
“ESSA BOLA...”
Quando iniciei este blogue, em janeiro de 2006, destaquei, como todos podem ver na coluna ao lado, minha temática preferida. Lá está escrito: arte, cultura, livros, automóveis antigos e futebol. Hoje, transcorridos mais de dois anos, acrescentaria “crítica” a esse rol. Mas vou deixar assim, pois acho que, na palavra “cultura”, isso está subentendido. Só não abordo política porque não tenho competência e, em última análise, não me sinto atraído por ela, ao menos nos moldes em que vem sendo praticada no Brasil.
Do futebol, esporte que sempre me fascinou, tenho falado pouco – ou menos que do que gostaria. Mas há ocasiões em que me vejo forçado a dar meu pitaco e, sempre que posso, com certa veemência, como fiz no artigo abaixo “A Moda Galvão Pegou Mesmo”. Foi uma crítica que considero justa, válida e procedente – eis que fundada em evidências – mas que, para minha surpresa, não despertou maior interesse. Terá sido porque a maioria dos que me visitam não gosta de futebol?
Hoje, assistindo ao jogo Flamengo x Internacional, topei com um narradorzinho do pay-per-view cujo nome faço questão de ignorar e que, atrelado à norma vigente e sem autocrítica ou originalidade – como a maioria – usa e abusa da locução ‘Essa Bola”.
Será que estou ficando impertinente, obcecado por detalhes insignificantes, ou esse costume esdrúxulo está, de fato, se transformando em nova praga “galvano-buênica”? Onde já se viu substituir sistematicamente “a bola” por “essa bola”. O que quer dizer “essa bola”? Reparem vocês, leitores, se, na maioria das vezes, a expressão cabe ou se justifica. Da maneira como eles falam, tem-se a impressão de que a bola do jogo não é uma só – é “essa” e não “aquela” outra.
Claro, há instantes em que a expressão é válida, mas esses cretinos não sabem fazer a distinção; usam “essa bola” da maneira mais indiscriminada e contribuem – pois a TV é a única escola que o povão freqüenta com assiduidade – para sacramentar mais um vício na linguagem já tão mal usada em nosso meio.
Se nunca repararam nesse mau-uso, nesse abuso, passem a fazê-lo com especial atenção e depois me digam se não tenho razão; se estou sendo rabugento e ranzinza.
Poderia estender-me aqui com uma avalanche de exemplos dessa lamentável deturpação lingüística, mas cansaria o leitor e não seria didático. Prefiro afirmar que “essa bola” não existe...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 22h30
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ESCREVER NÃO É FÁCIL
Escrever sempre me fascinou, fosse pelo componente criativo do ato, fosse pelo fantástico poder de registrar idéias. Mas escrever diferente de como faz a maioria - que usa a escrita da mesma forma como fala - é algo ao alcance de poucos.
Escrever com correção e estilo, com leveza e graça, uma crônica, um conto ou um romance, constitui um incrível desafio. E quem não acreditar, que experimente; trata-se de uma encarniçada batalha.
Até hoje, não consigo escapar de um desconfortável mal-estar ao encontrar tanta dificuldade na busca desse privilégio.
Há algum tempo, li com surpresa e alegria uma entrevista com alguns notáveis, unânimes em confessar que o ato de escrever, para eles, representa uma guerra sem trégua contra as palavras, que, assim como fazem comigo, do mesmo modo lhes fogem nos momentos cruciais.
À primeira vista, parece incrível que seja assim. Mas é. É, porque se trata de um esforço de imaginação, como compor música, pintar um quadro ou esculpir um mármore. Daí por que uma folha de papel, uma partitura, uma tela em branco ou uma pedra bruta, ávidas por nutrir-se de palavras, notas, cores ou formas, são, talvez, a mais formidável provocação dirigida ao cérebro humano.
Sempre que leio qualquer texto saído da pena de um autor talentoso, me convenço de quão penosa tarefa é essa de extrair de acontecimentos aparentemente banais aquele misterioso vínculo com o inusitado, aquela insuspeitada carga de significância, aquele toque de singularidade, aquele imprevisto sopro de drama ou de comédia que se esconde nos bastidores do corriqueiro. Esse fantástico senso de aproveitamento não deveria ser, todavia, privilégio de tão poucos.
Ilusão, quimera ou fantasia, venho, por todos os meios, perseguindo esse insondável segredo de como extrair do cotidiano sua índole inexplorada; de como focar meus sensores nos cernes do trivial.
Basta – como se isso fosse pouco - saber dar forma e corpo a um texto fluente, enfileirando idéias capazes de prender o interesse do leitor impaciente de nossos dias, viciado na mera síntese de um linguajar que está se transformando num informe sucinto, quase telegráfico.
Em suma, é hercúlea a missão de converter uma página em branco no suporte das obras-primas que dão sentido à arte de escrever.
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 23h36
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A MODA “GALVÃO BUENO” PEGOU MESMO
Minha mulher diz que estou com idéia-fixa, obsessão ou implicância. Outros, avessos a discussões, se calam, mas parecem concordar. O fato é que não suporto esse modismo estúpido, inventado pelo inefável Galvão Bueno e transformado em padrão global nas transmissões de futebol.
Simplesmente, não agüento mais ouvir, durante os jogos do campeonato brasileiro, seja da série A, seja da B, a repetida contagem de pontos e a correspondente classificação em que se situa cada um dos times que faz um gol e fica em vantagem temporária no marcador.
As partidas mal começaram, e basta um gol em qualquer lugar do Brasil para jorrar sobre meus tímpanos indefesos essa aritmética temporária e inútil.
“Com esse gol, o time “x” tal está subindo para o G-4”.
“Com esse gol, o time “y” está indo para o rebaixamento”.
Não raro, o adversário empata o jogo em seguida, e todo o cálculo é refeito com a maior cara-de-pau.
