Eu arriscaria mesmo a dizer que, com relação a fatos da natureza em geral, a maioria está quase sempre errada. Isto para não falar em outros tipos de fatos, como os de natureza política (alguém pensa hoje que Lula é a solução para os nossos problemas?), social, econômica etc.
Os fatos devem ser sempre analisados com base em evidências, que tanto podem ser empíricas (observação direta) como racionais (teorizações). Não se pode concluir pela veracidade ou existência de um fenômeno simplesmente com base no argumento da maioria, ou, o que é mais comum, no argumento da autoridade. Este último é muito usado por alguns professores (está certo porque eu estou dizendo), por alguns economistas (se baixarmos os juros, a inflação dispara), por alguns especialistas (afirmo que PC Farias se suicidou) ou, ainda, pela quase totalidade dos líderes religiosos (Deus existe porque eu estou afirmando que sim).
Por volta do ano 563 a.C., nasceu em Kapilavastu, capital do reino de Çakya, na atual fronteira do Nepal com a Índia, um cidadão chamado Sidharta Gautama, que mais tarde veio a ser conhecido como Çakyamuni (o santo dos Çákya) ou Buda (o iluminado). Sua vida inspirou a criação do budismo, filosofia quase religiosa que prega a realização plena da natureza humana e o desenvolvimento de sociedades perfeitas e pacíficas.
Teria dito Buda: “Não creiais em coisa alguma pelo fato de vos mostrarem o testemunho escrito de algum sábio antigo; não creiais em coisa alguma com base na autoridade de mestres e sacerdotes; aquilo, porém, que se enquadrar na vossa razão, e, depois de minucioso estudo, for confirmado pela vossa experiência, conduzindo ao vosso próprio bem e ao de todas as outras coisas vivas, a isso aceitai como verdade, por isso pautai vossa conduta”. Pedindo vênia ao grande iluminado, eu acrescentaria: “Não acrediteis em coisa alguma pelo simples testemunho da maioria”.
A quase unanimidade das pessoas, na maior parte das vezes, está redondamente enganada. Portanto, é perfeitamente possível, e eu ousaria dizer provável, que os 7,5% da população mundial, entre os quais me incluo, estejam certos quanto à não existência de Deus. Argumentos não faltam para defender esta tese, tanto ou mais numerosos que os argumentos brandidos pela maioria de crentes. Mas isto é discussão para outra oportunidade.
Claude Pasteur Faria, engenheiro
claudefaria@terra.com.br
Nota: Texto publicado com autorização expressa do autor, com o qual concordo integralmente. Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 20h29
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A obscura história do celibato clerical
Extraído - Correio Braziliense
E. Miret Magdalena
El País
A notícia que acaba de ser revelada - de que parte do clero não cumpre nem respeita o celibato e ainda sai a violentar freiras e noviças - não é senão conseqüência da férrea lei que impede o clero latino de casar e que o impele a uma solução alternativa de fazer caso omisso de suas promessas. Estatísticas do país das pesquisas, os Estados Unidos, revelam um mar de lama que a hierarquia católica quer silenciar. Apenas de vez em quando algum fato com potencial de escândalo vem à tona. E isso quando vem.
Um professor jesuíta da Universidade de Harvard, o padre Fischler, descobriu que 92% do clero norte-americano sugeria que os sacerdotes pudessem escolher livremente se queriam ser casados ou solteiros. Outro sacerdote e psicoterapeuta, o padre Sipe, revelou que só 2% desse clero cumprem o celibato; 47% o fazem ''relativamente''; e 31,5% vivem uma relação sexual, das quais um terço homossexuais. Diante disso, vários bispos têm solicitado que se elimine o celibato para o clero latino, já que o oriental - inclusive o ligado a Roma - não tem essa obrigação e é, normalmente, casado. Até mesmo o Concílio Vaticano II louvou o sentido espiritual do sacerdote casado do Oriente. A história dessa exigência é obscura - passaram-se quase cinco séculos até que a igreja latina tenha exigido, definitivamente, o celibato. Até o século IV, não havia nenhuma lei que o fizesse, em nenhuma parte da cristandade. A partir daí, o celibato começa a ser considerado obrigatório em algumas áreas, mas apenas os bispos não podiam se casar - e não o clero como um todo. Ainda assim, a lei não era geral e muitos bispos não a seguiam.
Escrito por MaGenCo às 20h15
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No século V, cerca de 300 bispos casados participaram do Concílio de Rímini - uma cifra enorme, dados os poucos bispos que havia no mundo latino. A partir dessa época, a lei começou a proibir que os sacerdotes fossem casados, embora não fosse exigida em todas as dioceses. Foi somente com o Concílio de Latrão, em 1123, que a exigência passou a valer para todo o mundo latino. No Oriente cristão, já havia sido declarado que homens casados poderiam ser ordenados padres, e o costume continua legítimo.
Até o século XVI, no entanto, as leis das dioceses não eram nem cumpridas, nem estavam generalizadas. E, quando estavam, eram mal cumpridas ou se buscavam subterfúgios para sair pela tangente. Um das saídas comuns antes do século IX era o casamento: embora fosse pecado, o matrimônio era considerado válido.
Foram muitos os concílios que criticaram os costumes sexuais do clero, enquanto a prática de manter concubinas era freqüente. Por exigência dos Concílios de Maguncia e Augsburgo, o bispo de Brema foi obrigado a expulsar todas as concubinas da cidade, no século XI. Na Itália, segundo o historiador católico padre Amman, ''o concubinato dos clérigos era muito amplo''. São Pedro Damiano criticou publicamente o bispo de Fiesóle, que ''estava rodeado de um bom número de mulheres''. Durante o Concílio de Constanza, 700 mulheres foram levadas para atender os bispos e o clero em suas demandas sexuais, como conta o historiador católico Daniel-Rops.
Por isso, até o Concílio de Trento, no século XVI, não se sanciona solenemente e de forma definitiva o celibato clerical, como confessou o próprio papa Paulo VI. Não seria então natural e humano que a Igreja de Roma suprimisse a hipocrisia do celibato, que tantos males sexuais traz como conseqüência, e que Roma faça caso das sensatas petições, nesse sentido, de alguns bispos, moralistas e católicos seculares?
Ø * E. Miret Magdalena é teólogo.
Escrito por MaGenCo às 20h14
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Escrito por MaGenCo às 15h26
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Escrito por MaGenCo às 15h23
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SÉRIE 'RECORTES' - MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 15h18
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MAIS DOIS DETALHES DE TRABALHOS MEUS. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 07h58
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V O L T A I R E
EM MINHA OPINIÃO, UM DOS CÉREBROS MAIS LÚCIDOS QUE A HUMANIDADE CONHECEU - MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 20h15
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VOLTAIRE (François Marie Arouet: 1694-1778)
(Ditos e conceitos tirados de seu Dicionário Filosófico).
Não concordo com nenhuma das palavras que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-las.
Quanto mais antiga a história, mais cresce a fábula e mais diminui a verdade.
Toda certeza que não encontre uma demonstração lógica não passa de uma simples possibilidade ou mera questão de fé.
A fé não consiste em crer no que parece verdadeiro, mas no que parece falso.
Em questões sobrenaturais, só os charlatães afirmam coisas com certeza. O estado de dúvida, nesses assuntos, não é agradável, mas o de certeza é ridículo.
Em matéria de fé, é preferível acreditar que o provável é possível do que aceitar como verdade o impossível.
O que contraria o curso ordinário da Natureza não deve ser acreditado, a menos que seja comprovado.
Em matéria de certeza, a Física nos ensina muito mais que a Metafísica.
Escrito por MaGenCo às 20h05
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Em assunto controverso, respeite o silêncio daquele que se cala porque desconhece; medite sobre as palavras daquele que pensa muito e fala pouco e desconfie sempre daquele que fala demais...
A nossa miserável espécie é feita de tal maneira, quer aqueles que marcham em caminhos já batidos atiram sempre pedras aos que ensinam um caminho novo.
Tudo é o efeito incompreensível de uma causa incompreensível.
De que servem os dogmas? A Natureza grita a todos os homens: sede justos e tolerantes; e isso basta, porque o essencial é permanente.
Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e este Lhe pagou na mesma moeda.
É perigoso ter razão em assuntos sobre os quais as autoridades estabelecidas estão erradas.
Deus é contra a guerra, mas fica sempre do lado de quem atira melhor...
Liberdade é a palavra mais detestada pelos opressores.
Há tantos livros novos circulando por aí, que cada vez nos tornamos mais ignorantes.
Escrito por MaGenCo às 20h03
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O mundo só será feliz, quando o último tirano for enforcado com a tripa do último padre.
Os animais têm uma grande vantagem sobre os homens: não precisam de teólogos para instruí-los.
A Natureza está sempre de acordo consigo mesma.
Quer nas palavras, quer nas letras, os teólogos sempre darão um jeito de encontrar tudo o que quiserem nas Escrituras.
O homem nasce para morrer, como todo o resto.
O pecado original do cristianismo é o próprio Pecado Original.
A religião teológica é a nascente de todas as tolices e perturbações; é a mãe do fanatismo e da discórdia; é a inimiga do gênero humano.
Certeza é aquilo que você adquire quando abre os olhos, sente e raciocina; fé é o que você adquire quando fecha os olhos e aceita as afirmações dos outros sem raciocinar.
Quando a verdade é indiscutível, torna-se inútil a discussão.
Não há seitas entre os matemáticos porque, entre eles, a verdade é uma só.
A crença certa é aquela em que há o acordo necessário de todos os espíritos.
Um eremita só será santo e virtuoso quando praticar atos que aproveitem ao próximo, já que a solidão puramente ascética e contemplativa, por não ser benfazeja nem malfazeja, é o mesmo que nada.
Escrito por MaGenCo às 20h02
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JUSTAPOSIÇÃO DE DOIS TRABALHOS MEUS DA MESMA ÉPOCA - 1976. AMBOS SEM TÍTULO. TÉCNICA "ESGRAFITO". TINTA ACRÍLICA SOBRE PLACA PRENSADA. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 12h19
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AMIGOS, MEUS ÚLTIMOS POSTS TÊM PASSADO EM BRANCAS NUVENS. O PESSOAL ACESSA O BLOGUE, MAS NÃO DÁ PALPITES. ESTOU ENTRANDO PARA "O TIME DOS SEM COMENTÁRIOS". PARECE QUE SÓ ASSUNTOS EM TORNO DA POLÍTICA, QUE NÃO É MEU CHÃO E QUE NÃO DOMINO, DESPERTAM INTERESSE E MOTIVAM APARTES. DIANTE DO SILÊNCIO GERAL, ACHO QUE ESTÁ NA HORA DE DAR UM DESCANSO. OU SERÁ QUE NÃO? MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 11h57
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UTILIDADE PÚBLICA
"Síndrome do Usuário de Computador"
Segundo pesquisas feitas pelo oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, essa síndrome é uma forma de fadiga visual que acomete 70 a 90% dos usuários de computador, na dependência do tempo de permanência à frente do aparelho.
