CARO VISITANTE, SE VOCÊ QUISER FAZER COMENTÁRIOS SOBRE AS MATÉRIAS AQUI PUBLICADAS E, POR QUALQUER RAZÃO, NÃO SE SENTIR À VONTADE PARA INSERI-LOS NO PRÓPRIO BLOGUE, POR FAVOR, DIRIJA-SE DIRETAMENTE A MIM PELO ENDEREÇO MAGENCO@TERRA.COM.BR OBRIGADO E UM ABRAÇO. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 12h10
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ARTE FRACTAL
Fractal é um conceito geométrico-dimensional de autoria do judeu-polonês Beniot Mandelbrot. É uma das bases da Teoria do Caos, que busca desenvolver uma nova forma de compreender e interpretar a complexidade crescente da Natureza. É, por assim dizer, uma ciência que propõe padrões de ordem na seqüência de causas e efeitos onde antes só o errático e o imprevisível eram observáveis. Seria, por assim dizer, uma tentativa de colocar lógica na aparente desordem dos fenômenos naturais.
O livro que tenho, de autoria de James Gleick, que aborda essa Teoria, parte de disciplinas matemáticas tradicionais e estuda diversos tipos de irregularidades supostamente desconexas, como as mudanças do clima, os terremotos, as erupções vucânicas, as arritmias do coração humano, as espirais de areia numa tempestade de vento num deserto, os caprichosos caminhos ascendentes percorridos pela fumaça de um cigarro que descansa na borda de um cinzeiro, os remoinhos de uma corrente de água e, assim por diante, toda a fenomenologia que sempre nos pareceu aleatória e inexplicável.
Segundo essa teoria, um aparente caos prevalece em todo o universo, e o conceito do fractal, que estaria por trás de tudo, veio estremecer as bases milenares da geometria euclideana. O fractal seria um valor dimensional e espacial sempre decrescente, que sudivide distâncias e valores cada vez menores no rumo dos limites mínimos do microcosmo espaço-temporal, sem nunca alcançar o fim, pois este corresponderia ao nada, e o nada, por definição, não pode existir; o nada é a inexistência...
Grosso modo, eu compararia o comportamento do fractal ao de uma dízima periódica, que cresce sempre descrescendo e nunca termina. Eis aí um pensamento que assusta e confunde qualquer mente matematicamente despreparada. E a minha, embora curiosa, é uma dessas.
Pois, em paralelo – e é isso que fascina – o estudo do fractal, juntamente com outro conceito igualmente complexo, chamado ‘atrator’ – que não teria meios de definir agora – parece estar dando margem a uma estranha forma de arte – a Arte Fractal – que, fundada em princípios cientificamente comprovados, descobre, produz e oferece imagens de uma beleza estética surpreendente. Trata-se de uma conquista do conhecimento científico que veio para ficar e irá fincar os pilares de uma insuspeitada ordem de estímulos visuais que jazem na intimidade estrutural da natureza que nos cerca.
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 20h56
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FOTOS DE ARTE FRACTAL, COLHIDAS NA INTERNET




DUVIDO QUE HAJA NO PLANETA UM ÚNICO PINTOR ABSTRATO QUE NÃO INVEJE O QUE FAZ A NATUREZA EM MATÉRIA DE ABSTRACIONISMO. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 20h55
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DESDOBRAMENTOS INESPERADOS
Ontem, no consultório, recebi um telefonema que me “encheu de bandeirinhas”. Não sei se vocês leram uma matéria que publiquei há algum tempo sobre os “Piercings”. Ali, contei a história de uma menina, moçoila acompanhada da mãe, que ostentava piercings na sobrancelha, na orelha, no nariz, no dorso da língua e, por incrível que pareça, uma argola pendurada na úvula. Isso, afora os que eu não vi porque sou otorrino e não examino as partes cobertas do corpo humano. Os que me leram, lembrarão também que lhe dei um baita susto, alertando-a para os riscos potenciais de tais penduricalhos; e que, com o aplauso incontido da mãe, “que já havia desistido”, ela saiu ressabiada. Pois bem. O tempo passou – cerca de dois meses – e eu já me havia esquecido da garota, que, na ocasião, dei como caso perdido de teimosia rebelde.
Escrito por MaGenCo às 21h25
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Eis que ela me telefonou ontem:
- Doutor Mario, é a Dóris. Lembra de mim?
- Olhe, desculpe, mas eu...
- Aquela que tinha uma argola na campainha...
- Ah, sim, claro que lembro. O que houve? Teve algum problema?
- É..., tive e não tive...
- Não estou entendendo...
- Fui expulsa da minha patota...
- E por quê?
- Porque tirei tudo...
- Não me diga! Tudo mesmo?
- Até da sobrancelha. E de lugares que o senhor não viu. Nem imagina...
- Não vi, mas imagino...
- Então, melhor ainda. E agora, eles não me aceitam mais.
- Pois fique sabendo que você nada vai perder com isso. E que eu fico muito feliz com sua decisão.
- Eu também. Agora tenho mais tempo pra estudar e estou conhecendo gente muito melhor. Estou até estudando pro vestibular.
- Parabéns!
- E, em homenagem ao senhor, que me ajudou tanto, vou ser médica.
Nesse momento, surgiu outra voz no fone:
- Doutor, não sei como lhe agradecer. Nós todos estamos tão felizes. Meu marido, então, não cabe em si de contente.
- Eu também estou. Fique certa disso.
- Um beijo pro senhor.
- Pra vocês também.
Valeu. Ganhei o dia. A semana. O mês. Isso também é medicina.
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 21h23
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PIETÁ DE MICHELANGELO