Esses imitadores baratos, que seguem qualquer idiotismo por não terem originalidade e não saberem como encher sua lingüiça acham que, para garantir a audiência, o essencial é manter-se falando, mesmo que sejam baboseiras; ainda não se aperceberam de que tais estimativas parciais, em vez de despertarem a atenção e o interesse do ouvinte-telespectador, só servem para abusar de sua paciência, não bastasse, com raras exceções, a incompetência da transmissão em si.
Sei que não podemos viver de saudades do passado e que quase não temos locutores do peso dos de outrora. Há muito que perdemos um Jorge Curi, um Pedro Luiz, um Fiori Gigliotti, um Geraldo José de Almeida ou um Waldir Amaral. Infelizmente, o grande Doalcey Bueno de Camargo, da Tupi-Rio, está aposentado. Há anos, em nosso meio, não contamos mais com um Fernando Linhares da Silva, padrão da nossa radiofonia esportiva.
Mas não acho justo o que faz a maioria dos seus sucessores, ao tripudiar sobre a paciência do público e submeter seus momentos de lazer a esse tipo de desconsideração.
Que irradiem as partidas no que elas têm de mais precioso, ou seja, a descrição precisa da seqüência de um lance, sobretudo no rádio, de modo a alimentar a imaginação do ouvinte; que façam comentários técnicos e táticos ao longo do jogo, críticas agudas e bem-humoradas sobre o desempenho desse ou daquele jogador, em suma, conceitos e opiniões diretamente ligadas ao futebol em si.
Mas, por favor, não massacrem as pessoas com esses lugares-comuns que são a confissão tácita da falta de enxerto e do despreparo para assumir um microfone.
Será que ninguém, até hoje, descobriu que Galvão Bueno, por mais prestigiado e badalado que seja, nada tem a ensinar às novas gerações? E ainda vão imitar justamente seus piores vícios?
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 23h13
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A QUINTA DIMENSÃO
O Tempo, segundo Einstein, é a quarta dimensão do espaço. Trata-se de uma grandeza relativística, capaz de curvá-lo na velocidade da luz e até gerar buracos negros. Ele não passa; simplesmente aí está..., como estão as outras três que, há mais de dois milênios, foram enunciadas por Euclides e incorporadas definitivamente aos fundamentos da geometria clássica.
Ao contrário do comprimento, da largura e da altura, ele não é percebido fisicamente pelos nossos sentidos. Olhamos ou tocamos um objeto e, imediatamente, somos capazes de lhe determinar, mesmo a grosso modo, a forma, o tamanho, a cor, a consistência. O Tempo, dir-se-ia que é ultra-sensorial. Temos, quando muito, uma vaga consciência de sua presença a nosso redor. É tão relativo que parece arrastar-se quando vivemos momentos difíceis; voa célere, todavia, se a ocasião é prazerosa. Olhado de frente, se nos afigura como futuro. Visto de costas, já é passado e se perde nas brumas do horizonte da memória. Em sua essência presente, contudo, não passa do instante.
Medimo-lo convencionalmente ao observar a aparente regularidade dos movimentos do Universo mais próximo..., como o nascer do Sol, as fases da Lua, as estações do ano, as horas do dia... Mas esse é apenas o nosso Tempo..., o Tempo humano..., um mero calendário antropocêntrico..., quase um artifício..., tão relativo, que logo ali..., em Júpiter..., cuja rotação dura dez horas das nossas..., cuja translação dura doze anos dos nossos..., de nada mais vale como relógio cósmico.
Nosso Tempo é todo ele composto de momentos que se sucedem entre duas colossais perspectivas: o passado que passou e o futuro que virá. É o presente..., algo sem dimensão..., como um ponto geométrico que só existe na imaginação.
O passado está na idéia que acabo de expressar; o futuro, na que virá em seguida. E entre os dois estamos nós, caro leitor..., eu e você..., vivendo, um após outro, os nossos momentos...
O passado é, simplesmente, uma lembrança..., alegre, triste ou inexpressiva..., que ficou ou se perdeu. O futuro é o que será..., um misto de esperança, medo ou indiferença..., mas, de qualquer forma, uma expectativa..., uma incerteza..., uma interrogação.
E assim vive o ser humano, de momento em momento, sufocado entre duas verdades imutáveis: a que foi e a que virá. Ele pensa que se autodetermina..., que tem livre arbítrio..., ignorante e esquecido de que está sempre ao sabor do acaso..., esse mesmo acaso que, tola e vaidosamente, resolveu chamar de "destino", como se além do Caos Universal, que regula e organiza tudo, houvesse realmente algum tipo de predeterminismo individual...; como se fosse ele..., exclusivamente ele..., - o homem -, a figura indispensável e central do espetáculo.
Seu poder de decisão é mínimo..., quase nulo. Pouco maior que o de uma folha solta ao vento, que flutua e dança ao léu sem saber aonde vai cair no momento em que se extinguir a energia que a embala. E quando isto acontece, o que resta, em última análise é nada mais que a Verdade..., a Verdade do que foi..., do que é..., do que será... A Verdade..., uma estranha e insondável espécie de quinta dimensão..., que é eterna, imutável...; que interage com o Tempo na síntese total.
Muito antes de que o pensamento humano existisse, ela, a Verdade, já existia, e quando a humanidade, como substância, desaparecer ou se transformar em massa ou energia - como descobriu Lavoisier e, de fato, acontece a todas as formas de vida evolutiva - a Verdade continuará existindo no Espaço e no Tempo como atributo imanente do Todo.
A Verdade..., essa sim..., é preestabelecida por ser eterna..., ao contrário da mentira, da falsidade, da traição..., que nasceram com o homem..., geradas na sua própria imperfeição; com este mesmo homem que se dizendo "criado à imagem e semelhança de Deus"..., é o único animal que mente e que trai.