Seus sintomas são dor de cabeça, olhos vermelhos, lacrimejamento excessivo ou, ao contrário, olhos secos. Muitos se queixam da chamada ‘vista cansada’ e, dependendo de vícios de postura, relatam dores na musculatura do pescoço e dos ombros.
O fato é que, diante do micro, movimentamos pouco o globo ocular e piscamos cinco vezes menos que o normal. O problema se agrava nas pessaoas que usam lentes de contato, que são hidrofílicas e dependem de boa lubrificação, sobretudo se o ambiente for refrigerado artificialmente.
Escrito por MaGenCo às 21h09
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Em função disso, recomendam-se 10 procedimentos básicos:
1. A tela do computador deve ser, de preferência, plana e não reflexiva.
2. Deve, além disso, situar-se 10 a 20 graus abaixo plano visual do operador.
3. A imagem deve ser regulada de acordo com o ambiente, com bastante contraste claro-escuro e a mínima luminosidade necessária. Excessivo contraste entre as cores deve ser evitado.
4. É recomendável criar o hábito de piscar voluntariamente para lubrificar os olhos.
5. Evite-se também excesso de luminosidade das lâmpadas ou da luz natural, pois as pupilas se contraem e geram cansaço visual.
6. O monitor nunca deve ficar de frente para uma janela ou outra fonte de luz para evitar o ofuscamento. E também não deve haver luz atrás, em função do reflexo na tela.
7. A distância entre os olhos e o monitor não deve ser inferior a 60 cm.
8. A tela deve ser mantida sempre limpa.
9. A cada hora, descanse 5 a 10 minutos, saindo da frente da tela.
10. Se possível, levante-se, dê uma caminhada, observe o ambiente a seu redor. Isso descansa a vista e beneficia o corpo inteiro; movimenta os membros, descansa a musculatura e restabelece a circulação geral.
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 21h08
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A VERDADE SOBRE A MENTIRA
(Excerto)
"Desde pequeninas, as crianças são induzidas pelos adultos - geralmente grandes mentirosos - a nunca mentirem: "Façam o que fizerem, mas jamais mintam para papai e mamãe". É como se a mentira fosse, de todos, o pior dos crimes. E a verdade correspondesse a um automático entendimento e genuíno perdão. Agora, se a pobre criança, em sua credulidade, cometer a imprudência de dizer sempre a verdade, por exemplo, que continua roubando objetos da mãe e o dinheiro do pai, levará a maior descompostura: "Além de ladra é sem-vergonha". E tome castigo.
E se o filho adolescente revelar que não gosta de meninas? E se a filha contar que freqüenta motéis com o namorado? E se a esposa confessar que tem um amante? E se empregados resolverem ser sinceros com os patrões e, nas festas, cada um resolver dizer para os outros exatamente o que pensa deles?
É óbvio que em pouquíssimo tempo existiriam legiões de filhos espancados, lares desfeitos, milhões de crimes passionais. As empresas se desfariam de tantos litígios, as festas invariavelmente acabariam em pancadaria, e as amizades mais sólidas terminariam em bofetão. Em pouco tempo, existiria a mais sólida discórdia instalada no planeta. Ninguém mais falaria com ninguém, e todos estariam amuados e desmoralizados. As prisões estariam abarrotadas, pois é praticamente impossível algum cidadão, durante sua vida, não ferir pelo menos alguns artigos do Código Penal.
Não é à toa que Nelson Rodrigues costumava dizer que, se as pessoas soubessem a vida íntima das pessoas, ninguém mais olharia na cara de ninguém. Sem mentiras, insinceridades, hipocrisias e meias verdades, a humanidade sucumbiria em poucas semanas.
Essa é a verdade sobre a mentira".
Nota: O texto foi tirado de um artigo maior. Desconheço o nome do autor. Publiquei-o por representar uma grande "verdade sobre a mentira". Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 08h39
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RESTA APENAS IMAGINAR, SENTADO AO TECLADO EM SUA NOITE DE GLÓRIA, EZEQUIEL LOBO, O PERSONAGEM DO CONTO ABAIXO. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 19h37
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ERA UMA VEZ UM PIANISTA
Cinco da manhã, sol já ameaçando rasgar as teias do nevoeiro com alguns raios cor-de-rosa lançados por trás das montanhas.
Ezequiel Lobo dedilhou os últimos acordes de “Eu Sei que Vou te Amar”, flexionou bem os dedos exaustos e doloridos e fechou o velho piano desafinado, antes que algum boêmio inventasse de lhe pedir para tocar a saideira.
Como todo artista da noite, ele tinha os olhos fundos e avermelhados, rodeados de olheiras muito escuras e cansados de tanto tentarem penetrar a eterna penumbra dos cabarés.
Pianista desde ainda muito moço, estava acostumado a fazer música para ninguém, porque sempre havia trabalhado para aquele tipo de público que prefere beber e conversar.
Agora, com sessenta e cinco anos de idade e quarenta e três de profissão, cansado de tudo, já estava até começando a enxergar, nos teclados amarelados dos velhos pianos em que tocava, sorrisos cariados de escárnio pelo fracasso que tinha sido a sua vida, tão vazia das realizações que havia prometido a si mesmo, nos tempos da mocidade.
Naquela noite, depois de ter trabalhado em dois restaurantes e duas boates, tinha os dedos dormentes, as costas quase insuportavelmente doloridas e o coração tão triste como só as pessoas muito sensíveis podem ter.
Sem ser notado em meio ao burburinho da conversa e do tilintar de copos e garrafas, substituído instantaneamente pelo barulho dissonante de uma gravação de “rock” que já saía dos alto-falantes do cabaré, perdeu-se de mansinho na escuridão da porta dos fundos.
Na rua, pegou um táxi para casa, um minúsculo apartamento de quarto e sala num bairro afastado, onde dormia pelas manhãs, engolia qualquer coisa ao meio-dia e ouvia os seus velhos discos à tarde, numa vitrola cansada e fanhosa que herdara do pai, também músico da noite e pobre como ele. As tardes, aliás, sempre tinham sido aquela parte do dia em que Ezequiel era mais dono de si, em que mais se sentia diferente de toda aquele massa amorfa de gente que, nos restaurantes e boates, costumava não dar a mínima para a sua arte.
Escrito por MaGenCo às 19h07
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Ali, na pequena sala do seu apartamento pobre, ele saboreava o privilégio único de ouvir Carmen Cavallaro, Liberace, George Feyer, José Iturbi, Dick Farney e tantos outros artistas do teclado, com a atenção e o respeito que deveriam merecer todos os bons músicos do mundo.
Ali, naquele seu microcosmo particular, ele reverenciava seus mestres e até se permitia, às vezes, sonhar com platéias atentas, educadas e de bom gosto que, pelo menos, fizessem silêncio para ouvir a sua música.
Naquela tarde, saiu mais cedo de casa e pegou um ônibus para o centro da cidade, meio sem saber o que faria lá, quando chegasse.
Quase sem querer, desceu perto do teatro municipal e, de repente, lembrou-se de que um velho amigo de juventude, o Emílio Gonçalves, sujeito sensível e verdadeiro, que há pouco tinha sido nomeado diretor artístico do teatro.
Sem pensar muito, deixou que seus pés o conduzissem escada acima e até a sala do Emílio, que, ao vê-lo meio indeciso parado à porta, foi logo abrindo aquele seu sorriso largo.
- Ezequiel, meu velho, que bom te ver, depois de tanto tempo! Até parece que a gente nem mora na mesma cidade. Puxa, que venha de lá um abraço apertado, homem!
Depois do abraço e das perguntas e respostas tão comuns nessas ocasiões de reencontro, o Emílio quis saber o que o amigo tinha feito, em todos aqueles anos de ausência.
- Olha, Emílio, tenho tocado muito, mais do que pensava poder suportar. Mas essa música que estão fazendo hoje em dia e essa gente, que nem ouve o que se toca, estão me matando por dentro, meu amigo. Acontece que não posso parar ainda; sabes como é, aposentadoria de músico ...
- É, a gente vai envelhecendo, começa a comparar o que se vê hoje com o que se via no passado e bate uma saudade sem tamanho, não é mesmo ? Posso imaginar como deve ser duro p’ra ti, com toda essa arte maravilhosa que Deus te deu, teres que te vender por tão pouco e tocar p’ra gente que nem sabe o que está ouvindo. - Sabes, Emílio, eu gosto da minha profissão e, depois desse tempo todo, ainda vibro com o que faço. Tenho meus momentos de fossa, é claro, mas tenho também um sonho meio maluco, como devem ser todos os sonhos de verdade: tocar p’ra uma platéia que estivesse lá só p’ra me ouvir, p’ra se deixar embalar pelo meu piano. Podes até achar que, velho e cansado como estou, não deveria perder tempo com esses delírios, mas, por incrível que pareça, é o que ainda me mantém vivo e razoavelmente certo da cabeça...
Escrito por MaGenCo às 19h06
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Naquele momento, notando a ameaça de lágrimas nos olhos do amigo, Emílio deu-se conta do quanto deveria ser importante para ele poder trazer do céu à terra aquele sonho dourado.
- Olha, Ezequiel, não quero que fiques muito otimista, mas acho que talvez possa te ajudar...
- Como, homem? Não me deixes aqui cheio de idéias e me diz logo o que tens na cabeça, pelo amor de Deus!!
- Bom, é que na semana que vem a prefeitura vai patrocinar um festival de música aqui no teatro. Sabes como é, provavelmente vão aparecer bandas de “rock”, conjuntos de música regional, cantores. Não creio que apareça nenhum pianista, muito menos alguém que faça música no teu estilo. Hoje em dia está difícil, não é? Acho que deverias te inscrever no festival; os prêmios não são lá grande coisa, mas pelo menos terias uma chance de tocar p’ra gente que viria aqui para escutar e não p’ra beber, conversar e pedir p’ra ouvir lixo. Então, que tal a idéia?
Àquela altura, Ezequiel já estava cantarolando “Se Todos Fossem Iguais a Você”, olhos perdidos na vista do mar que se descortinava da sala do Emílio, completamente embevecido com a possibilidade de, finalmente, realizar o sonho de toda a sua vida.
- Então, Ezequiel, pára de cantarolar, tira os olhos do infinito e me diz: não queres fazer a tua inscrição para o festival? - “Se todos fossem iguais a você, que maravilha viver”. Emílio, meu amigo, acabaste de fazer bater mais forte este coração desiludido. Podes me passar a papelada, que eu já preencho, assino, pago e, em seguida, vou p’ra casa pensar no repertório da minha grande noite. Nem dá p’ra acreditar...
Escrito por MaGenCo às 19h05
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Preenchidos os papéis e paga a pequena taxa de inscrição, depois de muitos agradecimentos comovidos ao Emílio, Ezequiel desceu as escadarias do velho teatro correndo como criança, cantarolando e assobiando músicas que já estava pensando em tocar no grande dia.
De repente, no meio da escada, parou de cantar e assobiar, porque acabara de se lembrar de um detalhe muito desagradável: não tinha piano e não sabia onde poderia ensaiar.