ALGUÉM TEM DÚVIDAS DE QUE ESTA É A PIETÁ DE MICHELANGELO, HÁ 500 ANOS (1498) ENTRONIZADA NA CAPELA DO VATICANO E HOJE PROTEGIDA POR UMA LÂMINA DE VIDRO À PROVA DE BALA, DESDE QUE UM MALUCO LHE QUEBROU A PONTA DO NARIZ? POIS NÃO É! ELA ESTÁ AQUI PERTINHO, NA IGREJA MATRIZ DE URUSSANGA, UM PROGRESSISTA E ORDEIRO MUNICÍPIO CATARINENSE. É UMA RÉPLICA (EM TAMANHO REAL), PRESENTE DO GOVERNO ITALIANO À COMUNIDADE, CUJA POPULAÇÃO É DE PROVENIÊNCIA ITALIANA EM SUA MAIORIA. VÃO VISITÁ-LA. UMA OBRA-PRIMA QUE A TV GLOBO NÃO DIVULGA. MARIO GENTIL COSTA
Escrito por MaGenCo às 18h23
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VIVENDO NO NADA
Vivemos apenas no presente, que é o momento. Ora, o momento não é mensurável. O que eu acabei de dizer agora, já é passado. O que vou dizer em seguida, é futuro; ainda não foi dito. Assim, o que é passado, não existe mais. O que é futuro, também não existe; ainda não chegou. Isso significa que o momento, o agora, o instante não tem dimensão; portanto, o momento é nada, e nada não existe.
Conclusão: se o passado não existe por que já passou; se o futuro também não existe porque ainda não chegou; se o agora não existe porque não tem dimensão, sou forçado a concluir que vivemos no nada.
Quer uma prova? Então, vá subdividindo o tempo até onde sua imaginação alcança: metade do segundo, metade da metade e assim por diante. Você o irá encurtando até um limite inconcebível, como uma dízima periódica que nunca terá fim, mas que sempre caminhará para o nada. E o nada não existe.
Pois nós vivemos nesse nada. Esta pode ser uma constatação esmagadora, mas é verdadeira. E, ainda assim, somos tão orgulhosos da nossa concretude.
PS: Este foi meu madrugal de hoje. Se amanhã isto me(lhe) parecer uma bobagem, perdoe; foi um pesadelo...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 15h22
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FÉ DEMAIS
Eu tinha 15 anos e vivia sob o jugo da influência do meu avô, católico intransigente, e dos padres jesuítas do Colégio Catarinense. Ali, durante o curso ginasial, assistira a maçantes aulas de uma disciplina intitulada “Apologética Religiosa”, fundamentada num manual que os alunos eram obrigados a decorar e que ostentava na capa o ambicioso título “As Provas da Existência de Deus”,
Nessa época, na igreja que eu freqüentava, havia um padre, tido como muito culto e muito devoto, que certa vez, numa conversa informal, me fez a pergunta que, por assim dizer, determinaria os rumos da minha conduta definitiva:
- Por que você crê em Deus?
Confesso que, à época, eu vinha sendo assediado por questionamentos que me tiravam o sono. Os impulsos naturais da idade, com seus anseios inadiáveis, me tiravam a paz de espírito, e eu vivia esmagado sob o peso das medonhas conseqüências do pecado e do implacável castigo eterno. Mesmo assim, afirmei sem maiores cogitações:
- Porque Deus é obrigatório.
Notei-lhe a expressão de espanto e, ao mesmo tempo, de satisfação, quando emendou outro por quê(?). E eu completei:
- Porque o universo não pode existir por si mesmo. Todo efeito tem sua causa...
Notei sua decepção, como se esperasse de mim uma resposta mais inteligente. Tal reação, entretanto, serviria para me despertar a curiosidade. E passei a analisar minha resposta irrefletida. Mas acabei sepultando as dúvidas por algum tempo, até que, aos 18 anos, me mudei para outra cidade, a fim de fazer meu curso de medicina. E ali, de tanto meditar sobre a terrível questão, tive, plena madrugada, o estalo que mudaria minha vida: a lei da causalidade, vista em sua essência, exigia outro Deus para criar Deus. E assim por diante, numa espécie de regressão infinita. Por que, então, não concluir que o universo sempre existira e dispensava um criador? O universo era o ser, a existência em si, o contrário do não-ser, do nada. Quem sabe, até, o verdadeiro Deus? Pronto! Como pudera ser tão ingênuo? Ainda assim, me congratulei pela descoberta definitiva. Enxergava agora um horizonte, uma perspectiva, um ponto de fuga. Muito mais lógico. Muito mais justo. E passei a ter mais respeito por mim mesmo. Sobretudo, aquela luz iluminara meu caminho e me livrara, de uma vez por todas, dos maus presságios da minha vida ‘pecaminosa’. Estava estabelecido, de forma irrevogável, meu rompimento com o Deus Criador ‘obrigatório’.
De imediato, sem que meus pais soubessem, parei de freqüentar igrejas. E possuiu-me uma inefável leveza interior, nunca antes experimentada.
Nas férias imediatas, procurei o dito padre e lhe comuniquei a grande revelação. Qual não foi minha surpresa, minha absoluta estupefação, quando, despindo-se por instantes das conveniências que sua condição de pregador religioso aconselhavam, ele exclamou, sem querer:
- Puxa, minha idéia, desde aquele dia, era de que você tinha mais fé do que eu...
Percebe o leitor o que está implícito nessa confissão impensada? E ele continua sendo padre. Isso eu nunca entendi nem perdoei...
Mário Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 20h17
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O BRASIL OCUPANDO O CENTRO DO PLANETA. - UM SONHO, UMA QUIMERA SÓ NÃO MAIS ABSURDA QUE AQUELA DA TERRA COMO CENTRO DO UNIVERSO, SUSTENTADA PELA IGREJA CATÓLICA, E EM NOME DA QUAL GALILEU, SE NÃO ABJURASSE, TERIA ASSADO NA FOGUEIRINHA DO SANTO OFÍCIO. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 20h21
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O TERCEIRO MILÊNIO
Eis um tema que sempre me fascinou: - a chegada do terceiro milênio. Fomos os testemunhos vivos do fato. Por isso, tivemos, em relação a ele, enorme responsabilidade no transcurso do tempo.
Todavia, dois mil anos, no caso, é uma medida "relativa", uma contagem baseada no suposto ano do nascimento de Cristo, do qual ninguém tem certeza e com o qual nem todos os estudos religiosos concordam; li algures que Ele teria nascido seis anos antes e, se foi assim, o que restou da data?
Contudo, valeu o calendário. E prevaleceu a influência dos "milenistas", muito dados a predizer catástrofes apocalípticas, como, segundo consta, aconteceu no período anterior à passagem do ano 1000.
Esquecem esses "profetas de plantão" que o tempo é uma dimensão cósmica contada convencionalmente com nossos relógios, pois "logo ali" – como diria o nativo ilhéu em sua simplística avaliação de distâncias – em Júpiter, o dia, dada a rápida rotação do enorme planeta em torno do próprio eixo, dura só 10 das nossas horas, e o ano, em virtude da sua órbita mais afastada do Sol, dura 12 dos nossos.
Mesmo assim, disseram eles, estivemos sujeitos, por um irado pré-determinismo divino, aos mais ciclópicos dilúvios, que viriam punir os nossos acumulados pecados “não mais originais”, lamentáveis crendices que não encontram mais guarida no atual estágio do conhecimento.
Preciso deixar registrada minha opinião sobre tudo isso para não ser misturado à massa comum que sempre foi e será o alvo de gurus e adivinhos, ansiosos por tirar proveito material da credulidade coletiva.
Nem parece que vivemos na era da informática, da astrofísica e da realidade virtual. Nossos ancestrais, que viveram no ano 1000 – aqueles sim! – não tinham alternativa, subjugados pelo obscurantismo religioso católico, bárbaro e medieval, sem poder expressar opinião, com medo das represálias dos papas e cardeais ignorantes e prepotentes, donos da 'verdade da época'.
Nós, ao contrário, temos a obrigação de pensar. E se não quisermos ser vistos pelas gerações futuras como "farinha do mesmo saco", temos que dar nosso testemunho de que nem todos acreditamos em búzios, tarôs, dogmas, profecias, revelações e todas as charlatanices congêneres que seria fastidioso enumerar.
E, por ilação, como pensei no ano 1000, projeto-me agora ao ano 3000. Será que a humanidade do futuro já se terá livrado dessas influências espúrias e estará finalmente integrada na obrigatória visão científica que o amanhã nos reserva?