A Verdade é filha da Ética..., da Lógica..., nunca da força ou da autoridade. Ela é sinônimo da perfeição estética. O fato só acontece para confirmá-la e, mesmo que não aconteça..., que não seja registrado..., ela sempre prevalece, ou encerrada em si mesma..., em sua essência..., ou dentro da consciência de cada indivíduo, num plano mais humano. Mas ela é uma só; é o ideal pleno a que todos aspiram sem jamais alcançar.
Daí o imenso desafio que depara o homem: a busca e o encontro da Verdade. Irremediavelmente condenado a viver o seu momento fugaz..., preso e contido entre o passado e o futuro, e, o que é pior, reprimido por suas próprias limitações e cada vez mais deslumbrado, a procurar em vão o entendimento do infinito e do eterno..., ele se vê sufocado diante da Verdade que sabe que existe e não é capaz de absorver, rendendo-se, finalmente, à única alternativa que lhe sobra: a crença.
Vez por outra..., de quando em quando..., a Natureza, que se autorregula com a sabedoria ingênita de que só Ela é capaz..., deixa nascer um gênio para dar um salto adiante. Tal indivíduo..., que infelizmente é muito raro..., gravita numa órbita escassamente povoada, habitada exclusivamente por iniciados escolhidos, cuja tarefa primordial é a gradativa elevação do homem, a fim de torná-lo merecedor dos privilégios de que desfruta entre os animais da Terra.
O gênio é o embaixador da Verdade. Mas..., lá no íntimo..., ele também sabe... por uma incômoda e indisfarçável intuição..., que, por mais que avance em sua busca incessante..., a Verdade Final..., aquela que existe por si mesma e independe das nossas crenças..., a Verdade Verdadeira..., fugidia como a linha do horizonte..., sempre estará além do seu alcance.
Mario Gentil Costa - 1994.
Escrito por MaGenCo às 22h28
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CHATOMETRIA
Há dois tipos de chato: o inseto, que se elimina com inseticidas; e o humano, que é, em si, a personificação de uma doença chamada ‘chatice’. Esta pode se apresentar sob as formas crônica ou aguda, sendo primeira a mais comum (e incurável), e a segunda, sua crise ou surto.
O agente causador é um artrópode pediculídeo, ectoparasito hematófago com habitat preferencial na região pubiana e que, em casos severos, pode migrar para outras áreas pilosas, tais como axilas, sobrancelhas, barba e bigode; se as houver...
Seu nome científico é “Phtirius pubis”. O vulgo pode chamá-lo de “piolho-das-virilhas ou piolho-dos-soldados”, primo-irmão do piolho da cabeça – o Pediculus capitis. Ambos são chatos porque obrigam o portador a coçar-se em ritmo paroxístico nos momentos e lugares mais impróprios...
Do chato, portanto, surgiu a ‘chatice’, moléstia exclusiva do ser humano; o portador é sempre chato. De modo inescapável. Sistemático. Absoluto. Contumaz. Reincidente.
Das centenas de alcunhas que o chato admite, citarei apenas algumas para não me tornar eu mesmo um chato.
Na linguagem castiça, o chato é o “Maçante, enfadonho ou cacete”. Na mais vulgar, é o mala, o sarna, o cricri, o grude e o famoso ‘de galocha’. São subtipos comuns do chato: “o morrinha etílico (dispensa descrição), o irresistível (campeão das conquistas amorosas), o confidencial (fala ao-pé-da-orelha), o sabichão-garganta (exagera vitórias pessoais), o pregador (sempre a impor sua fé), o cutucador (cutuca as costelas do interlocutor), o chafariz (cospe e respinga ao falar), o poliqueixoso (sofre de tudo; os médicos logo o reconhecem), o obequioso (sempre pronto a ajudar, ainda que não solicitado), o engraçadinho (de cujas piadas ninguém ri). Por fim, o chato-de-largo-espectro, que não é nada disso, mas é chato sempre, faça o que fizer, diga o que disser.
Quem não conhece algum chato? Faz parte da vida em comunidade. Mas tudo tem limite. Chega um momento em que, mesmo com toda a paciência, não dá pra agüentar. Urge, então, dar o fora para não explodir.
Por sorte, sou dono de um chatômetro de alta precisão, sensível aos mínimos indícios da chatice: a voz, a risadinha, a gesticulação, a solicitude com que tira uma caspa inexistente da minha lapela ou me ajeita o nó da gravata e me aperta o colarinho, o contorno geral, sei lá... Num instante, faço meu diagnóstico e começo a preparar a retirada estratégica. Quando dá... Quando não dá, fazer o quê?
O chato é um lutador infatigável, persistente, ou seja, o chato é um forte. Sabe que é chato, mas faz uma força danada para não sê-lo. Só não consegue porque desconhece a fórmula e, quanto mais tenta, mais chato fica. Ele é um exímio abridor de clareiras, que esvazia qualquer rodinha. Enfim, o chato é um antígeno; seu destino, seu fardo é criar anticorpos...
Pode-se medir o chato pela constância com que é visto sozinho ou acompanhado de um cachorrinho na coleira. Mas cuidado! Ele está sempre caçando. Bobeou, ele ataca. E, por uma compulsão insuperável, começa logo a agir.
Esse triste espécime, claro, não tem amigos, e se consola seguindo os passos aleatórios e as paradas contingenciais de seu cão. Itinerário, que é bom, ele nunca tem; é feito de-poste-em-poste. E em nome da profilaxia das doenças circulatórias, ele caminha, caminha... horas-a-fio, sempre atento à perspectiva de grudar em alguém.