Ao se recordar das tantas vezes em que tinha deixado de comprar pianos usados, simplesmente porque o dinheiro que ganhava mal dava para comer, para os remédios e para pagar as contas, deixou transparecer no rosto uma tristeza tão grande que algumas pessoas que vinham subindo as escadas do teatro não puderem deixar de notar aquela sua figura pálida, de olhos muito fundos, cabelos quase brancos e roupas de liquidação, imóvel e curvada.
Então, quando já estava pronto para voltar à sala do Emílio e dizer-lhe que não poderia mais participar do festival, lembrou-se de que o dono da boate “Night and Day”, onde tocava aos sábados, era um sujeito um pouco diferente dos outros donos de casas noturnas e que, talvez, concordasse em deixar que ele ensaiasse lá por alguns dias, à tarde.
Foi até a boate, que ficava ali mesmo no centro da cidade, para tentar convencer o proprietário, Afonso “Capone” Assunção, das vantagens de contar com um artista premiado na sua folha de pagamento.
Com aquela cara de poucos amigos que Deus – ou o diabo – lhe tinha dado, o “Capone” era um sujeito melhor do que muita gente boa por aí e, depois de algumas rabugices de praxe, resmungou:
- É, eu acho que tu podes usar a boate p’ra ensaiar à tarde, desde que me prometas trancar bem a porta quando fores embora e não pedir aumento só porque vais tirar o primeiro lugar nesse tal de festival...
Controlando com muita dificuldade um impulso louco de beijar a careca do velho, lá se foi o nosso pianista da noite em busca de um lanchinho rápido e barato ali por perto, porque a barriga já estava dando hora fazia tempo.
Engolidos o sanduíche e o chopinho com aquela pressa dos que têm coisa mais importante a fazer, Ezequiel aproveitou a mesa e o guardanapo para escrever ali mesmo o repertório de músicas que iria apresentar para aquela sua platéia ideal e seleta, parceira perfeita e, a seu ver, indispensável de todo ato musical. Bem, pensava ele lá com os seus teclados, posso abrir com “As Time Goes By”, passar logo para “Manhattan”, talvez uma pitadinha latina de “Solamente Una Vez” e “La Barca”, p’ra terminar com “Se Todos Fossem Iguais a Você”, numa homenagem toda especial ao Emílio. Nada mal, não é? Ou será que o pessoal não iria gostar de ouvir um tanguinho? Assim tipo “El Dia que me Quieras”?
Escrito por MaGenCo às 19h04
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Quando se deu conta, já estava empatando a mesa da lanchonete há quase duas horas, falando, gesticulando e cantarolando como um velho idiota, prato e caneco de chope vazios à sua frente e vizinhos do lado pensando que não batia bem da cabeça.
Pagou a conta e foi logo embora, porque não podia mais conter a vontade de começar logo os ensaios para a sua noite.
Chegando ao “Night and Day”, abriu a porta com a chave que tinha recebido do “Capone” e naquela tarde ensaiou todo o repertório, o antigo piano “Essenfelder” ganhando vida nas pontas daqueles seus dedos ágeis e apaixonados, agora com alma nova e coração de criança que ganha presente fora de época.
Repetiu a dose na tarde seguinte e na outra, até que todas as velhas canções românticas soaram perfeitas aos seus ouvidos cheios de exigência e daquela autocrítica impertinente que, ao longo de tantos anos, vinha impedindo que ele deixasse fluir para os teclados tudo o que lhe ia no coração sonhador.
Na grande noite, vestiu o único terno decente que tinha no armário, passou uma graxinha nos sapatos de domingo e, com o velho coração a lhe sair pela boca, pegou o ônibus para o teatro.
No caminho, ia se lembrando de um velho musical da Metro, em que Carmen Cavallaro tocava “Dancing in the Dark” num “Steinway” branco, tendo ao fundo o cenário deslumbrante do Central Park todo iluminado.
Ainda cantarolava a melodia quando entrou no teatro pelos fundos, e foi logo procurar o Emílio.
- Ezequiel, que bom que já chegaste! Temos casa cheia, meu amigo. Mas tu pareces um pouco nervoso... quem sabe não gostarias de tomar um calmantezinho? Tenho um ótimo, lá na minha sala; vou buscar e volto num instante...
- É, Emílio, seria mesmo maravilhoso viver, se todos fossem iguais a ti. Vou aceitar, porque o coração aqui não está agüentando essa emoção toda... Tomou o calmante e esperou a hora de realizar a mais linda fantasia da sua vida.
Escrito por MaGenCo às 19h02
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Daí a pouco, apagaram-se as luzes da platéia, abriu-se o pano e acenderam-se os refletores sobre um belíssimo piano de cauda, colocado bem no centro do palco.
Ajeitando o nó da gravata, Emílio dirigiu-se ao microfone.
- Senhoras e senhores, com os nossos cumprimentos, temos a honra de lhes apresentar um pianista que há quarenta anos vem dando mais brilho às noites da cidade. Com vocês, EZEQUIEL LOBO !
Saindo dos bastidores com as pernas trêmulas e o coração aos pulos, o velho artista foi até o piano, agradeceu os aplausos da sua platéia e, com os acordes suaves de “As Time Goes By”, levou a todos numa viagem mágica pelo país dos sonhos.
Aos poucos, começou a sentir-se muito leve, como se estivesse pairando sobre uma nuvem perdida num céu muito azul, dedos deslizando no teclado como se, de repente, tivessem vida e vontade próprias.
Com carinho, dedilhou as escalas e apogiaturas da última canção, aquela que havia escolhido para homenagear o Emílio.
“Se todos fossem iguais a você, que maravilha viver” ...
Não pôde chegar ao fim da melodia, pois dos bastidores surgiram, sorridentes e radiantes de luz, os seus velhos amigos dos musicais da Metro e das capas dos discos que tinha em casa; lá estavam José Iturbi, Cavallaro, Liberace, Feyer e Dick Farney, tendo todos no olhar a ternura própria das amizades firmes e antigas.
E, estendendo as mãos, disseram, sem mesmo precisarem falar: vem, Ezequiel, vem agora tocar conosco na grande orquestra das estrelas!
Alfredo GentilCosta
Floripa – SC
Nota: O autor é meu irmão.
MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 19h01
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PASSOS GIGANTESCOS
Entre os acontecimentos fundamentais do século XX, destaco a teoria da relatividade, a descoberta da penicilina, a fissão nuclear que culminou na bomba atômica, a televisão, a pílula anticoncepcional, o pouso na Lua, a informática, as telecomunicações, a descoberta e a manipulação do DNA e a divulgação do primeiro clone de um ser vivo.
Este último fato representa, provavelmente, o ponto de partida para as mais inimagináveis mudanças, com profunda repercussão no campo do comportamento humano, tanto no sentido ético-jurídico como no religioso.
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 20h11
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DOLLY
Escrito por MaGenCo às 20h08
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O BRASILEIRO É MAJORITARIAMENTE CORRUPTO
Estava hoje com alguns amigos, quando passou por nós um grupinho de jovens que falavam alto, como costumam fazer. Um deles, no embalo do papo que vinham mantendo ao longo do caminho, deixou escapar um dito que, com pequenas variações, eu e você, leitor, já ouvimos carradas de vezes:
“Pois é, pra mim, não sobra uma boca dessas...”
É fácil imaginar o significado disso. Seja qual for o motivo, trata-se, salvo exceções, de uma oportunidade de tirar proveito pessoal de alguma mamata. De enriquecer; de botar a mão numa bufunfa qualquer.
Ora, nossa esperança, em tese, estaria nessa juventude que, em pouco tempo, estará decidindo os rumos deste país paradoxalmente infeliz.
A Natureza, em seus caprichos inescrutáveis, nos brindou com um território imenso, com o solo mais fértil do planeta, um subsolo de riquezas inimagináveis e inimaginadas, a maior bacia hidrográfica navegável do mundo, a mais extensa costa-pesqueira, uma fauna-flora de riqueza abundante, o clima mais versátil, as quatro estações do ano coexistindo harmoniosamente num mesmo dia do Oiapoque ao Chuí; quedas d’água com ilimitado potencial energético; uma terra sem terremotos, sem vulcões e sem tsunamis. E mais uma série de benesses que seria fastidioso enumerar aqui.
E apesar disso tudo, não vamos pra frente. Por quê?
Pra mim, a explicação é uma só: o povo é vagabundo.
E é justa e inevitavelmente desse mesmo povo que saem os candidatos que hoje ocupam os horários de propaganda política. Indivíduos desclassificados pleiteando nosso voto; uma escumalha de pilantras que, em sua maioria esmagadora, só estão pensando em botar a mão nessa mesma bufunfa. É daí que vêm os padres pedófilos, os ministros ladrões, os magistrados venais, os políticos corruptos, os sanguessugas, os anões do orçamento, os mensaleiros, os presidentes mentirosos e cínicos – atuais, passados e futuros – que enchem as páginas dos jornais e os noticiários de TV.
Não se pode tirar leite de pedra; é do povo, desse povo que, se tiver uma mínima chance, botará a mão na bufunfa sem o mínimo escrúpulo, que nascem os dirigentes de um país que, dotado de tantos privilégios, está fadado à estagnação no concerto mundial.
Se me dispusesse, citaria aqui algumas causas desse caos. Mas, para não ferir suscetibilidades e não mexer em abelheiro, prefiro ficar calado. Elas têm origens remotas, as mesmas que, ao longo da história, fizeram a diferença entre as nações...
A reeleição do atual presidente será o atestado mais cabal dessa estupidez e dessa má-formação coletiva. E a pá-de-cal em qualquer esperança de recuperação. Eu, você e mais uns poucos, que não pesamos no contexto, nada podemos fazer para evitar essa debacle.
Só não sei como meu pai, já falecido, conviveria com esse descalabro. E nem imagino como conviverão meus filhos e meus netos...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 19h17
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ESTE É UM DESENHO ESQUEMÁTICO DO APARELHO AUDITIVO, EMBUTIDO NO OSSO TEMPORAL
Escrito por MaGenCo às 18h13
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Este entalhe em cedro-rosa, com 38 x 60 cm, intitula-se "LABIRINTO". Foi esculpido por mim em 1978. Em virtude de aludir à anatomia do ouvido interno, só pode ser apreciado na posição em que se encontra. Os médicos, sobretudo os otorrinos, poderão distinguir aí os elementos que compõem o conjunto: o oval do tímpano, a cadeia dos ossículos (martelo, bigorna e estribo), o triângulo luminoso, as janelas oval e redonda, o órgão de Corti (com suas colunas de células ciliadas internas e externas = neurônios), as rampas vestibular e timpânica, a trompa de Eustáquio (ou tuba auditiva), o saco endolinfático, o aqueduto do caracol, as espiras da cóclea (ou caracol), os três canais semicirculares do aparelho do equilíbrio. O resultado é de uma fantástica harmonia estética e prova que a Natureza é exímia em produzir obras-de-arte. Abraços do MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 17h48
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SURDEZ - COMO EVITÁ-LA
Este artigo é dedicado à memória do Prof. Rudolf Lang, de Porto Alegre.