Ou ainda existirão os milenistas a profetizar cataclismos punitivos que reconduzirão os seres humanos à vexatória condição de descendentes e cúmplices involuntários do ridículo "pecado original" de um Adão e de uma Eva imaginários, ou de vítimas predestinadas de uma raiva divina inconcebível, a abater-se com crueldade infinita sobre simples viventes que não têm qualquer noção, e muito menos, culpa de suas próprias origens?
Mário Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 20h13
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ESTE FOI O FOGUETÃO QUE ME ACORDOU
IMAGINEM O ESTAMPIDO
Escrito por MaGenCo às 21h54
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O FOGUETEIRO DA MADRUGADA
São quatro e meia da madrugada e estou aqui a escrever. Perdi o sono após o absurdo estampido de um rojão, daqueles de estremecer vidraças, nas proximidades do meu edifício. A princípio, pensei que fosse outra coisa. Sei lá..., alguma explosão acidental, talvez um curto-circuito no transformador da esquina.
Levantei-me assustado e abri a janela do 11º andar. Tudo quieto, tudo calmo. Varri o horizonte com os olhos até onde minha visão alcança, limitada pelos paredões dos prédios ao redor. E eis que, de repente, vinda de algum ponto nas cercanias, surge no céu escuro e límpido, vagando silenciosa e inocente ao sabor da brisa que soprava de nordeste, uma nuvenzinha solitária em tons de azul-claro, concentrada e amorfa.
Irremediavelmente acordado, pus-me a analisar o que leva um indivíduo supostamente normal ao desvario incontrolável de provocar, sem motivo algum, um estrondo tão desproposital na calada da noite.
Será que esse “cidadão” existe? Será que ele “pensa”? Invertendo a conjetura de Descartes, eu diria que “existe, logo pensa”. Pensa porque teve a idéia; - porque riscou o fósforo e ateou fogo ao pavio; - porque premeditou; - porque, ao fazê-lo, antegozou algum tipo de prazer mórbido.
Pensa, portanto, nem que seja de modo rudimentar, quase irracional. Digo “quase”, já que um irracional absoluto seria incapaz de elaborar toda a seqüência de projeções e de gestos exigidos por tamanho desatino.
Será um louco? Ora, o louco é um inconseqüente. Não..., decerto não é um louco. Então, o que ele é? Um gozador?... Tampouco. Gozação tem hora e tem lugar. É um moleque?... Não. O moleque não é, necessariamente, mal intencionado. Esse indivíduo é, isso sim, um delinqüente, dono do mesmo sadismo intrínseco que faz o torturador, que faz o estuprador...
Sabido que a surdez é um mal que atinge pouco mais de dois por cento da população, por certo não fui eu o único a acordar sobressaltado. E a um estampido daqueles..., não há sono profundo que resista. Fiquei imaginando alguém que sofra de insônia e tenha pegado no sono um minuto antes...; uma mãe que acabe de embalar o filhinho e feche os olhos para descansar...; os enfermos de um hospital...; algum trabalhador com o sono atrasado e que tenha de acordar meia hora adiante...; enfim, todos os que podem ter sido sacudidos pela explosão.
Escrito por MaGenCo às 20h58
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E já que perdi o sono, resolvi protestar à minha moda. É pena que ele não leia o que estou escrevendo. Talvez conseguisse refrear seu impulso animalesco da próxima vez em que for acometido. Mas é improvável; uma pessoa dessa espécie não lê... ou não lê coisa que preste...
Aliás, estou convencido de que o fogueteiro não é uma pessoa; é uma praga que está se alastrando de modo descontrolado. Há os que, simplesmente, soltam rojões na madrugada; esses são os legítimos, os genuínos, os específicos, caso do nosso personagem anônimo.
Há os fogueteiros ambulantes, verdadeiros notívagos motorizados, em correria desabalada pelas ruas e avenidas, a encher o silêncio da noite com suas descargas abertas. Há, ainda, os que fazem berrar suas buzinas estridentes nos inevitáveis congestionamentos do trânsito nas horas de pique.
Não esquecer os fogueteiros dos estádios de futebol, que, com suas bombardas e fumaças coloridas, põem em risco a vida alheia, tiram a visibilidade das transmissões de televisão e criam para os atletas uma atmosfera irrespirável durante boa parte do jogo.
E mais uma infinidade de sucedâneos que nem merecem classificação porque já são, por si mesmos, desclassificados.
Há poucos dias, espremido numa dessas filas de trânsito congestionado, surpreendi-me a olhar pelo retrovisor na esperança de estereotipar o fogueteiro que se achava logo atrás, a comprimir, com expressão furiosa e desfigurada, sua buzina ensurdecedora. Mas logo desisti. O aludido “cavalheiro”, visto assim a distância, parecia um tipo comum, inaparente, insuspeito como eu ou você.
E me convenci de que, conquanto seja uma desgraça pública, ele é uma calamidade sem rosto, uma abstração. A única diferença entre ele e o cidadão de verdade é o barulho que faz..., algo concreto..., que sacode meus tímpanos de forma cruel e me faz sofrer.
E como não há meios de coibir ou punir abstrações, ou eu aprendo a conviver silenciosamente com esse castigo irrevogável ou, então, entro na dança e viro fogueteiro também.
Buuuuuuuuhhhhhhhhmmmmmmm!!!...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 20h57
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O MENINO QUE AINDA EXISTE DENTRO DE MIM
Eu era um garotinho quando terminou a Segunda Guerra Mundial. Lembro-me, como se fosse hoje, das fotos dos jornais e das revistas estampando, em preto-e-branco, o retorno glorioso dos soldados brasileiros que haviam lutado na campanha da Itália. Um desses era o meu primo Hildebrando, que, ao chegar, desfilou de muletas pelas ruas da cidade com a perna esquerda envolta em gesso, conseqüência do estilhaço de um disparo alemão na tomada do Monte Castelo.
A altiva figura do vencedor, vista assim de perto, deixou-me fascinado e, por algum insondável mecanismo de conversão que perdurou até a adolescência, toda perna gessada que cruzasse meu caminho tinha o poder de um sortilégio fugaz que repetia o passado, como se fosse o troféu de guerra de um novo herói.
Aquela maravilhosa envoltura branca me parecia o requinte, a culminância da glória. Invejava o prazer de poder escrever coisas naquela armadura, - marcar datas, desenhar caricaturas, receber autógrafos dos amigos e familiares que me rodeassem. Devia ser uma alegria poder guardá-la como um estandarte conquistado a duras e dolorosas penas nos campos de batalha. Mas nunca fui para a guerra e jamais quebrei um único osso. Em virtude disso, amarguei, naquele curto período da vida, um inconfessado desapontamento.
Lembro que, certa vez, de tanto pensar no desejo reprimido, vivi a tentação de provocar uma fratura, já que não tinha a “sorte” de sofrê-la. Mas me faltou coragem. Tive medo da dor. Ocorreu-me, então, a idéia de convencer um ortopedista a instalar-me numa perna aquela esplêndida peça. Já me via manquejando pela praça, com a bengala de castão de prata que pertencera a meu avô. De novo desisti quando cheguei à conclusão de que o médico se recusaria e de que meus pais, mesmo sem ser supersticiosos, não concordariam com a molecagem.
O disparate foi, aos poucos, sendo sepultado nos porões da memória. Anseios mais robustos e inadiáveis, novas prioridades, encantos mais justificados e consistentes foram tomando forma e substância em meu espírito e ocupando por completo o espaço restante. E acabei por sufocar os devaneios da idade. Os anos passaram, veio a maturidade, vieram os cabelos grisalhos, e o fato é que nunca tive ocasião de ostentar aquela vistosa medalha de guerra que tanto havia excitado a minha fantasia.
Dia desses, penetrando, como um sonâmbulo, as teias desse jazigo de reminiscências, vi-me a remexer as sucatas do tempo e, vasculhando a esmo, desencavei, de uma prateleira coberta por espessa camada de bolor e de poeira, meu sonho estapafúrdio.
Pude até racionalizá-lo. Mas o engraçado é que até hoje, quando deparo, nas ruas ou no hospital onde trabalho, com uma perna gessada e uma muleta, volto a sofrer, nem que seja por instantes, os efeitos retardados da minha frustrada extravagância juvenil.
São esses, decerto, os ecos do imaginário daquele menino que teima em existir dentro de mim...
Mário Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 21h40
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O PERFIL SEM JAÇA