Certa vez, um chato me abordou num velório com missa-de-corpo-presente. Não pude escapar. Em vez de louvar as virtudes do defunto – que as tinha em profusão – ele enfiou três perguntas descabidas, pronunciadas alto-e-bom-som e precedidas de uma leve cotovelada na minha costela:
- Mas que prazer, Mario!
- Como vai? – respondi, cauteloso, aproveitando a austeridade da circunstância para não sorrir.
- Vou bem. Aliás, sempre vou muito bem. A propósito, que achas da campanha do Corinthians?
- Não ligo a mínima pro Corinthians – retruquei, peremptório, embora baixinho, como obrigava o protocolo.
- Ah, tudo bem. Então, que opinas sobre o assassinato do Kennedy? Foi o Lee Oswald mesmo?
- Isso aconteceu em 1963... – observei em tom grave e monocórdio.
- Até hoje persistem dúvidas...
- Ora, por favor...
O saco estava enchendo, e ele voltou à carga:
- Tudo bem, tudo bem. Nesse caso, me responde: quem vai ser eleito?
Já notaram que quase todo chato é um perguntador? Acho que sei por quê: ele raramente tem respostas...
Pronto! Enchi e o convidei a sair. Lá fora, o saco estourou:
- Você acha que o momento recomenda esta conversa? Estamos num velório, cara...
- Desculpa, não fiz por mal.
- Tudo bem. Agora, com licença. Vou voltar pr’a igreja.
- Claro. Fique à vontade.
Assim, com esse destempero, me livrei desse Pthrius pubis. Hoje, ele não me aborda mais. Mesmo assim, pra me garantir, basta avistá-lo de longe e já trato de me desviar e passar ao largo...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 17h01
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SONHO OU PESADELO?
A velhinha de oitenta anos dormia placidamente na madrugada fria quando acordou, assustada. Na escuridão do quarto, debaixo dos cobertores, o velhinho, de oitenta e cinco, sacudia-se todo e emitia uns ruídos fora do comum. Claro, ela não via; só escutava e sentia a cama estremecer. Pensou que ele estivesse tendo um mal súbito, e preocupada, não titubeou: tocou-lhe o braço, com toda a cautela, perguntando.
- O que é que tu tem, meu velho?
- Tô tendo um sonho erótico...! – ele, desprevenido, confessou quase gritando, a voz estranhamente rouca.
- Tás tendo ou já tiveste?
- Tava tendo! Por quê tu foi me acordá, mulhé? – foi o protesto involuntário do homem.
- Sei lá! Fiquei assustada. Parecia um ataque...
- Que ataque, mulhé?
- E como é qu’eu ia adivinhá? Podia sê uma convulsão...
- Convulsão? Eu tava era sonhando. E tava tão bom... – ele lamentou.
- Mas acabou?
- É claro! Com’é que não ia acabá..., se tu interrompeu...
- Que pena!
- Que pena por quê?
- Ora, porque se ainda não tivesse acabado, a gente podia aproveitá o restinho...
- Tu tá maluca, mulhé? Quem somo nós pra isso? Ah, ah, ah – foi o riso amargo e conformado do pobre homem.
- Ué, se tu pode, eu também posso.
- Podes o quê?
- Sonhá junto, ora essa.
- Tu não te enxerga, véia? Onde já se viu?
- E que barulho era aquele? – ela indagou, desviando de propósito o rumo da conversa.
- Barulho? Não ouvi barulho nenhum...
- Tavas fazendo uns ronco tão esquisito...
- Ah, sei lá. Decerto era do sonho...
- Então me conta!
- Se eu não escutei nada...
- Mas não é o barulho! É o sonho! Me conta!
- Tás doida, véia?
- Doida por quê? Que mal tem?
- E pra quê tu qués sabê?
- Pra sonhá acordada, ora...
- Eeeh..., o que que há contigo, minha véia? Tô te estranhando... Mulhé não sonha com essas coisa...
- Quem que te disse?
- É o que todo mundo diz, ué...
- Pois fica sabendo que todo mundo sonha... – ela entregou.
E ele não pegou mais no sono. Nem ela. Um sabia que o outro estava acordado, mas ninguém falava. Até que, passados uns dez minutos, ele perguntou, ressabiado:
- Tu também sonha com isso?... De verdade?
Ela, então, com medo de se complicar, declarou:
- Eu tava brincando, velho. Mas me conta!
- Não me lembro mais...
- Mentira tua. Lembras, sim. Tu que não qués contá...
- Eu tenho vergonha. Não sei contá essas coisa...
- Sabes, sim. Tu que não qués qu’eu saiba...
- Saiba o quê?
- Que tu sonha com isso...
- Ah, não aborrece, mulhé. Não tenho culpa. Eu tava dormindo...
- A gente só sonha o que pensa – ela sentenciou, acrescentando – Eu li numa revista, que falava num tal de Freude, ‘que o sonho é um desejo não realizado’...
- Já não basta tua filha? E tuas neta? Andas lendo essas porcaria também, é?
- Que porcaria?
- Essas sacanage...
- Mas não era sacanage! Era uma reportage séria...
- Reportage séria? Nessas revista feminina que só fala de sexo? Isso é sacanage. Pôca vergonha, é o que é..., pra aumentá as venda...
- Pôca vergonha é um velho como tu tê sonho erótico. Fazê..., que é bom..., há tempo que não faz... – foi o protesto incontido da velhinha.
- Mas como é qu’eu vou fazê, mulhé, s’eu não consigo mais?
- E pra que serve esses comprimido moderno? Não é pra isso?
- Não adianta! Eu já tô muito véio... não consigo...
- Mas consegue no sonho... Isso é qu’eu não entendo – ela argumentou.
- Já te disse qu’eu não sei explicá, mulhé.
- Não vem com essa, não, véio. Tu és um fingido...
- Eu? Um fingido? Eu?
- Vai dizê que tu nunca deste o teus pulinho...?