O que é?
Surdez é a diminuição ou a perda total da capacidade de ouvir. Existem, basicamente, dois tipos de surdez: aquela que é causada por doença, e é inevitável, e aquela que provém de maus tratos ao aparelho auditivo. É esta última que abordo aqui, com fins profiláticos.
Quem tem?
Até alguns anos atrás, o percentual de surdos no mundo “civilizado” era de cerca de 2%, ou seja, em cada 100 pessoas, duas eram (mais ou menos) surdas. Hoje, com os fatores ambientais da chamada “vida moderna”, esse número está crescendo assustadoramente. E o pior é que, entre as vítimas, é cada vez maior o número de jovens...
Limites do ouvido humano:
Assim como o olho não suporta fixar diretamente a luz do sol, o ouvido também não está preparado para suportar excesso de som. O som, assim como a luz, é uma forma de energia física ondulatória medida em decibéis (dB). O ouvido humano aceita, com pequena margem de tolerância, um limite máximo de 80 dB. Acima desse nível, dependendo da intensidade e do tempo de exposição, começa a haver danos ao ouvido.
Fatores causais ou predisponentes: O principal é a poluição sonora nas grandes cidades, incluindo hábitos e profissões geradoras de ruído excessivo. Isso acontece em fábricas ou ambientes de trabalho desprovidos de condições de proteção para os ouvidos. Entre os hábitos, o mais danoso de todos é a exposição abusiva dos jovens a sons e ruídos, em especial os de percussão, gerados pela chamada “música moderna”, produzida em ambientes fechados (Boates, quartos ou automóveis) ou mesmo abertos (os chamados Trios Elétricos). Exemplos: uma boate de roque, um som de carro com volume aberto ou um trio elétrico geram ruídos que variam entre 115 e 125 dB, ao passo que uma turbina de avião a jato, à mesma distância, gera 130 dB.
Escrito por MaGenCo às 17h33
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Quadro clínico (Sintomas)
Começa com o chamado “Zumbido”. No início, ocorre logo após o período de exposição. O trabalhador sai da fábrica ou o jovem se afasta do som com os ouvidos zunindo, mas melhora com uma noite de sono. É o primeiro sinal de protesto do ouvido maltratado. Com a repetição, o sintoma se torna permanente, geralmente de tonalidade aguda. Numa segunda etapa, começa a surdez propriamente dita, que, de início, consiste em perder palavras no meio da conversação, ou seja, a pessoa escuta mas nem sempre entende o que escutou, principalmente em ambientes coletivos. O risco é ainda maior para aqueles que já têm casos na família, mas, a rigor, todos os que abusam do som se arriscam.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito por um exame simples, chamado Audiometria, que mostra uma curva gráfica com a medida exata do grau da perda auditiva.
Prevenção (Como evitar)
A única prevenção que existe é evitar as causas citadas. No caso do trabalhador, é a proteção com equipamentos amortizadores adequados (existem leis que obrigam a seu uso). No caso do jovem curtidor de som, não há meios de proteção, exceto a redução do volume. Exemplo prático: - o som começa a ser agressivo quando produz cócegas no ouvido (“o som que coça”) e já é danoso quando vem acompanhado de dor (“o som que dói” - algiacusia).
Tratamento: - Não há! Esse jovem e esse trabalhador são dois futuros surdos...
Mário Gentil Costa - Professor (Aposentado) de Otorrinolaringologia do Curso de Medicina da UFSC - Florianópolis, S.C.
Escrito por MaGenCo às 17h32
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"O PENSADOR", ESCULTURA QUE IMORTALIZOU RODIN
Escrito por MaGenCo às 22h44
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PENSANDO
A palavra escrita é a forma mais plástica de pensar...
A palavra falada, ainda que gritada em altos brados, tem vida curta. Já a palavra escrita..., essa..., não há silêncio capaz de emudecê-la...
Ter pensado e não ter dito, - sobretudo não ter escrito -, em certos casos, é o mesmo que não ter pensado...
O mutismo aparente das prateleiras de uma biblioteca é o mais veemente discurso proferido pelo intelecto e o mais seguro veículo da imortalidade humana.
Uma folha de papel em branco, uma pauta musical sem notas ou uma tela por pintar constituem, a meu ver, o mais formidável desafio imposto à sensibilidade, à imaginação e à inteligência humanas.
A maior parte dos homens vive sob o conflito entre a necessidade de ser ou parecer importante e a incômoda certeza de não ter importância alguma.
A verdade é coisa viva e existe por si mesma, permanecendo desconhecida até que alguém a proclame.
Ninguém é autor do próprio talento; é apenas usuário.
MARIO GENTIL COSTA
Escrito por MaGenCo às 22h41
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É AÍ, DENTRO DESSE MARAVILHOSO ENVÓLUCRO ÓSSEO, QUE ESTÃO O SEGREDO E A EXPLICAÇÃO DAS NOSSAS DÚVIDAS. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 22h36
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CÉREBRO: O DIFERENCIAL DO ANIMAL HUMANO
EIS UMA SEQUÊNCIA SUMÁRIA DE COMO AS COISAS DEVEM TER ACONTECIDO:
Uma mutação genética gera o primeiro pensamento (reflexão e dedução)
A primeira arma - O tacape
Primeiras ferramentas - a faca e a lança
O fogo
A caça e a pesca (a vida nômade)
A palavra falada
A palavra escrita na caverna (gravuras, inscrições, símbolos)
A agricultura e a domesticação de animais
O cavalo, o cão e os animais de abate A importância da proximidade dos rios como garantia de sobrevivência
Escrito por MaGenCo às 20h56
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A paliçada
A fixação nas primeiras cidades
Aritmética elementar
As primeiras estradas
Primeiras navegações - O remo, a vela
O intercâmbio cultural e comercial
As primeiras civilizações
A roda
Egito, Babilônia, China, Grécia
Arquitetura, Escultura, Matemática, Astronomia, etc
A Mitologia e o Politeísmo
O cultivo do pensamento lógico
Filosofia (pré-Socrática, Socrática e pós-Socrática)
Matemática, Física, Astronomia
Primeiras religiões monoteístas
Lutas e conquistas religiosas. Idade Média - período de obscurantismo religioso - as Cruzadas purificadoras. Inquisição.
Escrito por MaGenCo às 20h55
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O Renascimento
A Arte: Michelangelo, DaVinci, Rafaelo, Tintoreto, Boticelli, Ticiano e outros.
A Imprensa: Gutenberg (1450)
Filosofia - Giordano Bruno
Astronomia: Copérnico, Galileu, Kepler, Ticho Brahe
O primeiro Telescópio: Galileu (1600),
Bússola magnética - (1300)
As grandes navegações à vela: Cristóvão Colombo e outros.
A Matemática e a Física: Isaac Newton, outros
A Astronomia: Keppler, Thico Brahe
A Filosofia moderna
Voltaire, Espinoza e outros
A Química
Lavoisier e outros
A Biologia e a Genética
Darwin, Lamarck, Mendel e outros
A Física Einstein, Max Planck, Thomson, Maxwel, Rutherford, Niels Bohr e outros
Escrito por MaGenCo às 20h53
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A máquina a vapor
A Ferrovia (1825).
A hélice (1838) - a Navegação trans-oceânica (1845).
A revolução industrial - Século XIX (das luzes)
Primeiros vôos em balões - (1783) - Irmãos Montgolfier
A fotografia (1839) - Joseph Niepce e Louis-Jacques Daguerre
O dirigível - (1852) - Henri Giffard
A eletricidade (1866)) - Volta, Maxwel, Franklin, Ampere, Cavendish, Ohm, Edison
A lâmpada elétrica (1879) - Edison
O motor de combustão interna (1876)
A anestesia (1846) e a assepsia (1865) O telégrafo (1844) - Samuel Morse
Escrito por MaGenCo às 20h52
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O submarino (1875) - John P. Holland
O pneumático para rodas - Dunlop (1888)
O telefone - Alexander Gram Bell (1876) e Thomas Edison (1878)
O rádio - Guglielmo Marconi (1896)
A radioatividade (1898) - Pierre e Marie Curie
O escafandro - (1872) - Auguste Denayrouze
O automóvel - Carl Benz (1885)
A bicicleta - John Kemp Starley - (1885)
A motocicleta - Gortlieb Daimler (1885)
O planador - Otto Lilienthal - (1891)
O avião - Vôo catapultado: Wilbur e Orville Wright (1903-5)
O primeiro vôo com decolagem e aterrissagem por meios próprios: Alberto Santos Dumont (1906)
Escrito por MaGenCo às 20h50
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O helicóptero - Irmãos Breguet - (1907)
O foguete - Robert Goddard - (1926)
Avião a jato Heinkel He 178 - Hans von Ohain - (1939)
Nave espacial - Sputnik - 1957
A Medicina
O microscópio - Os soros - As vacinas - Os antibióticos
Pasteur, Jenner, Claude Bernard, Fleming e outros
A Energia nuclear
Bomba Atômica
A Televisão (1923) - Vladimir Zworikin
A pílula anticoncepcional e os transplantes
A Informática, as telecomunicações
O microcomputador - A Internet, a realidade virtual e a imagem holográfica
Astronomia e Astro-Física
A conquista do Espaço e os satélites artificiais - globalização
O pouso na Lua - Apollo 11 - 20 de julho de 1969.
Imunologia, Bioengenharia, Engenharia Molecular
O Gene, o Genoma, o DNA, a clonagem...
E agora? Teólogos, preparem-se!
Vem chumbo grosso por aí...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 20h44
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"FÓSSIL" - TRABALHO MEU DE 1990. TÉCNICA MISTA SOBRE PLACA. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 14h46
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NÚMEROS DESANIMADORES
Amigos, andei lendo isso em algum lugar, não recordo onde. Estava guardado em meus arquivos mais antigos sob o título “Diversos”. Hoje, ao vadiar por aí, topei com esta barbaridade e achei que valia a pena publicá-la. Divirtam-se, pois. MaGenCo
Se concentrássemos a população mundial em 100 pessoas:
61 seriam asiáticas
12 européias
13 africanas
14 americanas (do norte e do sul)
50 seriam homens
50 seriam mulheres
26 seriam brancas
74 não seriam
67 não cristãos
33 cristãos
6 pessoas possuiriam 59% da riqueza mundial
80 estariam na pobreza
14 não sabem ler
33 passam fome
07 estão na universidade
08 têm computador
Escrito por MaGenCo às 08h21
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75% não teriam:
geladeira
armário guarda-roupas
teto
cama
8% têm conta bancária
1 bilhão não sabe ler ou não aproveita
500 milhões já sofreram, de forma direta ou indireta, conseqüências de:
guerra
tortura
escravidão
Que bela civilização!