Na extensa galeria das mulheres mais belas da
história do cinema, houve uma que, a meu ver,
ostentou, no esplendor da mocidade, o perfil
mais harmonioso entre todas: Grace Kelly.
De um ponto de vista puramente plástico, esse
requinte de excelência estética decorreu, em
grande parte, da estrita obediência do acaso a
certos cânones geométricos relacionados ao
que a anatomia humana chama de ângulos
naso-frontal e naso-labial, que, pelos padrões
habituais, devem resultar obtusos com pequena
margem de variação. Pois o perfil dessa atriz
não apenas seguia esses parâmetros, como os
excedia e elevava a um nível tão diferenciado e
exclusivo, que, se poderia dizer, serviria de
modelo supremo para qualquer cirurgião que
busque a perfeição. O nariz de Grace Kelly, além
de absolutamente centrado e com volume e
largura proporcionais ao conjunto, chegava,
ao contrário do que se vê em muitas mulheres
bem operadas, ao cúmulo de arriscar um
levísssimo arqueamento no dorso - fugindo à
tradicional e rotineira “pontinha arrebitada” –
além de exibir uma estonteante e perturbadora
curvatura positiva em seu segmento inferior.
Tudo isso, aliado a uma boca nobre, a um queixo
forte na justa medida e a uma testa alta e insigne,
fazia dessa mulher a estampa pronta, acabada e
irretocável de uma obra-prima da natureza. Por
isso, desde as minhas mais priscas eras, elegi-a
como a silhueta facial mais formosa do planeta
e não tenho dúvidas de que Michelangelo a
escolheria, entre milhares, para esculpir sua Pietá.
OLHEM MAIS UMA VEZ ACIMA E VEJAM SE NÃO TENHO RAZÃO
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 22h31
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AS CARTAS
Houve um tempo em que a comunicação interpessoal se fazia por meios mais prosaicos, que eram as cartas. Hoje, um simples apertar de botões nos leva, num instante, ao outro lado do mundo.
Não querendo recuar muito – pois as cartas são bem mais recentes que os sinais de fumaça com que os antigos se entendiam através do horizonte; ou que o cavalo, durante séculos, o grande intermediário da convivência humana – existiam, basicamente, três veículos capazes de transportar informações: o primeiro era o correio, já então levado por aviões ou através de trens e estradas ou ainda por mar; o segundo era o telégrafo, teoricamente instantâneo, todavia sujeito às demoras e deficiências do sistema de entrega através de mensageiros; e o terceiro, em casos de extrema urgência, era a boa-vontade de algum rádio-amador.
Foi nessa época, lá pelos anos cinqüenta, que deixei a casa dos meus pais para estudar fora.
Cheio de esperanças e ansiosas expectativas, comunicava-me com a família através de cartas e, para isso, ganhara de meu pai uma máquina portátil marca Royal com que acabei me tornando um missivista sistemático. E minhas cartas, além de conter o noticiário que atendesse às preocupações básicas da família, me permitiam analisar, com crescente profundidade, impressões que normalmente, em função de meu temperamento reservado, nunca haviam sido expressadas a viva-voz. Essa prática inconsciente teve o mérito de provocar em meus pais uma reação semelhante, e o resultado foi que passamos a dizer-nos coisas que jamais haviam sido ditas pessoalmente. É engraçado; tínhamos convivido anos a fio na mesma casa e só viemos a nos conhecer de fato quando a geografia nos separou.
Parece, portanto, que as cartas, geradas na solidão e no silêncio da distância, tornam mais fácil e menos embaraçosa a abordagem de sentimentos mais contidos. Elas têm a vantagem de permitir sua análise mais profunda sem os inevitáveis constrangimentos de um diálogo face-à-face, especialmente quando pais e filhos se acostumaram, por timidez de temperamento, a reprimir, no contato diário, demonstrações mais ostensivas de afeto.
O correio eletrônico suplantou as cartas tradicionais. Mas o fato é que elas foram, por séculos a fio, o vínculo que mais desvendou o íntimo das relações humanas.
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 20h56
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LAVOISIER E ESPOSA