- Eu? Tás louca, mulhé? Sempre fui um home sério...
- Pra cá co’essa lorota... Com’é que tavas pulando?
- Qués sabê mesmo, minha véia?
- Quero! – ela confirmou, depressa, imaginando que ele resolvera abrir o jogo.
- Isso não é conversa pra dois véio... Vamo dormi, qu’é melhó...
E não pregaram olho o resto da noite. De manhã, no café, estavam encabulados, contrafeitos. Não se encaravam com a simplicidade de costume. Um silêncio embaraçoso, quase cúmplice, pesava no ar. Era como se nada tivesse acontecido. O tempo passou, e nenhum dos dois tocou mais no assunto.
E apesar de se conhecerem tão bem...; de serem como dois livros abertos...; de não terem segredos um com outro..., a velhinha nunca soube se o velhinho voltou a sonhar, porque ele nunca mais se sacudiu...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 22h09
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O VELHO VESTIBULANDO
Com 63 anos, ele se dedica a fazer vestibulares. Já fez 6 e passou em todos. Dizem ser figura conhecida nos meios estudantis. Chega, entra, faz a prova e passa. Matricula-se no curso e experimenta duas coisas: o nível do corpo docente e a convivência com o discente. Se se agrada, vai ficando. Mas como é irrequieto e exigente, nunca terminou um curso. Compraz-se em viver estudando e convivendo. Questionar os mestres é sua especialidade e seu prazer, pois é uma mente ativa e bem informada. Dependendo das respostas, decide se fica ou se vai.
Conheci-o na rua, dia desses. A princípio, nada dei por ele; pele ressequida e enrugada, barba grisalha, calça jeans, tênis, camiseta sem mangas e um chapéu de palha. Olhos vivos e sorriso pronto. Estava até com um abscesso num dente superior, que fazia desaparecer o sulco naso-labial correspondente. Mas, à medida que expunha suas idéias, fui me convencendo de que estava diante de um cérebro diferenciado, com larga visão de mundo. Leu quase todos os clássicos e não hesita, seja qual for o interlocutor, em duvidar de alguns nomes que são unanimidade em qualquer roda de intelectuais acadêmicos.
Fiquei sobretudo feliz ao verificar que alguns desses ícones de areia já faziam parte da minha seleção de impostores que, cheios de empáfia, desfilam nos palcos da fama imerecida.
Nem recordo seu nome. Sem data marcada, ficamos de nos reencontrar no mesmo ponto, mas ele ainda não deu o ar de sua graça. Dizem que, por capricho, mora sozinho no casebre de um sitio da periferia, cercado de livros, plantas e animais. Um ermitão, portanto. Um esquisito. Um atípico. Não escreve. Nem televisor tem. Só lê e pensa. Mas com que clareza! Sua comunicação é puramente verbal, e quem quiser – e puder – que o escute.
Estou ansioso por revê-lo...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 17h17
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O TERCEIRO MILÊNIO
Eis uma perspectiva que sempre me fascinou: - a chegada do terceiro milênio. Fomos os testemunhos vivos do fato. Por isso, tivemos, em relação a ele, enorme responsabilidade no transcurso do tempo.
Todavia, dois mil anos, no caso, é uma medida "relativa", uma contagem baseada no suposto ano do nascimento de Cristo, do qual ninguém tem certeza e com o qual nem todos os estudos religiosos concordam; li algures que Ele teria nascido seis anos antes e, se foi assim, o que restou da data?
Contudo, valeu o calendário. E prevaleceu a influência dos "milenistas", muito dados a predizer catástrofes apocalípticas, como, segundo consta, aconteceu no período anterior à passagem do ano 1000.
Esquecem esses "profetas de plantão" que o tempo é uma dimensão cósmica contada convencionalmente com nossos relógios, pois "logo ali" – como diria o nativo ilhéu em sua ingênua avaliação de distâncias – em Júpiter, o dia, dada a rápida rotação do enorme planeta em torno do próprio eixo, dura só 10 das nossas horas, e o ano, em virtude da sua órbita mais afastada do Sol, dura 12 dos nossos.
Mesmo assim, disseram eles, estivemos sujeitos, por um irado pré-determinismo divino, aos mais ciclópicos dilúvios, que viriam punir os nossos acumulados pecados “não mais originais”, lamentáveis crendices que não encontram mais guarida no atual estágio do conhecimento.
Preciso deixar registrada minha opinião sobre tudo isso para não ser misturado à massa comum que sempre foi e será o alvo de pregadores, gurus e adivinhos, ansiosos por tirar proveito material da credulidade coletiva.
Nem parece que vivemos na era da informática, da astrofísica, da realidade virtual e do genoma. Nossos ancestrais, que viveram no ano 1000 – aqueles sim! – não tinham alternativa, subjugados pelo obscurantismo religioso católico, bárbaro e medieval, sem poder expressar opinião, com medo das represálias dos papas e cardeais ignorantes e prepotentes, donos da 'verdade da época'.
Nós, ao contrário, temos a obrigação de pensar. E se não quisermos ser vistos pelas gerações futuras como "farinha do mesmo saco", temos que dar nosso testemunho de que nem todos acreditamos em dogmas, profecias, revelações, milagres, búzios, tarôs e todas as charlatanices congêneres que seria fastidioso enumerar.
E, por ilação, como pensei no ano 1000, projeto-me agora ao ano 3000. Será que a humanidade do futuro já se terá livrado dessas influências espúrias e estará finalmente integrada na obrigatória visão racional e científica que o amanhã nos reserva?
Ou ainda existirão os milenistas a profetizar cataclismos punitivos que reconduzirão os seres humanos à vexatória condição de descendentes e cúmplices involuntários do ridículo "pecado original" de um Adão e de uma Eva imaginários, ou de vítimas predestinadas de uma raiva divina inconcebível, a abater-se com crueldade infinita sobre simples viventes que não têm qualquer noção, e muito menos, culpa de suas próprias origens?