Setembro de 2002 – MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h20
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OS FAMIGERADOS COTONETES, QUE TANTO DANO TÊM CAUSADO A OUVIDOS HUMANOS. ALÉM DE NÃO CUMPRIREM SATISFATORIAMENTE O OBJETIVO APREGOADO DE REMOVVER O EXCESSO DE CERUME, PODEM ACIDENTALMENTE, CAUSAR DANOS IRREVERSÍVEIS, COMO MOSTRA O TEXTO ABAIXO. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 23h09
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CENA BRASILEIRA
A frente de casa, num bairo residencial:
De sobretudo e chapéu, o marido, já na calçada em frente à casa, abria, na manhã gelada, a porta do carro para fechar o portão da garagem, quando ouviu a mulher, com a cabeça envolta numa toalha e segurando o decote do roupão de banho, gritar da janela do segundo andar:
- Não te esqueças dos meus cotonetes! “Duas caixas, hein? Das grandes!!”
Ele limitou-se a um amuado gesto de concordância e partiu.
No trânsito, parado diante de uma sinaleira, ele se põe a pensar:
“O tal cotonete já virou uma obsessão, um vício, mas o que se há de fazer? Essa foi a encomenda. E antes que me esqueça, para evitar discussões quando retornar para o almoço, vou parar na primeira farmácia e comprar as duas caixas. Das grandes...
No trabalho:
Enquanto se desimcumbia das demais tarefas da sua repleta agenda matinal, um pensamento não lhe saía da cabeça:
“Pra que tanto cotonete, se o otorrino já nos alertou dos perigos potenciais desse ‘gênero de primeira necessidade’ que, há pouco tempo, nem existia?
E recordou o tom de seriedade do médico, ao fazer a observação, diante do casal:
- Se a senhora visse o que eu já vi em matéria de danos causados por cotonetes, nunca mais os usaria. - Mas que mal pode causar uma coisinha tão inocente, doutor? – ela perguntara.
Escrito por MaGenCo às 22h23
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Mais sério ainda, o médico passou a relatar o caso de uma madame que, recém-chegada do cabeleireiro, vestia-se para uma festa, quando o telefone tocou. Esquecida de que tinha um cotonete enfiado no ouvido, ela tirou o fone do gancho e o bateu sobre a orelha. Lá se foi o cotonete ouvido a dentro. Resultado imediato: dor lancinante, hemorragia, tonturas rotatórias, vômitos e um zumbido insuportável. Danos: destruição do tímpano, deslocamento dos ossículos martelo e bigorna e penetração do estribo no labirinto (janela oval do ouvido interno).
- Quer dizer que ela perdeu a festa?” – foi a pergunta cretina.
- A festa? Ela perdeu a audição, minha senhora. Ficou surda”.
- Pra sempre?”
- Claro! Estas foram as conseqüências irreversíveis: perda total e definitiva da audição naquele lado. Nesses casos, mesmo com cirurgia reparadora da membrana timpânica, próteses auriculares de nada adiantam. O nervo auditivo está morto... Por isso, eu insisto: "Cotonetes só servem para pequenos curativos e manicures".
E, mudando para um tom mais bem-humorado, o doutor arrematou:
- Os únicos buraquinhos do corpo onde eles nunca devem entrar são os dos ouvidos...
“E apesar desse susto, ela continua com a mania. Tudo bem. O ouvido é dela...”
Assim, entretido com seus afazeres, ele passou o resto da manhã.
De volta para o almoço:
Quando estacionou à frente da casa, deu um toque de buzina, e ela veio abrir o portão. A primeira pergunta que fez, foi:
- Tu trouxeste os meus cotonetes...?
A palavra do médico não adiantou nada – ele concluiu.
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 22h17
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MAIS DOIS TRABALHOS DE MINHA ESPOSA MYRTÔ, INTITULADOS "CIGANA" e "FOLIA". AMBOS FEITOS COM TÉCNICA MISTA SOBRE PLACA PRENSADA. DA MESMA ÉPOCA DOS MOSTRADOS MAIS ABAIXO. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 20h35
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O APELIDO
Aquele nariz curto, largo e arrebitado, quase cilíndrico, róseo e furado por duas narinas que cheiravam de frente e mais pareciam o frontispício de um intermediário de tomada elétrica; aquele nariz metido entre dois olhinhos pontiagudos e empapuçados no rosto afunilado, os beiços grossos e rosados, o tronco roliço, o andar gingado e as pernas curtas, tudo isso somado, obrigava a comparações, e o resultado era sempre o mesmo – a inevitável idéia de um porquinho.
Assim já tinha sido com o pai e com o avô. Quanto a outros ancestrais até onde a memória atual é capaz de recuar, não se sabe ao certo, mas a julgar pela espantosa semelhança das três gerações citadas, depreende-se que devam ter sido muito parecidos, o que configura a predominância de uma poderosa e inapagável herança genética. O que se sabe, contudo, é que toda essa progênie tinha o mesmo apelido: “Porquinho”.
Ora, numa cidade pequena, onde as pessoas, por falta do que fazer ou porque são naturalmente propensas a tal sorte de menoscabos, a linhagem dos Porquinhos era do domínio publico; não havia quem não os conhecesse. O apelido tornara-se tão inerente que, não raro, o verdadeiro sobrenome, Pena Paranhos, até ilustre e respeitado por sua origem histórica – o tetravô fora herói da Guerra do Paraguai, condecorado pelo Duque de Caxias, e seu glorioso nome estava gravado na lousa de mármore do monumento alusivo na praça principal – o sobrenome, como dizia, ficava, às vezes, totalmente esquecido, prevalecendo, para todos os efeitos, entre amigos e, especialmente entre os adversários políticos da distinta família, a alcunha desgraciosa.
Nos tempos de escola, e mais tarde no ginásio, Horácio Pena Paranhos, excelente meio-de-campo do time de futebol, bem que se esforçara para livrar-se da pecha. Por todos os meios a seu alcance, tentara dar um basta àquela penosa carga. Antecipava-se, na hora da escalação da equipe, tarefa que ele mesmo se obrigava a cumprir, a relacionar os nomes dos atletas e, redigindo ele mesmo o vistoso cartaz que era afixado à porta do vestiário, procurava desviar a atenção dos companheiros criando para si mesmo um cognome menos comprometedor e com veleidades mais carinhosas – Peninha. Mas não havia meios; no outro dia, riscado com tinta preta, surgia, por cima, em letras vermelhas desproporcionalmente maiores: PORQUINHO.
Em contrapartida, Horácio Pena Paranhos era o primeiro aluno da classe e, virtualmente, papava todas as medalhas. Quando se aproximava a data da entrega dos prêmios, todo o colégio se reunia no salão nobre, e o diretor, com sua voz estentórea, pronunciava solenemente:
- Quarto Ano B: - primeiro lugar:
Português – Horácio Pena Paranhos
Matemática – Horácio Pena Paranhos História – Horácio Pena Paranhos
Escrito por MaGenCo às 22h24
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Inglês – Horácio Pena Paranhos
Desenho – Horácio Pena Paranhos
E assim por diante...
Horácio, sentado entre os demais, vibrava ao ouvir seu verdadeiro nome ecoando nas paredes e nos ouvidos dos colegas e de suas famílias. Mesmo assim, não podia deixar de perceber, ao final de cada repetição, uma espécie de estribilho, um zum-zum-zum sussurrado pelos colegas, como se fosse o refrão de três sílabas: Por-qui-nho...
Seu pai aprendera a conviver pacificamente com o apelido, apesar de, certa vez, ter dado queixa na polícia. Mas só conseguira, com essa atitude impensada, provocar mais ainda seus detratores, quando a fachada da casa amanhecera pichada com o apelido, a ponto de ter sido necessária uma completa pintura. E que terrível tinha sido sua consternação, quando, terminada esta, novas pichações, dessa vez em enormes letras vermelhas, apareceram. O prejuízo fora enorme, e a solução encontrada após a repintura foi a contratação de um vigia noturno para evitar novas investidas dos pichadores, cuja identidade nunca foi descoberta.
Seu avô, por não ter o mesmo espírito conformado, não raro se envolvera em arruaças e brigas. Já Horácio Pena Paranhos, orgulhoso de seus inegáveis talentos, não se conformava. Achava-se vitimado por um estigma. Encarava o apelido como uma cruz que não se via obrigado a carregar. Fazia de tudo para não dar margem à sanha dos seus zombadores e, quanto mais se esforçava, mais esses o provocavam.
Certo dia, depois de matutar prós e contras, matriculou-se numa academia de Judô e, rapidamente, alcançou a faixa-preta. O professor lhe dizia que a filosofia da arte marcial não era o ataque injustificado, e sim, a defesa e a segurança. Horácio bem que concordava com a idéia, pois era um idealista, mas, lá no íntimo, criou, para uso próprio, uma série de justificativas que catalogou como defesa da honra pessoal. E na marra, no peito e na raça, foi caçando e desmoralizando os inimigos um a um. Até o ponto de ver-se isolado. Mas consolava-se com o respeito imposto à força e se deliciava com o silêncio absoluto diante de sua passagem. Assim terminou o curso secundário.
Aproximava-se, finalmente, a época do exame vestibular. Família toda reunida à mesa do almoço, o pai, que era funcionário federal aposentado, dirigiu-se ao filho:
- Horacinho, e agora?
- Agora o quê, pai?
- Agora..., o que vais fazer da tua vida? Que vestibular vais fazer?
- Ah! Acho que vou fazer Medicina.
- Mas não há curso de Medicina aqui – interveio a mãe, já preocupada. - Justamente por isso, mãe. Lá fora, em São Paulo, por exemplo, ninguém me conhece...
Escrito por MaGenCo às 22h23
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- E tu achas isto uma vantagem? – argumentou o velho.
- Claro, pai! O senhor se esquece do apelido?
- Ora, isso não tem importância...
- Pode não ter pro senhor. Pra mim, tem!
- Meu filho, uma pessoa vale pelo que é; não pelo apelido que tem. Se fosse assim, não teria me casado com seu pai – retrucou a senhora, cheia de razão.
- Não, mãe! Eu não agüento mais. Faço um esforço danado para ser melhor que os outros..., nos esportes..., nos estudos..., e até hoje não consegui me livrar disso. Acho que se ficar longe por um bom tempo, eles, talvez, se esqueçam.
- É..., talvez... Eu e teu avô nunca saímos daqui... Quem sabe..., se tivéssemos saído...? – conjeturou o dono da casa.
- Mas meu filho, o que vai ser de nós..., com você tão longe...? – protestou a mãe.
- Ora, a gente se comunica por telefone, pela Internet. Além disso, tem as férias...
- Não sei... Eu tenho medo. Você ainda é um menino. Imagina! Naquela cidade enorme, sem experiência...
- Vamos deixar, mulher. Talvez seja este o caminho. O Horacinho não é bobo. Ele sabe o que faz...
E lá se foi o Horacinho, que, para não variar, tirou primeiro lugar no vestibular, entre mais de 1000 candidatos.