LAVOISIER NO LABORATÓRIO, NUM DOMINGO
Escrito por MaGenCo às 19h07
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CATANDO PALAVRAS
Diante de mim, um jornal aberto. Milhares de palavras. De repente, me ocorre a pergunta: “Se os grandes pensamentos se expressam em palavras simples, conhecidas de todos, por que são tão raros?” E a resposta: “Difícil é agrupá-las para dar à luz uma idéia original”.
Em seguida, lembrando Lavoisier, começo a compor sua frase famosa na folha impressa.
Já na manchete, pincei a palavra “natureza”.
O resto foi fácil. O «Na», achei de saída. O «nada» também. Mais abaixo, pesquei o «se cria». De imediato, catei o segundo“nada” que logo juntei a um «se perde», perdido num canto.
Faltava o «tudo se transforma», que montei aos pedaços. Pronto! Tinha ali, irretocável, o dito completo: «Na natureza nada se cria, nada se perde; tudo se transforma».
Foi facílimo. Todavia, até que brotasse, lá por 1790, esta estupenda sentença, que insinua até especulações filosóficas, exigiu do autor um esforço inaudito.
Agora, leitor, viajemos no tempo. Imaginemos um acanhado laboratório. Um porão insalubre na Paris do tempo da Revolução Francesa. Uma lamparina acesa. A escrivaninha atulhada de manuscritos abertos. A mesa coberta de frascos e retortas ligados por conexões de traçado caprichoso. Os líquidos borbulhantes. As fumaças coloridas subindo em loucas espirais. O cheiro do enxofre, do ácido sulfídrico. O ar empestado.
Nesse cenário soturno, um homem só: calças justas, pernas finas, camisa folgada, aberta ao peito; suor, mangas arregaçadas, cabelos ralos na calva grisalha, precoce. Lápis na orelha. Um caderno com anotações. Um olhar inquisitivo a mover-se dos livros para os tubos de ensaio.
É o benfazejo gigante chamado Antoine Laurent de Lavoisier. De dia, mero funcionário público. De noite, gênio enclausurado nessa masmorra pestilenta, absorto em cálculos enigmáticos, a buscar respostas para os mistérios que lhe desafiam a curiosidade, a invadir e vasculhar a ciosa intimidade da química elementar.
Prevendo a inveja de seus orgulhosos pares, ele gastou anos de experiências para defender sua tese na Academia de Ciências de Paris. Mas deixou, afixada no panteão da história, a descoberta de um dos pilares que sustentam o Universo: - a suprema lei da conservação e da indestrutibilidade da energia e da matéria.
Que valores o fizeram escalar cumes tão altos? A dúvida e a curiosidade científica; o talento e a genialidade que o distinguiam dos mortais comuns como eu ou você, caro leitor, que em míseros segundos somos capazes de lhe repetir as palavras - catadas de uma folha de jornal - mas não saberíamos reuni-las para desvendar uma verdade eterna.
Aí está o segredo: os números, as palavras, as notas musicais, as cores do arco-íris, a matéria-prima e as grandes idéias estão todos aí, no espaço e no tempo, à nossa disposição.
Mas poucos são Lavoisiers, Mozarts, Michelangelos, Newtons ou Einsteins, aptos a dispô-los de forma a produzir obras-primas ou conceitos que tragam, na essência, a vocação da imortalidade.
Mário Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 18h33
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RITA HAYWORTH
Em homenagem à minha amiga Shirley Horta - http://mataador.blogspot.com - trago-lhes hoje uma pequena e seleta coleção de fotos dessa que também foi uma das mulheres mais belas da história do cinema. MaGenCo