Mário Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 20h30
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RESPOSTA A UMA INTERPELAÇÃO
Há algum tempo, após ter publicado num periódico local uma crônica intitulada “Imagem e Semelhança?” em que enfoquei a impossibilidade de termos sido criados por Deus à sua imagem e semelhança, recebi de uma leitora uma interpelação fundada em preceitos de fé religiosa. Eis os termos da mesma:
“Boa noite, homem gerado pela colisão acidental de uma infinidade de átomos! Aqui, quem vos fala é alguém que foi criada à imagem e semelhança de Deus, e venho com o propósito de formular-lhe apenas uma simples pergunta: Se nada pode ser criado do nada, se os átomos dão origem a tudo – logo não podem ser considerados nada – de onde vieram os átomos? Não nascem e nem morrem? Então, vieram do nada? Fica difícil acreditar que alguém que trabalhe tão perto do nascimento e da morte, como um médico, possa duvidar de uma Inteligência Suprema na Criação da Vida e credite ao acaso a beleza e perfeição das coisas do mundo. E olha que não foi como médica – que também sou – que me motivei mandar-lhe este e-mail, mas como Ser Humano, com corpo e alma, aquele mortal, sem dúvida, mas esta imortal, com toda a certeza.
Um grande abraço de alguém que, no curso de medicina, teve o prazer de tê-lo como mestre dedicado”.
E aqui vai o que lhe escrevi em resposta:
Cara colega e ex-aluna,
Sem querer iniciar uma polêmica em que, sem dúvida, você continuará com suas inabaláveis certezas de fé religiosa, e eu com minhas incertezas e meu ceticismo, só desejo lembrar-lhe uma frase – essa, sim, imortal – dita (e provada) por um gênio da ciência, reconhecido e respeitado por todos os seus pares, e cujo nome todos conhecemos desde a mais tenra idade – Antoine Laurent de Lavoisier: "Na Natureza nada se cria e nada se perde; tudo se transforma", entendida genericamente como a lei da conservação da matéria e da energia.
Ela, por suposto – e espero que você concorde – vale para todo o Universo do qual, como indivíduos conscientes e como coletividade, fazemos parte integrante (e passageira), e, acho eu, que sempre foi assim: como expressão máxima da Natureza, o Universo nunca foi criado. Ele é a própria existência, a grande e única causa físico-energética de tudo, e sua inexistência, sim!, seria o nada. Os átomos, as partículas subatômicas e suas forças inerentes sempre existiram. Por isso mesmo, nunca exigiram um criador. E como todo efeito exige uma causa, seu suposto criador não poderia fugir à regra, sob pena de cairmos no chamado processo da 'regressão infinita': um criador para criar o criador subseqüente e assim sucessivamente e daí para a frente, ou, se você preferir, daí para trás...
Ou terá sido Ele a única exceção?
Ou melhor ainda, será que só Ele poderia existir por si mesmo, e o Universo não? De resto, é uma desnecessidade exigir-se um ser eterno (Deus) para criar um ser infinito, o Universo. Ou os dois (conceitos) se superpõem e são a mesma coisa, caso do panteísmo de Spinoza – que acho desnecessário – ou são incompatíveis e mutuamente excludentes. Nessa hipótese, entre os dois, prefiro ficar com o que vejo na noite estrelada, quase palpo e cada vez mais conheço através da ciência.
É assim que eu, com todo o direito, penso há décadas, depois de muito meditar com liberdade, sem tutelas de fé religiosa ou imposições dogmáticas: nosso cérebro evoluído – espécie de hardware – porém perecível, é a sede da nossa alma (espírito ou mente – espécie de software), que, por isso, morre com ele. E comparativamente, mas com farta dose de analogia, todos sabemos que um programa de computador jamais se executa sem o respectivo disco rígido.
A única diferença entre nós e um primata antropóide está na estrutura de um córtex mais volumoso e evoluído e no número de neurônios e sinapses que nos conferem mais aptidão.
De resto, somos quase iguais a ele (anatomofisiologicamente) – não bastassem as semelhanças não raro embaraçosas e constrangedoras (de 99,64%) que quase nos igualam na escala evolutiva.
Foi justamente graças a esses substratos da memória e da razão que, por lembrarmos o passado e prevermos a aniquilação total – coisa que nossos primos-primatas ainda não conseguem – inventamos a imortalidade e as religiões em geral. A verdade é que não fomos feitos à imagem e semelhança de ninguém. Caso tivesse sido assim, deveríamos (ou mereceríamos) ser geneticamente exclusivos, em nada semelhantes à fauna que nos rodeia. Ou, no mínimo, caberia apontar aí a comprometedora falta de talento de um criador que, ao fazê-lo, mostrou-se incapaz de gerar um ser original, inédito e perfeito. O resto, acho eu de novo, é mera esperança dos crentes.
Você aceita a história do Gênesis, contada no Velho Testamento? Pois eu aceito Epicuro, Darwin, Lavoisier, Carl Sagan, Albert Einstein e seus pares.
Cada um na sua, minha cara...
Tem mais: por incrível que lhe possa parecer, também sou homem de fé, mas minha fé não se liga ao sobrenatural; só ao natural (que é a Natureza). E é perfeitamente coerente, sim, com o exercício da medicina, uma ciência fundada na biologia, na moral, na ética e na solidariedade humana, conceitos que nada têm a ver com religião, e sim, com o conhecimento através da experiência racional, essencialmente terrena e cerebral.
E tem mais ainda: existe beleza no mundo, sim, mas não existe perfeição constante; pelo menos a perfeição idealística. Caso contrário, não surgiriam anencéfalos e aberrações similares no caso do ser humano, figura eleita da suposta divindade.