Passou dez anos fora. Na faculdade, onde não havia um conhecido sequer, rapidamente ficou conhecido como “Porquinho”. Desesperado, transferiu-se para outra, mais distante, onde aconteceu a mesma coisa. Cansado de se mudar, formou-se com o habitual brilhantismo. E se especializou em cirurgia plástica, aproveitando seu relacionamento com os colegas para submeter-se a uma rinoplastia, que, se não lhe proporcionou os resultados sonhados, pelo menos lhe afinou a ponta e tornou mais agudo o ângulo nasolabial, fazendo com que as narinas apontassem mais para baixo.
Sem alternativa e até certo ponto, satisfeito, mesmo porque sua mãe insistia, retornou à pequena cidade, crente de que o tempo, o amadurecimento e a inevitável respeitabilidade do diploma lhe garantiriam a tão almejada paz. E montou consultório na praça principal.
Não demorou muito, e circulava pela cidade um panfleto de autoria ignorada, com os seguintes dizeres:
Dr. Horácio Pena Paranhos – Cirurgião Plástico
E, embaixo, a charge de um porquinho diante de um espelho – a imagem refletida ostentando sobre o nariz o molde de gesso de uma rinoplastia...
Mário Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 22h20
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"DRÍADE" E "ESPANHOLA", DOIS QUADROS PINTADOS POR MINHA ESPOSA. TÉCNICA MISTA SOBRE PLACA PRENSADA.
Escrito por MaGenCo às 20h12
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"QUEM VIAJA, SABE... "
Perambulando pelo aeroporto de Floripa, aonde fora levar minha filha que viajava a São Paulo, dei com um conhecido cidadão, que, todo festivo e prazenteiro, aguardava a chamada para voar em seguida. Tocando-me simpaticamente pelas costas com aquela surpreendente e sempre exercitada memória fotográfica do político que nunca desperdiça ocasião de investir num possível voto futuro, ele foi logo indagando:
- Oh, meu caro, vai voar também?
- Não, infelizmente. Mas você vai, pelo jeito...
- É..., estou indo pr’a Europa.
- Pr'a Europa? Não me diga! - reagi, espantado.
- Oh, já fui cinco vezes! - afirmou, orgulhoso, com a displicência que é privilégio apenas dos grandes veteranos.
- Não me diga!! - repeti, mais espantado ainda. - Eu não sabia! Então você, no mínimo, fala inglês... - concluí, provocante, pronto a testar seu desempenho na língua de Shakespeare.
- Quem, eu? Falar inglês?... Você tá brincando?... Falo português e olhe lá! Mas eu me viro...; conheço praticamente o mundo todo... - declarou, taxativo. - Já andei pela Ásia, Oriente Médio, Estados Unidos, Canadá e alguns países da América Central e do Sul. Já estive até em Machu Picchu!... Só falta conhecer a Austrália...
- Tudo isso?... Olha, eu confesso que não nunca imaginei...; seria capaz de jurar que você nunca tinha posto o pé fora daqui - comentei com ironia velada.
Se o leitor perguntar o porquê dessa última, responderei que ela se deve à proverbial e reconhecida ignorância da figura em questão; é dessas cujos horizontes - apesar de viajados, como vinha a saber naquele dia - não alcançam o outro lado da ponte.
Nosso apressado papo..., aliás, o dele..., terminou num rápido aperto de mão, eis que o figuraço já estava sendo chamado para embarcar.
Parodiando o aludido dramaturgo inglês, a questão não é bem "ser ou não ser ; é parecer"...
Enquanto, com demagógicos acenos da escadinha, ele se alçava aos céus azuis de brigadeiro, fiquei cá c'os meus botões:
"Com que então, esse cara conhece o mundo todo!... Mas, se é assim, deveria ter uma conversa melhor..., de maior nível... Contudo, só fala bobagens. Nunca o vi dizer algo que prestasse...; que tivesse alguma consistência, um mínimo de conteúdo... Enfim..." E, já de volta ao carro, me lembrei da máxima, quase um axioma que em certa ocasião ouvira: " QUEM VIAJA, SABE..."
Escrito por MaGenCo às 19h38
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Será verdade? Deveria ser. Como, de fato, é para muitos. Mas há exceções, está provado. Esse aí é uma delas...; viaja e não sabe nada. Decerto é daqueles que, em Paris, só se importa com futilidades. Provavelmente, jamais entrou no Louvre ou, se entrou, não enxergou nada; achou "muito chato"...
Existe gente assim, tipo "gato de biblioteca"..., que conhece o ambiente e seus contornos cheios de livros, mas é incapaz de lhes penetrar a essência. Em compensação, pode alardear que esteve lá..., e isso é o que basta para manter as aparências, que, afinal, é o que interessa...
E QUEM NÃO VIAJA?... - matutei, perplexo.
Bem..., quem não viaja..., das duas uma: ou não sabe nada ou, então, tem de fazer um esforço dos diabos para saber alguma coisa. Há também os casos especiais, claro. Júlio Verne, por exemplo, deu a "Volta ao Mundo em Oitenta Dias" sem sair de Paris. Mas esse era um fenômeno à parte; não pode ser tomado como exemplo.
O mortal comum, que não viaja e não lê, esse não sabe nada mesmo; só se informa através da televisão e, mesmo assim, na maior parte das vezes, só dá atenção a baboseiras e banalidades. Moral da estória: quem não puder viajar bastante, por não ter dinheiro que chegue ou por não conseguir uma sinecura de "aspone" – como o ilustre personagem desta estória – se, ainda assim, quiser saber alguma coisa que preste e valha a pena, que leia bastante! Pode não ser o ideal, mas, na pior das hipóteses, ajuda a imaginar, o que já não é pouco. E, enquanto fica sonhando, que se console com os que viajam e não sabem nada...
Escrito por MaGenCo às 19h36
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P.S.: Ontem reencontrei o gajo; circulava, todo lampeiro, num shopping, a esposa, toda produzida, pendurada ao lado. Carregou-me insistentemente a um cafezinho, dirigindo-me aquela cara que costumo chamar de "furo de reportagem".
- Por onde você andou, afinal? - me rendi, curioso.
- Ah, andei por vários países... - foi a resposta vaga e abrangente. E eu me entreguei de novo:
- Sim..., e o que mais o impressionou desta vez?
- Você acredita que fomos assaltados? Levaram as jóias dela, meu Rolex de ouro, minha caneta Mont Blanc e um monte de dinheiro... Foi um trabalho dos diabos!
- Onde foi isso? - indaguei, afetando um pesar que não sentia.
- Onde foi mesmo, mulher? - perguntou, virando-se para a luxuosa consorte.
- Ah, foi naquela cidade da Suécia..., não foi?..., Amsterdã...? Onde tem aquelas lojas com umas vitrines "esquisitas"...?
- Foi isso, rapaz! Você é capaz de imaginar uma coisa dessas..., na Suécia..., em plena Amsterdã?
- Realmente..., em Amsterdã..., na Suécia..., é difícil acreditar... Ainda se fosse na Holanda... - observei em etapas.
A estupefação se estampava em minha cara..., amorfa como um mapa geográfico...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 19h34
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VOCÊ CONFIARIA NUM FIO DESSE BIGODE? MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 09h17
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O FIO DO BIGODE
Antigamente, uma barba bem cuidada e um vasto bigode, de preferência com as pontas reviradas, eram um atestado de masculinidade, e quem os ostentasse, desfilava com orgulho e garbo a sua exuberância. Os costumes mudaram e, salvo exceções, o hábito caiu em desuso; dizem que envelhece..., e envelhece mesmo.
Parece, todavia, que seu desaparecimento trouxe, como seqüela, a perda lamentável de uma das suas mais respeitáveis serventias, pois, segundo afirmavam meus avós, um fio de barba ou de bigode era a garantia da palavra dada, quase uma firma reconhecida.
O fato é que, com ou sem bigode, a credibilidade caiu tanto desde então, que nos habituamos a viver na defensiva..., a não crer mais nas pessoas, sempre atentos à menor possibilidade de algum calote. Não nos espanta mais a falsidade que graça pelo mundo. Surpreende-nos, isso sim, o compromisso assumido e cumprido à risca.
Uma experiência que vivi em pessoa ilustra, com fartura, esse panorama desolador. Senão, vejamos:
Era um sábado, sete da manhã. Estava dormindo quando o interfone tocou. Era o porteiro do meu prédio:
- Doutor, tem um rapaz aqui embaixo procurando o senhor. Um turista... (sic). Parece que está doente...
- Mande subir, por favor.
Daí a instantes, ouço a campainha e abro a porta. Vejo, diante de mim, um jovem pálido, de barba e bigode negros:
- Buenos dias, doctor!
- Bom dia! O que deseja? - Lo que passa, doctor, és que yo estoy com um dolor mui fuerte em mis oídos...
Escrito por MaGenCo às 09h14
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Passei, automaticamente, ao espanhol:
- Entonces, tendremos que ir a mi consultorio. Acá, no tengo condiciones de hacerle nada...
- Como quiera, doctor. Y como habla bién! - acrescentou num tom de cumprimento, que, por alguma razão, não me agradou.
Ainda com sono, levei-o em meu carro. “Dor forte nos ouvidos é uma emergência. Quem já teve, sabe!” Atendi-o com o maior zelo, prescrevi-lhe o melhor remédio e dei meu trabalho por encerrado. Seguiu-se um silêncio embaraçoso. E, de repente, ele perguntou:
- Le devo algo, doctor?
- Si, claro! Mis honorários!
- Pero yo tengo la Seguridad Social... - argumentou, capcioso, puxando, do bolso interno da jaqueta de couro, uma sebosa carteirinha plastificada..
Fiquei pasmo com a cara-de-pau daquela peça rara, mas consegui responder secamente:
- Yo no pertenesco a su Seguridad Social, señor.
- Y cuanto és, entonces?
Disse-lhe quanto, e ele retrucou, com a maior desfaçatez:
- Pero yo no traje la plata!
“E agora?” - pensei, contrafeito. - “O que fazer?” - indaguei comigo mesmo, diante de afirmação tão definitiva.
Aproveitando-se de minha evidente perplexidade, ele, então, aduziu, num tom que não era de pergunta; era, mais, de velada sugestão: - Yo podria traerle la plata el próximo luñes...
Escrito por MaGenCo às 09h12
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A despeito de todos os meus anticorpos e demais imunidades adquiridas contra a mentira coletiva tão comum nessas situações e, talvez, pela tendência atávica nacional de valorizar “produtos importados”, resolvi, à falta de alternativa, dar-lhe um crédito de confiança.
“Afinal, - pensei - deve ser pessoa educada..., pois vem de um país ‘dito’ mais culto que o nosso... Lá, decerto, não se passa calote em médico...” - E, num impulso de hospitalidade, de boa-fé, de pura generosidade brasileira, declarei quixotescamente:
- Está bién. Confiaré en usted..., esperaré hasta luñes. Pero, para garantizar su palabra, le pido que me deje um pelo de su bigote.
Ele não conseguiu reprimir a surpresa que a proposta lhe causava, mas, mesmo assim, esboçando um sorriso, não vacilou e, com um gesto elaborado, arrancou o fio do bigode, que guardei na carteira. Desmanchou-se em promessas e partiu, numa rabanada assaz esquisita. O fato é que muitos luñes já passaram, e eu estou esperando até hoje, ou melhor, hasta hoy... Guardei aquele fio de bigode por algum tempo, até que, enojado, joguei-o fora.