Escrito por MaGenCo às 17h53
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SÃO GALILEU GALILEI
O homem
Astrônomo, físico e matemático italiano, Galileu viveu quase oitenta anos, de 1564 a 1642. Fundador da ciência experimental na Itália, descobriu a lei do isocronismo das oscilações do pêndulo, inventou a balança hidrostática e o termômetro, tendo finalmente alcançado o apogeu da glória ao montar a primeira luneta. E é graças ao sucessivo desenvolvimento dessa genial invenção, que o fabuloso telescópio espacial Hubble está hoje fotografando galáxias e buracos negros a bilhões de anos-luz.
Galileu Galilei ou "galileu da galiléia", esse homem extraordinário, gênio dos maiores, que era cristão e tinha nome de cristão - pois "galileu" era o designativo dos adeptos do cristianismo dos primeiros tempos - foi professor nas universidades de Florença, Pádua e Pisa, onde estabeleceu os princípios da Dinâmica e, além disso, dedicou-se a um profundo estudo da fenomenologia das vibrações sonoras.
Com sua "luneta", como chamava humildemente seu pequeno telescópio de 32 aumentos, descobriu os satélites de Júpiter, os anéis de Saturno, as fases de Vênus, as manchas solares, as crateras e montanhas da Lua. Reuniu esses fantásticos achados em um livro que intitulou "Dissertação sobre os Astros", publicado em 1610, e ainda deixou toda uma extensa obra escrita, quase uma enciclopédia científica com mais de 20 volumes, posteriormente trazida a público em Florença, e que serviu de modelo e fonte de consulta a muitos dos seus contemporâneos e sucessores pelo mundo afora. Também foi ele quem demonstrou, em inédito experimento realizado no alto da Torre de Pisa - e definitivamente gravado na história das ciências - que "corpos de pesos diferentes caem com a mesma velocidade no espaço", abalando, para espanto de uma atenta e seleta platéia de sábios e ilustres observadores convidados para a ocasião, os principais alicerces da física aristotélica, intocados havia mais de mil e quinhentos anos, para demonstrar, de uma vez por todas, que as ciências naturais são, por excelência, experimentais.
Escrito por MaGenCo às 21h47
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O sentido essencial da santidade
Eu ousaria dizer que, se considerarmos sua inestimável contribuição para o progresso do intelecto, Galileu Galilei foi muito mais que um herói...; ele foi um santo no mais genuíno sentido da palavra, pois santo é fundamentalmente o homem que tem pureza e grandeza de espírito; santo é o homem que dedica a vida à busca incessante da verdade, esteja ela onde estiver, mesmo que oculta sob a capa das inaparências e contrária aos interesses das hegemonias constituídas.
Tardia e supérflua redenção
E o tempo, em sua inalterável dimensão cósmica, absolutamente indiferente aos desígnios e desejos do homem, encarregou-se de lhe dar razão. Tanto que, recentemente, passados mais de trezentos e cinqüenta anos, acaba de ser publicamente redimido pelo Papa, num reconhecimento confesso de que a condenação do "infalível" Santo Ofício foi absurda, e constituiu, sobretudo, um lastimável erro de justiça que ficará para sempre inapagado na história da humanidade.
Até hoje, seu nome imortal e o trágico relato de sua luta com o Vaticano são motivos de verdadeiro fascínio e prendem a imaginação dos homens. Não há dúvidas de que Galileu, com os mínimos recursos do seu tempo, fez muito mais que descobertas...; ele fez milagres!...
O aplauso divino
Restaria agora à Igreja de Roma, que já canonizou tantos santos de muito menor e mais duvidoso merecimento - tanto que já "cassou" alguns - consagrar mundialmente o arrependimento do seu erro secular canonizando Galileu Galilei, único gesto de reparação digno e capaz de compensá-lo da humilhação e da desonra a que se viu exposto em vida. Mera utopia que, se acontecesse, certamente o próprio Deus aplaudiria.
Em todo caso, tal confirmação é absolutamente desnecessária, posto que a legítima santidade é uma vocação inata que dispensa canonizações humanas; o verdadeiro santo, ou já nasce santo, ou se torna santo ao viver.
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 21h45
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GALILEU GALILEI

Roma, 22 de junho de 1633. O Tribunal da Inquisição pronuncia a condenação de Galileu Galilei (1564-1642). Eis a sentença dos "santos" padres do tribunal "infalível":
"... Dizemos, pronunciamos, sentenciamos e declaramos que tu, o dito Galileu, em função dos assuntos aduzidos em julgamento e por ti confessados, chegaste ao julgamento deste Santo Ofício veementemente suspeito de heresia, nomeadamente, de ter sustentado e acreditado na doutrina --- que é falsa e contrária às sagradas e divinas Escrituras --- segundo a qual o Sol é o centro do mundo e não se move de Oriente a Ocidente, e a Terra se move e não é o centro do mundo; e que conseqüentemente incorreste em todas as censuras e penalidades impostas e promulgadas nos sagrados cânones e outras constituições, gerais e particulares, contra tais delinqüências. Das quais entendemos que sejas absolvido, desde que, primeiro, com coração sincero e inabalável fé, abjures, maldigas e detestes diante de nós as ditas heresias e erros e qualquer outro erro e heresia contrária à Igreja Católica Apostólica Romana, na forma por nós prescrita. E, para que este teu grave e pernicioso erro e transgressão não fiquem impunes e para que sejas mais cauteloso no futuro e um exemplo para que outros se abstenham de delinqüências similares, determinamos que o livro «Diálogos" de Galilei seja proibido por édito público. Condenamos-te à prisão formal deste Santo Ofício durante o tempo que entendermos, e para fins de salutar penitência, determinamos que durante os três anos que se seguem, repitas uma vez por semana os sete salmos penitenciais. Reservamo-nos a liberdade de moderar, comutar, ou retirar, no todo ou em parte, as ditas punições e penitência... ".
Nota: Assim, de forma inquisitorial, draconiana e incompetente, a Igreja Católica perpetrou um crime contra a verdade, que o tempo se encarregou de comprovar. O próprio pedido de perdão do papa João Paulo II foi pronunciado 'em nome dos católicos' - e não da própria instituição - como se os adeptos crédulos fossem responsáveis pelos erros dos seus representantes todo-poderosos. A culpa foi só do Vaticano, e esse diplomático gesto de contrição, feito em nome de conveniências históricas, não redime ninguém.
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 21h28
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A PALAVRA
Este pequeno artigo tem múltiplas razões de ser. A primeira é o fascínio que a palavra sempre exerceu sobre mim, tanto a escrita quanto a falada. A segunda vem da necessidade de exprimir algumas idéias a respeito, produto de uma constatação comparativa que me ocorreu esses dias ao ouvir um comentário que me surpreendeu: alguém me disse que assistiu na TV a uma entrevista com Roberto Pompeu de Toledo, o grande articulista da última página da Veja, que sempre tive na conta de um profundo conhecedor da palavra. Eis o que me disse a aludida pessoa:
- Eu fiquei decepcionado. Ele pode escrever bem, mas não sabe falar...
- Você deve estar brincando.
- Brincando nada! Parece outra pessoa. Tem dificuldade de expressão. Não tem brilho algum.
- Sabe que eu fico triste ao saber disso?
E fico mesmo. Nunca imaginei. Claro, tudo depende do senso crítico do meu interlocutor; bem pode acontecer que o indigitado não fale tão mal assim. Mas, pensando bem, agora que já absorvi a notícia, esse fenômeno acontece, até mesmo no sentido contrário. E é mais comum do que se pensa.
De fato, conheço um articulista de jornal e TV que fala muito bem, inclusive de improviso, mas na hora de escrever, parece outra pessoa. Mistura os pronomes pessoais - tu com você - não sabe usar a vírgula, é cheio de cacoetes verbais, não tem o menor estilo, em suma, é um desastre.
A que atribuir esse paradoxo? Só mesmo apelando para a neurologia. Não sou especialista nessa área, mas estou informado de que os centros da palavra falada e escrita, embora correlatos, são separados anatomotopograficamente. Tanto isso é verdade que, conforme a localização e a gravidade de um AVC, podem ocorrer lesões conjuntas ou estanques, inclusive de uma terceira função: a capacidade de ler.
A perda da fala se chama ‘afasia’; a da escrita se chama ‘agrafia’; e a da leitura, ‘alexia’.
Restringindo-me às funções falar e escrever, são raras as pessoas que conseguem atingir a perfeição em ambas. O mais comum é serem melhores numa que na outra. De resto, não sei qual delas é a mais difícil. Aliás, sei, mas de um ponto de vista inteiramente pessoal - embora tenha dado aulas na universidade por 30 anos sem me comprometer, nunca me arriscaria a um improviso solene.
Dizem que Machado de Assis teria declarado: - "O grande escritor não é, necessariamente, um bom orador". Mas segundo é voz corrente, ele era meio gago. E nesse caso, embora suspeito, está justificado...
Agora eu pergunto: o que é mais difícil? Escrever ou falar?
Para mim, falar é mais difícil que escrever. Mas quando digo ‘falar’, suponho falar com correção, estilo, fluência, graça e conteúdo. Ou seja, acho que falar bem é mais difícil que escrever bem. Fácil é fazê-los mal. Isso, qualquer um faz; basta não ter nascido surdo-mudo e ser alfabetizado.
Já conheci os dois extremos: um, que sobrevive com não mais que 300 palavras basais; outro, que além de ter sido um profundo conhecedor da nossa língua, deixou seu testemunho num livro, intitulado “A Palavra”, que guardo comigo em lugar de destaque. Desse, eu posso citar o nome: Nereu Corrêa; do outro, claro que me calo...
Mas ainda pretendo voltar ao assunto.
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 22h57
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DORIS DAY, UMA DAS MINHAS SAUDADES MAIS PUNGENTES, SE NÃO PELA BELEZA EM SI, PELA VOZ INIMITÁVEL, PELA SIMPATIA, PELA CLASSE E PELO TALENTO SUPERLATIVO. - ESTARÁ HOJE COM 82 ANOS, SE É QUE AINDA VIVE. - ATRIZ E CANTORA DE MÁXIMO QUILATE, DEU BRILHO E CORES À MINHA JUVENTUDE, ALÉM DE OSTENTAR SEMPRE UMA CONDUTA SUPERIOR, QUE HONRA TODA UMA GERAÇÃO. DIZEM QUE SOFREU GRANDES REVESES NA VIDA E RETIROU-SE DO CENÁRIO. - MARCOU PROFUNDAMENTE A MINHA MEMÓRIA ANTIGA E, EM VIRTUDE DISSO, MERECE ESTA SINGELA HOMENAGEM. - MaGenCo