Tudo e todos, queiramos ou não, obedecemos e estamos sujeitos à lei das probabilidades, que é cósmica, autoexistente, puramente estatística e impessoal. Cada um de nós, como indivíduo, é produto do acaso. Tanto isso é verdade que, se entre milhões, um outro espermatozóide – eventualmente mais veloz – tivesse chegado antes ao óvulo do qual partimos, já não seríamos nós (indivíduo), e sim outro alguém, no máximo parecido, mas com impressão digital e desenho de íris exclusivos. Ou será que existe predeterminação divina até nisso? Algo assim como: "Agora vou criar o Mario, com tais e quais características?" Cabe supor que não!
Sabendo que, neste tema, nunca chegaremos a um acordo, pois fé religiosa e seu contrário nunca se entenderam, mas insistindo no direito à liberdade de expressão – que também lhe confiro – queira aceitar as minhas mais respeitosas saudações. E, se possível, continue me querendo bem. Da mesma maneira que eu, com todas as minhas imperfeições e falibilidades humanas, procuro querer bem a todos os meus semelhantes...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 22h40
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UM PEQUENO COMENTÁRIO SOBRE O FUTEBOL
Acabo de assistir ao jogo Grêmio e Internacional e, como só penso no Flamengo, fiquei contente com o empate. Embora simpatize mais com o Grêmio, queria de início a vitória do Inter, que está mal situado e, ao menos por enquanto, não ameaça a nossa liderança. Assim sendo, o resultado ficou de bom tamanho.
Nada disso, contudo, seria motivo de comentários, não tivessem se repetido nesse jogo dois fatos que, já há algum tempo, venho querendo enfocar criticamente.
O primeiro é o absurdo, que está virando rotina, de se permitir à torcida soltar fumaça e pós coloridos dentro dos estágios a cada gol de lá ou de cá. Acho que não seria difícil impedir esse péssimo costume. Bastaria, para isso, um mínimo de vigilância na entrada dos torcedores.
Desobedecendo a ordem de importância dos motivos, esse descalabro, em si, é lamentável por três aspectos: um, de natureza estético-visual, dado o prejuízo que causa à visibilidade das transmissões por TV e, creio, até mesmo aos que estão no estádio; outro, por dificultar, durante um longo lapso de tempo, a visão do juiz e dos bandeirinhas na observação das jogadas a certa distância, induzindo-os a erros de interpretação.
E o último – e principal por ser danoso à saúde – é o aspecto médico-sanitário da questão; afinal, os atletas, exigidos ao máximo pelo esforço físico inerente à prática do esporte, precisam, sobretudo, de fôlego. É verdade que são todos jovens, mas essa atmosfera enfumaçada, na melhor das hipóteses, reduz substancialmente a ventilação de seus alvéolos pulmonares. Alguém versado na fisiologia respiratória do ponto de vista da medicina esportiva teria, decerto, outros dados científicos a acrescentar a essa minha tese. Acredito, sem afirmar, que até a rapidez dos reflexos neuro-musculares, por escassez de oxigênio no cérebro, fica prejudicada ou retardada.
O que lastimo – e me surpreende mesmo – é não ter lido ou ouvido, até hoje, nenhum acadêmico qualificado levantar, junto à CBF e à imprensa esportiva, essa questão pontual. E como não disponho de uma coluna de jornal com a necessária penetração, nenhum dos responsáveis com poder de decisão tomará o mais longínquo conhecimento desse meu apelo. Vai seguir tudo como dantes...
O segundo enfoque se prende a uma questão de regra de jogo: está-se criando um vício que, em breve, se tornará costume e acabará por encerrar, de vez, a mínima possibilidade de algum goleiro, por mais atento e sortudo, defender um penalty. Essa tal "paradinha", que resultou no empate de hoje, é uma indecência, uma injustiça. O cobrador, simplesmente, faz que chuta e pega o guardião no contrapé, ficando com o gol aberto à sua frente e negando ao adversário a mínima chance de defesa. Daqui por diante, só um perna-de-pau perderá uma cobrança. E quem, usando esse artifício indecente, conseguir perder, deve, a meu ver, pedir o boné e mudar de profissão. Desse jeito, até eu garanto o gol...
Onde está a comissão que regulamenta e faz cumprir a regra? Será que ninguém vê isso? Só eu?
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 22h25
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DEPOIMENTO DE QUEM SABE O QUE DIZ
“Mario: andei dando uma zapeada no seu blog e ali vi um texto – intitulado “O Tempo e o Vento” – sobre o Érico Veríssimo. Não fiz comentário no local, pois qualquer coisa que eu tivesse para dizer ultrapassaria os mil caracteres que são postos à disposição. No último domingo, o caderno “MAIS” da Folha gastou três páginas transcrevendo opiniões de professores de literatura brasileira a discutirem qual foi o maior escritor brasileiro de todas as épocas – Machado de Assis ou Guimarães Rosa(?).
Li os dois. De Machado tenho a coleção quase completa. Alguns de seus livros como “D. Casmurro”, “Memórias Póstumas do Braz Cubas” e “Quincas Borba”, li e reli. Do Guimarães li com prazer “Grande Sertão: Veredas” e uma parte de “Sagarana”.
Só não entendi direito onde os votantes (Machado ganhou de 10 a 2) enfiaram José de Alencar, Gilberto Freyre, Euclides da Cunha, Lima Barreto, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Carlos Drummond de Andrade, Oswald de Andrade, Jorge Amado.
Sobretudo, e principalmente, em que gaveta do esquecimento, enfiaram ÉRICO VERÍSSIMO? Tenho, como você, quase toda a sua obra. Sua trilogia “O TEMPO E O VENTO” li, inteira, várias vezes. É, até onde conheço, o maior clássico literário escrito em português do Brasil.