Os homens que faziam isso como fiança da palavra assumida, podiam usar também barbas espessas, mas – sem querer generalizar – jamais pendurariam na nuca, nas orelhas e no peito os atavios e adereços que aquele “educado” jovem pendurava:
Um gracioso “rabinho-de-cavalo”..., todo em trancinhas, dois brincos balouçantes e um enorme medalhão com motivos astrológicos.
Agora, leitor, aceite meu conselho: se algum dia tiver de fazer negócios com um argentino que se chama Henrique Luiz Milhombres de Compostella, peça-lhe um fio do bigode.
Mas cobre antes...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 09h10
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Sua Excelência, o Bandido
Ainda no vácuo do escândalo das sanguessugas, comprometendo um terço do Congresso Nacional (por um momento cheguei a recear que eu e meu cachorro também estivéssemos envolvidos, tanta gente lá havia), chega-nos de Rondônia a notícia de que 24 pessoas são presas, acusadas de desvio de recursos públicos. Até aí, nada de novo e muito de velho – estamos acostumados, acostumadíssimos, a chamar ladrão de Excelência. Mas em Rondônia houve (sei lá, talvez não) algum exagero. É que a quadrilha era chefiada pelo Presidente do Poder Legislativo, secundado pelo idem do Poder Judiciário. No mesmo camburão, pegaram carona também o ex-Procurador-Geral de Justiça, o vice-presidente do Tribunal de Contas, juízes e diversos funcionários públicos. Nove dessas Excelências foram levadas a Brasília em jatinho executivo, por terem direito a “foro privilegiado” – e você pensando que bandido é bandido – nada disso: Excelência, quando vira bandido, passa a ser Excelente Bandido, com direito às mordomias inerentes a essa elevada condição.
Não devia ser justo o contrário? Não devia prevalecer o adágio do “mais alto o coqueiro, maior o tombo do coco”? Quando o escritor francês Jean Genet foi preso, por uma série de delitos, Jean-Paul Sartre iniciou uma campanha, entre intelectuais do mundo todo, peticionando ao Presidente da França fosse Genet indultado. Motivo: tratava-se de um imenso escritor e teatrólogo, uma das glórias da cultura francesa, patrimônio da literatura mundial. Verdade. A voz dissonante foi a do escritor inglês Quentin Crisp: por ser um gênio, Genet devia ter sua pena não anulada, mas sim dobrada, uma vez que, genial, estava muito melhor equipado que o comum dos mortais para entender os próprios atos sob a perspectiva ética, moral e legal. A Lei brasileira nunca conseguiu entender o escancaradamente óbvio desse raciocínio.
A pergunta seria: quem ganha um salário mínimo e rouba mil Reais deve ter a mesma pena que um rico que roube os mesmos mil Reais? E se esse rico for rico justo em decorrência de um desses salários e/ou aposentadorias astronômicos, pagos a inúmeras Excelências por um país que ostenta trinta milhões de miseráveis? Lembram? São Paulo, recente – uma faxineira desempregada, mãe solteira, filho pequeno, furtou um pacote de manteiga (R$ 1,90), o chamado “crime famélico”, ou “sob estado de necessidade”. Ficou três meses enjaulada até que a grita da imprensa e da OAB, o clamor público, conseguissem libertá-la.
Quem lê as malucagens que eu escrevo sabe que sou visceral, total e inamovivelmente contrário à pena de morte. Aqui eu quero abrir uma exceção, para dizer que se uma faxineira desempregada furta comida, a sociedade deve-lhe um pedido de desculpas por ser tão brutalmente desigual, mais uma cesta básica/mês até ela conseguir reempregar-se. Já se os presidentes de um Legislativo e de um Judiciário juntam-se para gatunar (quanto ganhavam esses homens; quanto já gatunavam?!?) o fruto do trabalho do contribuinte: morte por apedrejamento, em praça pública.
A pena seria aplicável exclusivamente a indivíduos sustentados pelo contribuinte, que ganhassem acima de vinte salários mínimos e se o crime praticado fosse contra o erário. Se tivessem título acadêmico obtido em universidade pública, antes da lapidação seriam contemplados com breve camaçada de pau. Se tivessem, protocolarmente, direito ao título de Excelência, aí seria uma longa, caprichadíssima camaçada de pau. Em seguida; tome pedra.
Garanto que, no espaço de uma geração, a instituição mais prejudicial à Nação brasileira não mais seria o Estado brasileiro – seriam, de volta, os banqueiros e os traficantes de drogas.
Pedro Cão, Desterro, 05/08/06
Nota: Pedro Cão é o pseudônimo de um amigo meu, que, modéstia à parte, escreve bem à beça. Publiquei-o porque endosso tudo o que ele diz. Abraços do MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 15h08
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CALABAR
É engraçado! Nunca engoli essa história. Desde a escola primária, quando fui apresentado a Calabar – “o traidor” – senti ali um cheiro de má-fé e alimentei estranha simpatia por essa figura.
Afinal, por que justamente ele, um dos poucos alfabetizados entre os soldados brasileiros, iria trair os portugueses? Não teria tido um motivo sério, algum tipo de intuição que o levasse a tomar tão drástica decisão?
E à medida que amadureci, fui vendo confirmado um conceito que hoje tomo como axioma: a história, como nos é ensinada, é a versão do vencedor. Eis um exemplo: Tiradentes, traidor para os portugueses, virou mártir e herói brasileiro. O mesmo não teria acontecido com Calabar, se os holandeses tivessem vencido...?
Resolvi escrever sobre ele depois de ler o livro histórico “CALABAR”, de Romeu de Avelar, publicado em 1938. Ali fica evidenciado, graças à pesquisa feita pelo autor com sobras da documentação da época, que o aludido traidor poderia ser visto como um herói. Bastaria, para isso, estudar-lhe a pessoa e analisar o espírito dos litigantes: Portugal e Holanda.
Segundo Nietszche, “a história não é feita de fatos, mas de interpretações”, e, segundo Napoleão, “não passa de um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo”. Já Samuel Butler diz que “como Deus não pode alterar o passado, é obrigado a depender dos historiadores”. Não é à toa que Millôr Fernandes, ao referir-se à Guerra do Paraguai, diz que “a história que nos foi contada aqui - na qual Solano Lopez é visto como um bandido - não é a mesma contada lá”, onde ele é um herói cultuado por todas as gerações de crianças guaranis. Segundo Avelar, “Calabar, depois de ter sido considerado o maior herói do lado português na defesa do Arraial do Bom Jesus, desertou das tropas de Matias de Albuquerque e passou-se para os holandeses, simplesmente porque, como legítimo patriota, concluiu que os interesses do Brasil estariam melhor servidos do outro lado.”
Escrito por MaGenCo às 15h10
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Palavras do autor: “Calabar era o maior soldado brasileiro e o mais temido. Arguto e determinado, vira sua raça aviltada pela escumalha invasora de Portugal. Afinal, que era, no mundo civilizado, o humilhado Portugal, dominado, à época, por Felipe IV da Espanha? Um país de piratas oficializados, gananciosos e sem consciência, que infestavam o Brasil, preavam os bugres, surravam e vendiam os negros, sempre de olhos fitos e cobiçosos no açúcar, nos diamantes, no pau-de-tinta, nas índias púberes”.
E Matias de Albuquerque? O que fez quando aqui chegou em 1629? “Patuscadas, comezainas, orgias com vinhaças. Sua corte dava abrigo a nobres traficantes de escravos, peralvilhos, padres e turinas. Albuquerque era um [...] egoísta, que [...] não cumpria a palavra quando estavam em jogo seus interesses particulares, [...] abandonando à míngua as mulheres e crianças das cidades [...] que perdia para os holandeses, permitindo que a escória saqueasse os armazens e ateasse fogo a tudo que não pudesse ser carregado”.
De acordo com Avelar, eis o que Calabar mandou dizer a Matias de Albuquerque:
“Dois anos de fidelidade e sacrifícios. E que recebi eu? Ingratidões, humilhações, prejuízos incalculáveis. Abandonei em Porto Calvo os meus negócios para acompanhar a bandeira luso-filipina no seu sonho de conquista peçonhenta dentro do meu próprio país. Mas, pelo que tenho presenciado e sofrido com os meus camaradas brasilienses, achei mais digno aliciar-me aos holandeses, mais civilizados, mais tolerantes, mais instruídos e menos cruéis. Sou o primeiro que se revolta contra o banditismo dos portugueses. [...] Escolho patrioticamente, entre dois conquistadores, o mais humano e culto. [...] Que direito têm Espanha ou Portugal sobre nós? Somos tratados como bichos. Os lusos [...] só querem explorar [...] o Brasil e fazer barriga nas indiazinhas. Não sou um traidor. Sou um homem de consciência e, por isso, um rebelde”.
Domingos Fernandes Calabar – o “traidor” da falsa História do Brasil – nasceu em Porto Calvo, Alagoas, em 1610. Informado antes [...], sabia perfeitamente que seu destino era a forca, quando, para evitar outras mortes, entregou-se ao inimigo [...].
Acredito que os alagoanos de Porto Calvo, que aprenderam a história contada por portugueses acobertados por padres e cronistas mentirosos, nada sabem sobre seu grande herói. Caso contrário, deveriam, em desagravo de sua memória, erigir-lhe, na praça principal, uma estátua que fosse, no mínimo, um palmo mais alta do que a cruz da igreja matriz...
Mário Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 15h09
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"POLONAISE", TÉCNICA MISTA SOBRE PLACA PRENSADA, HOMENAGEM A FREDERIC FRANÇOIS CHOPIN, QUE PINTEI EM 1985. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 15h08
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Vida de Médico
(Memória)
O pediatra de plantão na maternidade foi acionado às pressas. Mãe sadia, cesariana sem incidentes, mas a criança não respirava...
- Aspira! Rápido!! - ele exclamou, dirigindo-se ao anestesista, a voz enérgica e preocupada, após uma avaliação rápida.
- Já aspirei. Não adianta. Não é secreção. Tem uma coisa esquisita lá dentro.
- Então, entuba depressa, que eu vou chamar o otorrino.
Era madrugada de um sábado para domingo. O telefone explodiu como uma bomba no meio do meu sono.
- Alô!!
- Mário, é o Gabriel. Vem depressa! Um recém-nato que não respira. O Vicente não consegue entubar.
- OK. Já estou indo. Manda preparar o material de traqueotomia.
- Já mandei, mas vem logo, ou ele morre! O Gordini voava na noite fria. Quando cheguei, o Vicente havia realizado um milagre. Após várias tentativas frustradas de enxergar a via aérea, abrira um caminho às cegas. E o equipamento usado na entubação, - pasme o leitor(!) -, era uma sonda naso-gástrica, que, mal e mal, mantinha a criança viva.