Escrito por MaGenCo às 12h22
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NOSTRADAMUS
Fujo de profecias e crendices como o diabo foge da cruz. Não por preconceito, sim por rejeição imunológica. Crio anticorpos contra elas a ponto de ter crises de urticária.
Mesmo assim, sou obrigado a conviver com afirmações de que "Nostradamus já havia previsto isso ou aquilo", esse ou aquele fato contemporâneo mais palpitante. Diante de tal fascínio público pelo que teria predito esse histórico cidadão judeu-francês do século XVI, resolvi ler suas "Profecias do Futuro".
Dizem que era médico e astrônomo. Não discuto, pois em seu tempo os critérios que definiam as áreas de interesse intelectual eram vagos. Tanto que ele acabou por misturar astronomia com astrologia, uma prática que “adivinha” a suposta influência dos astros na vida e no futuro das pessoas.
Sei que prevalecia em sua época a ‘verdade eclesiástica revelada”, e desafiá-la seria o caminho certo para arder em praça pública por ordem do famigerado "Santo" Ofício da "Santa" Madre Igreja Católica Apostólica Romana. Vide Galileu, forçado pelos padres a abjurar... E Giordano Bruno, queimado vivo pela "Santa" Inquisição. Claro, portanto, que ele teria de se cuidar para não incorrer na ira dos detentores do poder religioso, que mandavam em tudo. Daí escrever de forma tão vaga, típica dos videntes...
Pois bem. Lendo as quadrinhas de Nostradamus, eufemisticamente chamadas de ‘centúrias astrológicas”, tive uma insuperável dificuldade para entendê-las, já que só à custa de muita imaginação pode alguém relacioná-las com o presente. Tudo ali é genérico, abstrato e passível de mil entendimentos. Tanto é assim que seus próprios intérpretes vivem se contradizendo.
Basta, contudo, uma olhada ao índice do livro para concluir que uma mente tão aguçada não perderia tempo com nomes secundaríssimos da história atual ou recente, como Marilyn Monroe, Jacqueline Kennedy, Princesa Anne e Mark Philips, ou o Rei Juan Carlos da Espanha.
Em contrapartida, ele não previu a derrubada do Muro de Berlim e, muito menos, a inesperada desintegração da União Soviética, fatos que marcaram a história do século XX.
A única explicação que encontro para tão lamentável "esquecimento" é que sendo o citado livro uma edição de 1981, com o comunismo ainda no apogeu, nenhum dos seus "estudiosos" teria motivos para "enxergar" em suas linhas algo que aludisse a tão estarrecedor e imprevisível desfecho.
Em compensação, na fantasiosa escolha das adivinhações que lhe atribuem, esses tradutores afirmam que “ele previu o fracasso da espaçonave Apollo 13”.
Ora, por favor! Não seria mais digno de um profeta do seu calibre predizer o oposto: "O sucesso da Apollo 11?" O acontecimento mais estonteante do século XX, que traçou o caminho da humanidade na busca do espaço sideral?
E, para despejar a pá-de-cal na minha absoluta descrença, Nostradamus terá cometido seu pecado capital ao afirmar que o mundo acabaria na virada do milênio. E, como vimos, não acabou...
Mário Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 19h59
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CAROS AMIGOS, NÃO SE PREOCUPEM SE MEU BLOGUE CUSTAR UM POUCO A ABRIR. A DEMORA SE DEVE, SEGUNDO FUI INFORMADO, AO EVENTUAL EXCESSO DE IMAGENS QUE CONTÉM. MAS, POR FAVOR, NÃO DESISTAM. MINIMIZEM O COMANDO E, ENQUANTO DÃO UM PULO À GELADEIRA, ELE ABRIRÁ. GRATO. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 16h20
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ESTA É A ATRIZ AMERICANA NATALIE WOOD. - SUA FOTO DEVERIA ESTAR NA GALERIA DAS GRANDES BELEZAS DO CINEMA (VEJA ABAIXO). - MAS EU NÃO DISPUNHA, NA OCASIÃO, DE UMA FOTO QUE LHE FIZESSE JUSTIÇA. - AGORA, SALVO ALGUM LAPSO, MINHA ESCOLHA ESTÁ COMPLETA. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 15h58
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“MADRUGAL”
Despertei no meio da noite com esta palavra na mente.
“Que estranho”, pensei. “Madrugal”... Será que ela existe?” Nunca a tinha lido ou ouvido e fiquei fascinado. Ela não me saía da cabeça, de modo que perdi o sono. Seria um substantivo? Um adjetivo? Ou ambos? Resolvi explorá-la. E, para não perder o embalo, saí da cama, requentei um café e acionei o computador.
Talvez tivesse topado com “madrugal” em algum texto, e ela tivesse ficado gravada em meu subconsciente. Corri a meus dicionários, o Aurélio, o Caldas Aulete e o fabuloso Dicionário Etimológico e Prosódico da Língua Portuguesa, de Francisco da Silveira Bueno, nove volumes de copiosa oferta de informação que já me haviam tirado de sérias enrascadas.
Madrugal não existia ali. As palavras são inventadas pelo homem, desde a antiguidade, como uma necessidade de expressão. Umas, por sua importância sistemática para o pensamento, têm correspondentes em todas as línguas. Outras não passam do uso regional. Aquelas são perenes; essas têm vida curta e desaparecem por inutilidade ou desuso, como certas gírias de pequeno alcance que se aplicam a modismos passageiros.
“Madrugal”, no caso, não nasce prestigiada. Seu inventor não é um filólogo nem a apresenta como tese a uma banca de exigentes doutores da língua. Seu futuro, portanto, não é dos mais auspiciosos. Mas aí está, bonita, elegante, sonora, quase musical e com uma série de utilidades potenciais. Um trissílabo oxítono, como tantos que pontuam em nossa prostituída “Flor do Lácio”, do imortal Bilac.
Até segunda ordem, por isso, “madrugal” passa a valer. Origina-se, é claro, em “madrugada”; soa como algo que ocorre nessa hora, seja um fato, uma idéia, um pensamento. E agora?
Esta é, por conseguinte, uma crônica “madrugal”. Um adjetivo. Um bate-papo, um serão que vara as horas e quase amanhece também é um “madrugal”, agora substantivo.
Já observaram a aparente lucidez que nos acode na calada da noite, se nos pomos a cogitar? Nesse silêncio recolhido, somos legítimos repentistas. É a essa hora que nos ocorrem, às vezes carregados de sinônimos, os mais belos adjetivos, as mais portentosas figuras de retórica, encaixados como luvas num discurso imaginário. E, infelizmente, com que fugacidade desaparecem.
Toda vez que isso acontece, tenho o costume de sair da cama e passar tudo para o papel. Deu certo algumas vezes. Não raro, todavia, o resultado de tal esforço, revisto no outro dia à luz do sol - quando o senso crítico está mais apurado - nem sempre é válido; não passa de um amontoado de disparates inaproveitáveis.
Mas “madrugal”, fruto desse estado quase onírico, está aí para ser submetido ao crivo de todos. Peguem-no, revirem-no, julguem-no e, se for o caso, sirvam-se à vontade. Se acharem onde aplicá-lo, agora que lhe entenderam o sentido, usem e abusem.
Não faço questão de direitos autorais. Para mim, basta saber que o tirei da escuridão e do silêncio da madrugada para trazê-lo à luz do dia...
Mário Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 11h19
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GALVÃO BUENO
Nunca apreciei o Galvão Bueno como locutor. Sempre achei que não tinha o principal, a matéria-prima que faz um bom narrador de futebol – o gogó. Seu grito de gol, rouquenho e dissonante, com aqueles altos-e-baixos, é quase um lamento funéreo. Também não gosto dos seus bordões. “Haja Coração!” é dose pra mamute. “Descolar" um lançamento é um impropério semântico, que ele tirou não sei de onde. E, claro, há outros despropósitos que estou esquecendo e nem caberiam aqui. Seu sorrisinho já me cansou e, sobretudo, não me comove. De resto, suas posturas ao microfone, sua gesticulação estudada de falso ator, seu cabelo ‘glostorado’, ultimamente acrescido de um superproduzido penacho na nuca; a maneira histriônica como conduz seu programa “Bem, amigos”, tudo isso somado, há muito tempo me convenceu de que estamos diante de um tremendo canastrão que, surpreendentemente, deu certo.
Meu desagrado culminou com a inesperada constatação de que ele não estava pronunciando corretamente os nomes de certos jogadores estrangeiros. Não porque fossem complicados. Sim porque, lidos e ditos ao-pé-da-letra-brasileira, poderiam dar ao ouvinte motivos de riso malicioso. Galvão não gosta disso; Galvão é um cidadão politicamente correto, como manda o figurino da Rede Globo. Galvão jamais pronunciaria o nome do goleiro Porras com dois ‘rr’; não ficaria bem. E, para um jogador holandês cujo nome era Cocu, ele improvisou um ‘u’ francês, que o fazia soar como ‘Coqui’. Imagina! Dizer palavrões pela televisão. O Galvão jamais desceria a esse nível de vulgaridade. Seu estilo não permite. Sua imagem pública não pode ser arranhada. E muito menos ser motivo de chacota por parte da ‘galera’ que o tem na conta de um paradigma.
Quando comparo seu desempenho, como narrador, com nomes consagrados e inesquecíveis do rádio – Jorge Curi (da Rádio Nacional), Oduvaldo Cozzy e Doalcey Bueno de Camargo (da Super-Rádio Tupi), Pedro Luiz e Fiori Giliotti (da Rádio Bandeirantes), e Geraldo José de Almeida (da Record) - os quais, sem o poderoso auxílio da imagem, me faziam ‘ver e enxergar’ o jogo, tenho até pena do Galvão. Além disso, o Galvão não me parece autêntico; está sempre atuando; suas palavras e seus gestos são planejados. Depois que soube pela imprensa de um litígio ou atrito que criou com o excelente comentarista Casagrande, o melhor da TV Globo, passei então a vê-lo com olhos ainda menos lisonjeiros.
E fiquei muito contente quando tive a opção de assistir ao jogo final da Copa do Mundo através de outros canais, cujos locutores são, sem escolha e sem favor, muito superiores ao meu desafeto. Eles têm, no mínimo, aquilo que ele não tem: o gogó. E têm, acima de tudo, uma atitude geral mais sincera, espontânea e genuína.
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 10h45
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ACENO DA ESPERANÇA
O homem do jardim não concordou:
Não é esta a mensagem que espero.
Aventura gratuita dos átomos de carbono,
Envolvido sem dó nas dobras do infinito,
Na natureza, contudo, eu constituo
A densificação da consciência,
Que pontilhou no mundo em nascimento.
Se sou seu produto inacabado,
Cabe a mim a procura do ideal,
Embora inatingível ele pareça
A muitos se mostrar.
Não é esta a mensagem que espero.
Continuo marchando,
Levando minha pedra.
Buscando outra torre onde pousá-la,
A torre de esperança.
Arthur Pereira e Oliveira
Livro “Canto Liberto” - 1979
Escrito por MaGenCo às 21h44
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DE UMA ESTÓRIA QUE COMEÇOU SINGELA
A nossa estória repontou singela,
Como costumam surgir as estórias dos homens.
Havia um homem e seu jardim,
E no jardim uma plantinha rara.
Na planta, um só botão,
Já contendo, escondidas,
Das pétalas seu desenho gracioso
E mais a cor modesta.
Numa manhã brilhante,
Dessas que as crônicas dizem ser de gala,
Em que faixas de sol se desmantelam
Na cabeleira revolta das meninas,
Apareceu no jardim um feio inseto:
Desgragioso o vôo,
Asas castanhas, ásperas, coriáceas.
Num voluteio inconsciente e torpe
Rompeu as pétalas da flor que se fazia.
E mais uma vez se repetiu um fato:
Houve outro botão que não chegou a flor.
Arthur Pereira e Oliveira
Livro “Canto Liberto” - 1979
Escrito por MaGenCo às 21h34
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ESTA É OUTRA ILUSTRAÇÃO QUE FIZ PARA O LIVRO DE POEMAS 'CANTO LIBERTO', DE ARTHUR PEREIRA E OLIVEIRA. ALUDE À MORTE POR ATROPELAMENTO DE SUA FILHA-MENINA LUCIANA. APESAR DE CONFORMADO NA APARÊNCIA, ELE NUNCA CONSEGUIU CONVIVER EM PAZ COM ESSA PERDA IRREPARÁVEL. TODOS OS PAIS E MÃES DO MUNDO PODEM IMAGINAR O TAMANHO DESSA DOR. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 20h20
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O BELO SUPREMO
SEGUNDO PLATÃO, O BELO É UM ARQUÉTIPO, OU SEJA, EXISTE NA NATUREZA POR CONTA PRÓPRIA. A MEU VER, ELE DEVE FAZER PARTE DE UM CONCEITO MAIS HUMANO, O SENSO ESTÉTICO, QUE É SUBJETIVO E QUE VARIA COM CADA UM, MAS QUE, EM CASOS DE MÁXIMA EXPRESSÃO, ALCANÇA O PRIVILÉGIO DA UNANIMIDADE. CREIO TER SIDO NESSE NÍVEL QUE ESCOLHI SEM ORDEM DE PREFERÊNCIA – E SUBMETO À APRECIAÇÃO DE TODOS – ALGUNS MODELOS DE BELEZA FEMININA QUE MARCARAM A MINHA MEMÓRIA PARA SEMPRE. CLARO QUE POSSO TER PECADO POR OMISSÃO ESQUECENDO NOMES E, NO CASO, PEÇO-LHES QUE ME APONTEM PARA QUE SEJAM INCLUÍDOS NA GALERIA EM QUE IRÃO DESFILAR AQUELAS QUE, NA MINHA VISÃO, FORAM AS MAIS LINDAS MULHERES DA HISTÓRIA DO CINEMA. CREIO PODER AFIRMAR QUE SE TRATA DE UMA SELEÇÃO MUITO SUPERIOR À QUE DISPUTOU A COPA DO MUNDO.
ABRAÇÃO DO MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h37
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GENE TIERNEY