Penso que Machado leva sobre ele as vantagens de ter sido o pioneiro da edição de romances (publicados, ressalte-se, às suas custas, pois não encontrou editor na época), de ser mulato, ser o criador e primeiro presidente da ABL. No mais, porém, literariamente falando, não vejo onde Machado possa ser melhor que Érico. Basta um único trabalho deste, aquela trilogia, para botar no bolso toda a obra de Machado.
A saga da conquista do Rio Grande desde os tempos das Missões, a luta das famílias Terra e Cambará, o lendário heroísmo do “Capitão Rodrigo”, e a história do estado sulino trazida até os tempos de Getúlio, são obra prima que nenhuma outra igualou até hoje na literatura brasileira.
Não sou nenhum literato, nem professor de literatura, nem crítico, mas entendo o que leio. E não consigo atinar com o motivo que levou toda aquela gente a ignorar a figura ímpar do escritor gaúcho.
Lamento por você que ele não o tenha esperado para abraçá-lo. E lamento, sobretudo, que ele não mereça as láureas de ser reconhecido como o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Pelo menos, na opinião deste modesto datilógrafo que rabisca estas mal traçadas...
Com um abraço do Osmard Andrade."
MEU COMENTÁRIO:
Osmard Andrade – oafaria@terra.com.br – é meu colega e amigo, otorrinolaringologista e oficial reformado do Corpo de Saúde da Marinha de Guerra do Brasil. Escreveu diversos livros de estudo e de ficção, um dos primeiros até traduzido para o estrangeiro. Leitor voraz e dono de uma seleta biblioteca, tem, portanto, senso crítico de sobra para opinar sobre uma questão que, talvez, merecesse o estudo de revisão de algum intelectual versado na história comparativa da Literatura Brasileira. Quem sabe, aí, num país cuja maior Academia de Letras imortaliza Paulo Coelho, José Sarney, Carlos Heitor Cony, Ivo Pitanguy e outros menos votados, se fizesse justiça póstuma ao grande e humilde Érico Veríssimo, que nunca buscou honrarias...
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 11h23
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O PAPA E O MANTO SAGRADO
No Vaticano, Marcio Braga explicou a Bento XVI o que significa o Flamengo, sua tradição e a importância do clube brasileiro no cenário internacional.
Após duas horas sob um calor de 40 graus na Praça de São Pedro, o presidente Marcio Braga conseguiu entregar a camisa do Flamengo ao Papa. Este demonstrou surpresa e entusiasmo ao receber a peça personalizada. Emocionado, o presidente recebeu a benção Papal em nome de todos os rubro-negros.
MEU COMENTÁRIO
Tá bem, Marcio. Você teimou e foi. Sob um sol abrasador, penou 2 horas no meio da multidão, para entregar a Bento, de mão beijada, o nosso Manto Sagrado. Em troca, recebeu uma bênção que se destina a todos os rubro-negros do Brasil, menos a mim. Está satisfeito agora, Marcio? Por que não lhe pediu de presente, além disso, aquele charmoso chapeuzinho vermelho? Nele, já fica uma graça. Imagine-o, então, em você...
Espero que, com o prestígio de que ele desfruta - dada sua ligação direta com o Todo-Poderoso - você se tenha lembrado de lhe pedir, como complemento da retribuição pelo mimo, o título Brasileiro de 2008.
Quem sabe, agora, com a ajuda divina, a coisa anda?
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 18h20
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CAÇADOR DE NAZISTAS BUSCARÁ “DR. MORTE”
O famoso caçador de nazistas Efraim Zuroff viajará a Bariloche, na Argentina, e a Puerto Montt, no Chile, em busca do criminoso de guerra Aribert Heim, mais conhecido como "Dr. Morte", informou o Centro Wiesenthal.
América Latina - Sábado, 21 de junho de 2008
Nazista é fotografado em cidade austríaca
Heim é um dos criminosos da Segunda Guerra Mundial mais procurados, e Zuroff, diretor do Centro Wiesenthal, deve chegar à América do Sul em, no máximo, um mês.
Ele suspeita que o "Dr. Morte" esteja na Argentina ou no Chile. "Em três semanas, estaremos em San Carlos de Bariloche e Puerto Montt, lugares em que acredito que Heim possa estar", disse Zuroff.
O "Dr. Morte" assassinou centenas de pessoas no campo de concentração de Mauthausen, na Áustria.
O criminoso é acusado ainda de ter retirado órgãos de pessoas vivas sem anestesia e aplicado injeções de veneno diretamente no coração das vítimas.
O Centro Wiesenthal acredita na presença do "Dr. Morte" em uma dessas cidades porque a sua filha vive em Puerto Montt, a 600 km de Santiago, a capital chilena.
MEU COMENTÁRIO
Esta notícia me reporta ao histórico episódio do seqüestro, nos anos 60, do criminoso nazista Adolf Eichmann, por parte de agentes do Mossad, Serviço Secreto Israelense. Como todo mundo sabe, o bandido foi seqüestrado à noite, quase à frente de sua casa, num bairro da periferia de Buenos Aires, quando retornava do trabalho. Por que ele circulava tão à vontade? Simplesmente porque nem sonhava estar sendo perseguido. Onde está, então, a diferença com o caso atual? No sigilo.
Como é que esse Zuroff pretende surpreender o tal Aribert Heim se lhe manda, via internet e pela imprensa, um aviso ostensivo de que o persegue e já conhece seu paradeiro?
Claro que a caça, assim avisada, tratará de escapar.
A estratégia secreta com que Simon Wiesenthal atuava, e que deu tão bons resultados, não está sendo seguida por seus sucessores. E Heim, que não é tolo nem nada, a estas horas, já terá dado um jeito de sumir. Bem feito!
Mario Gentil Costa
Escrito por MaGenCo às 21h06
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