Escrito por MaGenCo às 19h33
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O clima na sala era de tensão máxima. Os dois médicos lutavam freneticamente para ventilar aquele pulmãozinho heróico, que lutava pela vida sem saber por quê. Gorro jogado para trás, careca à mostra, a máscara pendurada sob o queixo, o anestesista suava em bicas. Seu peito forte e cabeludo arfava junto com o do paciente, quando me disse, a voz contida para não confessar a afobação que o dominava:
- Mário, abre isso logo.
Não perdi tempo. Com um único golpe de bisturi, incisei o pescoço e enfiei a cânula traqueal, que não media mais que um espeto de camarão à grega. Pronto! O oxigênio estava entrando! Que alívio! Que prazer! Relaxado, como se tivesse saído de um orgasmo glorioso, me arriei numa banqueta e perguntei:
- Qual era o problema?
- Há uma massa enorme na parede posterior da faringe. É um tumor - ele respondeu, tirando os óculos para coçar as pálpebras suadas. Fui olhar. De fato, estava lá aquela coisa dura, cor-de-rosa, lisa, abaulada, do tamanho de um ovo de codorna e riscada de pequenos vasos, ocupando todo o espaço. Fiz uma biópsia cautelosa, e a criança ficou sob cuidados intensivos. O laudo veio no dia seguinte: Neurofibroma. Benigno, por sorte, mas, naquela passagem estreita, era mortal.
Escrito por MaGenCo às 19h31
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Feita tão logo possível, a cirurgia foi um sucesso. Achei até fácil, embora, na véspera, não tivesse pregado olho. O tumor, preso à coluna cervical, era encapsulado e saiu inteiro. E o Fábio – pois era esse o nome do menino – foi para casa em perfeitas condições, afora a cicatriz da traqueotomia. Quando soube da vitória, que cabia aos três, o Vicente me telefonou:
- Mário, vamos almoçar juntos. Pra comemorar.
O Gabriel, também convidado, não pôde ir. E, como era um sábado, tomamos um porre em homenagem ao Fábio. Saímos abraçados, cantando pela rua.
- Que vergonha! Dois médicos bêbados - comentou alguém que passava.
Não estávamos de branco, mas, naquele tempo, éramos todos conhecidos na pequena cidade que começava a crescer.
Os anos passaram. Uma bela manhã, dezoito primaveras mais tarde, em 1983, deixei meu carro numa oficina e tomei um táxi para voltar ao hospital. Estranhei, quando o motorista, ao invés de dar partida ao motor, ficou me olhando de lado, com ar indeciso.
- O senhor não é o Dr. Mário?...
- Sou, sim, por quê?
- Eu sou o pai do Fábio. Lembra dele?
O médico sempre recorda seus dramas - pensei, mas não disse. E respondi:
- Claro que me lembro! Ele vai bem?
- Está com um metro e oitenta e cinco! Servindo "o" exército. Em Brasília.
- Não me diga!
- É guarda do Presidente..., no Palácio da Alvorada... - emendou, com orgulho.
- Não me diga!!
Mário Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 19h28
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FOGO !!!
Despertei, assustado, no meio da noite com a nítida sensação de que algo estava pegando fogo no apartamento. Passado o susto inicial – um desconforto quase físico, capaz de sugerir odores característicos – procurei racionalizar meus impulsos, concluindo, por fim, tratar-se de um pesadelo subconsciente, desses que não se recorda no momento seguinte.
Mesmo assim, antes de dar aquele amasso personalizado no travesseiro para voltar a dormir, agucei os ouvidos em busca de sinais sugestivos de combustão; estalidos, crepitações e ruídos que tais. Farejei em busca de cheiro de fumaça. O silêncio era total. O ar, inodoro. A impressão, todavia, não me abandonava, e tive de me levantar.
Sair debaixo das cobertas numa noite fria não é coisa que se faça sem justa causa. Mas aquela era uma. E caminhei no escuro em busca de faíscas numa tomada, de algo torrando sorrateiramente no lixo da véspera, de pontas de cigarro mal-apagadas no cesto do escritório. Testei a temperatura de conexões em aparelhos elétricos ou eletrônicos. Depois de minuciosa inspeção, abri as janelas, varri com os olhos e o nariz as janelas dos andares próximos. Aparentemente, tudo estava em ordem. Nesse meio-tempo, já inteiramente acordado e livre dos maus presságios, retornei ao quarto. Mas quem disse que consegui dormir? Começaram a me acudir pensamentos sombrios em torno da (in)segurança em que vivem moradores de prédios residênciais. Afinal, dependemos de tanta gente. Estamos sujeitos a tantos acasos. Quanta coisa ruim pode acontecer – e já aconteceu? Uma inofensiva bagana que escape dos dedos relaxados de um fumante cansado, que pega no sono à frente do televisor, pode dar início a um incêndio num tapete. Um ferro-elétrico pode ficar ligado sobre uma tábua-de-passar. Uma conexão mal-ajustada pode gerar calor. Um curto-circuito qualquer... Há um sem-número de possibilidades para as quais nem sempre estamos prevenidos. E estamos preparados? Somos todos capazes de reagir racionalmente numa situação de pânico?
Sei lá! Tais conjeturas negativas, quando nos acometem no meio da noite, assumem proporções fantasmagóricas, e, nessas horas, não temos condição de analisá-las com a necessária frieza.
Existe, de fato, aquele obrigatório extintor de incêndio, enorme, provido de uma baita mangueira enrolada (não raro puída por desuso), instalado nos corredores e protegido por um vidro selado, que deve ser quebrado em casos de emergência. Só que eu – como, acredito, você também – não saberia como manejá-lo e fazê-lo funcionar a contento em tempo hábil. E estou cansado de ouvir depoimentos de bombeiros que não puderam aproveitá-los por estarem imprestáveis.
Tudo isso somado, só consegui dormir depois de tomada uma decisão irrevogável: vou comprar um extintor de incêndio, desses que equipam automóveis – pequeno, não; tamanho médio... – e trazê-lo para dentro de casa. E o mais importante: aprenderei a manejá-lo. Sabem como? Sabem onde? No Corpo de Bombeiros. Vou solicitar uma aula prática. Acho que não a recusarão; afinal, o interesse é deles...
Resta saber se terei a necessária disciplina para mantê-lo viável, substituindo-o nos prazos de vencimento, como raramente faço com o do carro. Digo tudo isso baseado em experiência própria: quando pesadelos não passam de pesadelos, e a luz do dia, com sua claridade, nos devolve o otimismo burro em que nos iludimos, em geral jogamos para debaixo do tapete a maioria das sábias decisões “pessimistas” tomadas na calada da noite.
Agora pergunto: este artigo lhe pareceu inconveniente?
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 21h15
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"RIVIERA" - ACRÍLICA SOBRE TELA - REPRODUÇÃO DE FOTOGRAFIA DO ORIGINAL, CUJO AUTOR SE CHAMA MEZA - QUADRO DE MINHA FASE FIGURATIVA, PINTADO EM 1990 e CONSIDERADO COMO UM ESTUDO-TREINO - MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 18h52
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O SABICHÃO
(Pequena peça)
(Cena I: - No consultório)
- Seu filho precisa ser operado, dona.
- Operado, doutor? - pergunta ela, assustada.
- Das amígdalas e das adenóides... E ainda vai precisar de drenos nos ouvidos... - completa o médico, com serenidade.
- Mas não há outro jeito..., sem operar?
- Já fizemos várias tentativas..., mas ele não melhorou; continua com crises agudas freqüentes, dorme de boca aberta e já apresenta uma deformação na arcada dentária. Além disso, está ficando surdinho, não notou?
- Preciso conversar com meu marido, o senhor compreende...(?)
- Claro! Fique à vontade.
Mãe e filho somem. Não retornam. E o otorrino fica pensando: “Decerto, o pai do menino não concordou. Vai ver, leu na Veja ou viu no Fantástico alguma reportagem contra...”
Escrito por MaGenCo às 12h24
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(Cena II: - Na casa do paciente, alguns meses depois, toca o telefone. É a professora ligando pela segunda vez à mãe do menino)
- Seu filho está cada vez mais surdo. Será que a senhora não percebe? Ele não acerta um ditado! O que está esperando para levá-lo a um otorrino?
- Eu já levei, professora, mas ele indicou cirurgia...
- E daí? - exclama a outra, perplexa.
- E daí..., meu marido é contra. Diz que o tempo se encarrega de curar; que “hoje em dia não se opera mais isso”...
- Seu marido é médico?
- Não, mas...
- Olhe, se eu fosse a senhora voltaria ao médico. Ou ouviria uma segunda opinião. Mas uma coisa é certa: seu marido não entende de medicina. E se o menino ficar surdo?
- É, eu tenho medo disso... - confessa a mãe, preocupada.
- Escute..., diga a seu marido que eu mandei dizer que ele não é dono do ouvido do filho... - adverte a professora.
- Está bem..., vou conversar com ele de novo. Obrigada por seu interesse, Professora. Até outro dia. Perturbada, ela repõe, com olhar pensativo, o fone no gancho.
Escrito por MaGenCo às 12h23
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(Cena III: - À noite, o casal no quarto, na cama)
A pobre mãe, atormentada pela dúvida, não consegue pegar no sono e provocando uma conversinha de travesseiro, volta timidamente ao assunto:
- João, a professora do Fernandinho telefonou de novo.
- O que ela queria, desta vez? - pergunta ele, contrariado com a quebra de sua atenção na entrevista da TV.
- Dizer que ele tá ficando surdo...
- Surdo nada! Quando ele “qué”, ele escuta. Ela é que tá ficando doida - afirma o sabichão, aumentando, com o controle remoto, o volume do aparelho para encerrar a questão e o diálogo. Mas ela insiste:
- E se for verdade, João?
Generosa e solidária, ela transmite o recado da professora. Usa, entretanto, o plural, assumindo, assim, metade da responsabilidade e acrescentando, com convicção, embora, ao mesmo tempo, com humildade:
- Nós não somos donos do ouvidinho dele. Um dia, quando for adulto, ele pode nos culpar de não termos feito nada enquanto era tempo...
- Deixa que eu dou um jeito nisso! - retruca o sabichão com rispidez, mudando de posição e elevando mais ainda o volume para dar um basta definitivo à conversa.
Ela, sem alternativa, mas com a consciência até certo ponto aplacada, vira-se para o lado e trata de dormir, não sem antes avaliar os efeitos da discussão sobre o companheiro. É evidente, pela expressão, que o sabichão ficou preocupado com sua última advertência. Mas ele é "contra", e seu orgulho se revolta, embora a consciência o acuse.
Acabou o programa do Gordo. Ele desliga o aparelho e vira-se para o outro lado. Custa, contudo, a pegar no sono; não consegue deixar de ouvir, através da porta entreaberta, a respiração ruidosa do filho que dorme no quarto ao lado. E pensa:
“Será que esse raio dessa professora tem razão?”- E, finalmente, dorme com a indagação na mente.
Nem lhe ocorre pensar na razão do médico.
Ele é “contra médicos; eles só pensam em faca e em ganhar dinheiro...”
***
Mário Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 12h22
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