GRACE KELLY
Escrito por MaGenCo às 08h30
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GRETA GARBO

KIM NOVAK

ROMY SCHNEIDER

SOPHIA LOREN
Escrito por MaGenCo às 08h26
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CATHERINE DENEUVE

CLAUDIA CARDINALE

ELIZABETH TAYLOR

GINA LOLOBRIGIDA
Escrito por MaGenCo às 08h15
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AUDREY HEPBURN

AVA GARDNER

INGRID BERGMAN

BRIGITE BARDOT
Escrito por MaGenCo às 08h01
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Fora da Copa, que bom!
E o Brasil está, Vive la France!, fora da copa. Ufa! O País vai poder voltar a viver; a cuidar (ou a continuar não cuidando) dos seus problemas; a ocupar-se de coisas de verdade, que não tenham o patrocínio da Nike, e os nossos amáveis profissionais da imprensa deixarão de dizer e/ou escrever um sem-fim de tolices e obviedades. Mais: milhões de rojões deixarão de ser estourados pelo País inteiro, incomodando as pessoas, musiquinhas chatas não percorrerão as cidades em carros de som; muros não serão pichados; o trânsito não ficará ainda mais confuso, nem haverá um número maior que o regulamentar de bêbados chatos.
Seremos poupados da visão dantesca de milhões de gentes feias usando peruca verde e amarela, e/ou colares idem e/ou uniformes da seleção, espichando o pescoço e fazendo skidum-skidum por um anônimo segundo de televisão. Na Alemanha, não pagaremos mais o mico daqueles incontáveis grupos que lá chegaram de ônibus, portando cartazes “Rosnilneyde eu te amo”, e que ficam esperando uma câmera ser-lhes apontada para começar a rebolar e gritar “Brasil”, como se não tivessem feito outra coisa a vida toda. Sempre na televisão, poderemos voltar a saber como está progredindo a questão atômica no Iran, ou o míssil coreano de longo alcance, em vez de o que o centro-avante Klaudynêywison comeu no café da manhã, ou como a mãe do meia Wanderglêyvenel prepara feijoada, ou ainda o que o pai do lateral Emmerewertonson pensa a respeito da hipótese da pluralidade dos universos.
Estamos livres da copa. Não há pão; não há circo. Podemos, que bom, voltar a pensar no Brasil. Ainda que doa.
M. A. Arantes, N. Sra. do Desterro, 02/07/06
Escrito por MaGenCo às 12h02
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MENORAH, O CANDELABRO QUE IDENTIFICA OS JUDEUS. PROCURO UM, DE PREFERÊNCIA COM SETE PONTAS, PARA DECORAR MEU ESCRITÓRIO, POIS TENHO REMOTAS ORIGENS SEFARDITAS. ABRAÇO DO MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 20h05
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O fatídico gol de Henry. Brasil não teve nenhuma chance.
CLIMA DE VELÓRIO
No dia 17 de abril de 2006, portanto com bastante antecedência, escrevi a um conhecido colunista de jornal local, advertindo-o de que não ganharíamos a Copa do Mundo. Não porque quisesse profetizar um mau agouro. Apenas senti; apenas previ. E enfileirei uma série de razões para que a vitória não nos sorrisse, entre elas a incompetência tática e o pragmatismo do técnico Parreira, além do endeusamento excessivo dos nossos jogadores, que são mais um produto da mídia do que uma realidade confiável. E nenhum, na minha opinião, se compara aos grandes do passado recente e distante.
O colunista, que está lá e assistiu à derrota de hoje, decerto estará se lembrando de mim. Claro, ele, que era um dos otimistas, não publicou minha carta na ocasião, e eu compreendo seu silêncio. Além disso, reconheço que me enganei em alguns pontos. O zagueiro Lúcio – por exemplo – que qualifiquei de ‘espanador’, me surpreendeu pela regularidade e pelo pequeno número de faltas cometidas. Mea culpa, portanto. Mesmo assim, apontei a velhice dos laterais e o desacerto do famoso ‘quadrado mágico’.
Fundado no volume de interesses financeiros e promocionais que se esconde nos bastidores de um torneio de âmbito mundial, também errei ao suspeitar de uma trama, montada pela FIFA, para brecar a qualquer custo a seleção brasileira, que, com uma sexta vitória, vulgarizaria o troféu. Reconheço que isso nem foi preciso, porque nosso desempenho foi abaixo da expectativa. E da crítica. Aconteceu, então, o que todo o resto do mundo desejava: ver o Brasil fora. Os juízes nem precisaram comprometer sua imparcialidade. Nós nos encarregamos de perder. Excesso de vaidade individual? Ciumeiras? Exagero de autoconfiança do grupo como um todo? Menosprezo pelos adversários? Fama e fortuna pessoais já garantidas? Desinteresse subconsciente? Salto alto? Não sei.
Só sei que, hoje, todo o Brasil está acabrunhado, num clima de velório.
Só me conforta essa derrota se tiver contribuído para suprimir do Lula o valioso trunfo eleitoreiro de posar na mídia como falso partícipe de uma vitória imerecida e, com mais essa farsa, faturar os votos desse povão sentimental, influenciável e desencantado.
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 19h24
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VOLTA IMPOSSÍVEL
Faz disto muito tempo.
Era a verdade, então, a minha obsessão.
Teimei em penetrar das coisas a essência,
Fugi à escamoteação da sensação,
Ao logro da aparência.
Discuti os fatos, mergulhei nas leis,
Fiz ao físico as perguntas que fazeis:
Que é o calor?
Que sente o adolescente
Ao descobrir o amor?
Todo o calor emana
Da sarabanda insana
De moléculas em bárbaro tropel,
Ao mando de um acaso que nos é cruel.
E as cores derramadas pelas fadas
Nas pétalas das flores?
Não são mais que atuações
De fótons em vibração.
Medimos sua amplitude,
Seja qual for a altitude.
(continua)
Escrito por MaGenCo às 08h34
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A multiplicidade dos sons
Da moderna cidade?
Os cantos de amor de toda a terra?
A sinfonia atroz do medo,
Da maldade, da guerra?
São também vibrações. O ar é o seu meio.
Um método de sábio veio
Que sua velocidade
Mede em qualquer densidade.
Apenas tons cinzentos
Onde só crescem secos pensamentos.
Monotonia é tédio em sintonia.
Da rumorosa festa dos sentidos nada resta
No magno colégio dos grandes entendidos.
Em sonho, em pesadelo, eu vi um sábio esguio,
Um homem paciente. Anos a fio,
Vinha limando a beleza da Ática
Para depois retê-la em fórmula matemática.
(continua)
Escrito por MaGenCo às 08h30
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Cambaleei, caí, desesperei.
Abandonei, atônito, aquela grei.
Volvi ao mundo encantador das aparências,
Fugi ao brilho enregelado das essências.
Quis ser o homem que aceita tal qual vê,
Para quem cores são telas de Manet.
Quis ser um homem em lendas envolvido,
Prá quem Francisco é o irmão dos animais,
E estrelas são de virgens os sinais.
Quis ser um homem que aceita tal qual ouve;
Para quem sons são sinfonias de Beethoven,
São as cantigas singelas de ninguém.
Empresa inútil ! Tentativa fútil !
Perdido, não consigo a síntese dos dois mundos:
Do mundo dos ingênuos; do mundo dos profundos.
É longe, é muito longe a casa da verdade,
Já não sei o caminho da simplicidade !
Livro “Canto Liberto”
Autor: Arthur Pereira e Oliveira
Floripa - 1979
Escrito por MaGenCo às 08h28
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DESENHO MEU, INTITULADO 'PEGADAS', QUE ILUSTRA O CAPÍTULO 'CONFLITOS', DO LIVRO 'CANTO LIBERTO' DO MÉDICO-POETA CATARINENSE ARTHUR PEREIRA E OLIVEIRA, EDITADO EM 1979. MaGenCo
Escrito por MaGenCo às 08h19
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